Foram encontradas 49 questões.
A questão refere-se ao texto a seguir.
Metamorfose amorosa
Uma vez, li num texto de Clarice Lispector esta frase: "Toda mãe de filha feia deveria prometer-lhe que ela seria bonita quando a sabedoria do amor esclarecesse um homem."
Sublinhei a frase instintivamente. Isto foi há muito tempo. Agora fui lá em A maçã no escuro procurar a frase, e lá estava ela, intacta e forte.
Recolho-a quando a questão da beleza, uma vez mais, vem habitar ostensivamente nosso verão. É que existem vários tipos de beleza. E a mais óbvia é a que todos vêem. Por exemplo, a beleza arrebatadora, avassaladora, que surge imperiosa e exige logo adoração.
É assim com certas mulheres e homens. Entram numa sala e passam a ser o centro de gravidade dos olhares. Aparecem nas telas e capas de revistas e nos hipnotizam. É assim também não apenas com pessoas, mas com certos objetos na vitrina e museus: ficamos medusados diante deles, em pura contemplação. É assim, ainda, com certas músicas que, ouvidas, passam a fazer parte de nosso repertório existencial e nos harmonizam nos desvãos do dia.
Mas a esse tipo de beleza se opõe um outro. O da beleza que se esvazia, que vai se esmaecendo e se distanciando de si mesma até ficar feia. É como se ocorresse uma metamorfose qualquer. E não estou falando de velhice e desgaste físico, mas da beleza que se esgota e se exaure. Pessoas que perdem o brilho sem que se saiba por que e em que instante exato.
O fato é que a gente olha, de repente, uma pessoa e repara que ela não apenas não está bela, mas já não é mais bela. É como se a harmonia se interrompesse inesperadamente. Um modo de olhar, a curva do nariz, uma expressão de mau gosto e a beleza se esvai. Se esvai onde? Nela? Em nós? Sabe-se apenas que o que era vidro se quebrou e o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou...
Diferente desses tipos um outro aparece e me intriga: o da beleza envergonhada. A beleza acabrunhada de ser bela.
Existe? Existe.
Exemplo? Ei-lo.
Ela me confessou: quando menina era tão bonita que já não suportava mais. A todo lugar que ia repetiam-se as louvações carinhosas. Todos que vinham visitar a família desfilavam incontidos elogios. Ao ser apresentada, lá vinha o galanteio. Saindo com amigas, logo se diferenciava. No baile, a mais solicitada. Enfim, dizia ela, um porre! um saco! Parecia que as pessoas queriam tirar pedaço de mim. Outros elogiavam de uma maneira tal como se eu tivesse que fazer alguma coisa para merecer ser bela.
Nesse caso, a beleza passou a ser um ônus, uma cobrança, uma chateação. Daí que ela começou a enfear sua beleza para ser comum como os outros. A tal ponto que hoje o marido de vez em quando lhe diz: – Vê se te arruma um pouco, mulher...
Há, no entanto, uma beleza que não entra com clarins em nossa vida, nem se estampa em silhuetas perfeitas nas páginas do dia. Não é a obra sedutora, arrebatadora, exigindo imediatos adoradores.
Ela é percebida aos poucos. Não se constrói linearmente. Um dia você observa que o olhar dela não é tão banal. Que o sorriso irradiou uma mensagem qualquer. Está pronto para descobrir que a pele tem a temperatura do seu desejo. Um corpo que parecia tão igual-a-qualquer-um, súbito, ganha uma delicada aura. A voz, que antes não tinha qualquer traço especial, agora fica registrada na memória através de expressões banais, mas gostosas de serem lembradas.
Você está começando a olhá-la e a pensar: se ela não é tão deslumbrante como as outras, por que telefono, por que facilito encontros e por que seu corpo extrai do meu surpresas e maravilhas?
Como quem concede ou entrega um prêmio, como quem deposita a alma no destino do outro, você está pronto a se dizer: é bela, em mim, por mim, para mim. E isto basta. Eu te inventei na tua beleza, que construímos.
Sim, a beleza (descobre-se) também se constrói. Não exatamente (ou apenas) nas mesas de cirurgia plástica. Como as casas se constroem, como as flores, que passam a existir, se olhadas, a beleza se constrói. De nossas carências, de nossas premências ela se constrói, e é um imponderável arco sobre a íris de quem ama.
É assim, meu amigo. E se isto está acontecendo com você, você há muito começou a amá-la. E entre vocês dois está se operando mais que uma profecia de mãe, uma metamorfose rara, que você deve curtir e prolongar.
Affonso Romano de Sant'Anna
Texto disponível em: <http://www.riototal.com.br/coojornal/affonso016.htm>.
A alternativa na qual as palavras NÃO são acentuadas pelo mesmo motivo:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Serviço que consiste em extrair de um veículo de comunicação (Rádio, TV, Internet, Revista e Jornal impressos) tudo quanto diga respeito a um assunto contratado, empresa, pessoa, é chamado de:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- JornalismoTécnicas de apuração, redação, objetividade, edição e produção jornalísticaTécnicas e Práticas do Jornalismo
A entrevista é uma das técnicas mais utilizadas pelos jornalistas para elaborar matérias. Segundo o Centro Nacional das Vítimas da Imprensa, com sede em Forth Worth, no Texas, (Estados Unidos) não é um direito do entrevistado:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A questão refere-se ao texto a seguir.
Metamorfose amorosa
Uma vez, li num texto de Clarice Lispector esta frase: "Toda mãe de filha feia deveria prometer-lhe que ela seria bonita quando a sabedoria do amor esclarecesse um homem."
Sublinhei a frase instintivamente. Isto foi há muito tempo. Agora fui lá em A maçã no escuro procurar a frase, e lá estava ela, intacta e forte.
Recolho-a quando a questão da beleza, uma vez mais, vem habitar ostensivamente nosso verão. É que existem vários tipos de beleza. E a mais óbvia é a que todos vêem. Por exemplo, a beleza arrebatadora, avassaladora, que surge imperiosa e exige logo adoração.
É assim com certas mulheres e homens. Entram numa sala e passam a ser o centro de gravidade dos olhares. Aparecem nas telas e capas de revistas e nos hipnotizam. É assim também não apenas com pessoas, mas com certos objetos na vitrina e museus: ficamos medusados diante deles, em pura contemplação. É assim, ainda, com certas músicas que, ouvidas, passam a fazer parte de nosso repertório existencial e nos harmonizam nos desvãos do dia.
Mas a esse tipo de beleza se opõe um outro. O da beleza que se esvazia, que vai se esmaecendo e se distanciando de si mesma até ficar feia. É como se ocorresse uma metamorfose qualquer. E não estou falando de velhice e desgaste físico, mas da beleza que se esgota e se exaure. Pessoas que perdem o brilho sem que se saiba por que e em que instante exato.
O fato é que a gente olha, de repente, uma pessoa e repara que ela não apenas não está bela, mas já não é mais bela. É como se a harmonia se interrompesse inesperadamente. Um modo de olhar, a curva do nariz, uma expressão de mau gosto e a beleza se esvai. Se esvai onde? Nela? Em nós? Sabe-se apenas que o que era vidro se quebrou e o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou...
Diferente desses tipos um outro aparece e me intriga: o da beleza envergonhada. A beleza acabrunhada de ser bela.
Existe? Existe.
Exemplo? Ei-lo.
Ela me confessou: quando menina era tão bonita que já não suportava mais. A todo lugar que ia repetiam-se as louvações carinhosas. Todos que vinham visitar a família desfilavam incontidos elogios. Ao ser apresentada, lá vinha o galanteio. Saindo com amigas, logo se diferenciava. No baile, a mais solicitada. Enfim, dizia ela, um porre! um saco! Parecia que as pessoas queriam tirar pedaço de mim. Outros elogiavam de uma maneira tal como se eu tivesse que fazer alguma coisa para merecer ser bela.
Nesse caso, a beleza passou a ser um ônus, uma cobrança, uma chateação. Daí que ela começou a enfear sua beleza para ser comum como os outros. A tal ponto que hoje o marido de vez em quando lhe diz: – Vê se te arruma um pouco, mulher...
Há, no entanto, uma beleza que não entra com clarins em nossa vida, nem se estampa em silhuetas perfeitas nas páginas do dia. Não é a obra sedutora, arrebatadora, exigindo imediatos adoradores.
Ela é percebida aos poucos. Não se constrói linearmente. Um dia você observa que o olhar dela não é tão banal. Que o sorriso irradiou uma mensagem qualquer. Está pronto para descobrir que a pele tem a temperatura do seu desejo. Um corpo que parecia tão igual-a-qualquer-um, súbito, ganha uma delicada aura. A voz, que antes não tinha qualquer traço especial, agora fica registrada na memória através de expressões banais, mas gostosas de serem lembradas.
Você está começando a olhá-la e a pensar: se ela não é tão deslumbrante como as outras, por que telefono, por que facilito encontros e por que seu corpo extrai do meu surpresas e maravilhas?
Como quem concede ou entrega um prêmio, como quem deposita a alma no destino do outro, você está pronto a se dizer: é bela, em mim, por mim, para mim. E isto basta. Eu te inventei na tua beleza, que construímos.
Sim, a beleza (descobre-se) também se constrói. Não exatamente (ou apenas) nas mesas de cirurgia plástica. Como as casas se constroem, como as flores, que passam a existir, se olhadas, a beleza se constrói. De nossas carências, de nossas premências ela se constrói, e é um imponderável arco sobre a íris de quem ama.
É assim, meu amigo. E se isto está acontecendo com você, você há muito começou a amá-la. E entre vocês dois está se operando mais que uma profecia de mãe, uma metamorfose rara, que você deve curtir e prolongar.
Affonso Romano de Sant'Anna
Texto disponível em: <http://www.riototal.com.br/coojornal/affonso016.htm>.
A virgula da frase “É assim, meu amigo.” justifica-se por:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- JornalismoTécnicas de apuração, redação, objetividade, edição e produção jornalísticaTécnicas e Práticas do Jornalismo
Os estudiosos das ciências da comunicação identificam 3 tipos de reportagem:
- o relato movimentado, que começa sempre pelo fato mais atraente, para ir descendo aos poucos na exposição de detalhes, oferecendo uma narrativa dinâmica;
- o relato objetivo de acontecimentos com os fatos narrados em sucessão, em ordem cronológica, oferecendo uma visão estática dos fatos;
- o relato documentado, que apresenta os elementos de maneira objetiva, acompanhados de citações que complementam e esclarecem o assunto tratado, muitas vezes na forma de relatos na terceira pessoa.
Estes três tipos de reportagem são identificados respectivamente como:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Mídia trainning pode ser considerada:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
É INCORRETO afirmar sobre os serviços de radiodifusão comunitária no Brasil:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Utilizando o software Microsoft Excel na versão 2003 ou superior, tem-se um arquivo com quatro planilhas nomeadas nesta ordem: “resumo”, “mes01”, “mes02” e “mes03. A primeira planilha contém um resumo das vendas efetuadas ao longo dos meses, as demais planilhas contem histórico de vendas diárias de um determinado mês. O total das vendas mensais das planilhas “mes01”, “mes02” e “mes03”, encontram-se na linha 1 coluna D de cada planilha. Assinale a alternativa que indica qual dever ser a fórmula contida na célula D15 da planilha “resumo”, com o valor médio do total de vendas mensais das planilhas “mes01”, “mes02” e “mes03.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A questão refere-se ao texto a seguir.
Metamorfose amorosa
Uma vez, li num texto de Clarice Lispector esta frase: "Toda mãe de filha feia deveria prometer-lhe que ela seria bonita quando a sabedoria do amor esclarecesse um homem."
Sublinhei a frase instintivamente. Isto foi há muito tempo. Agora fui lá em A maçã no escuro procurar a frase, e lá estava ela, intacta e forte.
Recolho-a quando a questão da beleza, uma vez mais, vem habitar ostensivamente nosso verão. É que existem vários tipos de beleza. E a mais óbvia é a que todos vêem. Por exemplo, a beleza arrebatadora, avassaladora, que surge imperiosa e exige logo adoração.
É assim com certas mulheres e homens. Entram numa sala e passam a ser o centro de gravidade dos olhares. Aparecem nas telas e capas de revistas e nos hipnotizam. É assim também não apenas com pessoas, mas com certos objetos na vitrina e museus: ficamos medusados diante deles, em pura contemplação. É assim, ainda, com certas músicas que, ouvidas, passam a fazer parte de nosso repertório existencial e nos harmonizam nos desvãos do dia.
Mas a esse tipo de beleza se opõe um outro. O da beleza que se esvazia, que vai se esmaecendo e se distanciando de si mesma até ficar feia. É como se ocorresse uma metamorfose qualquer. E não estou falando de velhice e desgaste físico, mas da beleza que se esgota e se exaure. Pessoas que perdem o brilho sem que se saiba por que e em que instante exato.
O fato é que a gente olha, de repente, uma pessoa e repara que ela não apenas não está bela, mas já não é mais bela. É como se a harmonia se interrompesse inesperadamente. Um modo de olhar, a curva do nariz, uma expressão de mau gosto e a beleza se esvai. Se esvai onde? Nela? Em nós? Sabe-se apenas que o que era vidro se quebrou e o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou...
Diferente desses tipos um outro aparece e me intriga: o da beleza envergonhada. A beleza acabrunhada de ser bela.
Existe? Existe.
Exemplo? Ei-lo.
Ela me confessou: quando menina era tão bonita que já não suportava mais. A todo lugar que ia repetiam-se as louvações carinhosas. Todos que vinham visitar a família desfilavam incontidos elogios. Ao ser apresentada, lá vinha o galanteio. Saindo com amigas, logo se diferenciava. No baile, a mais solicitada. Enfim, dizia ela, um porre! um saco! Parecia que as pessoas queriam tirar pedaço de mim. Outros elogiavam de uma maneira tal como se eu tivesse que fazer alguma coisa para merecer ser bela.
Nesse caso, a beleza passou a ser um ônus, uma cobrança, uma chateação. Daí que ela começou a enfear sua beleza para ser comum como os outros. A tal ponto que hoje o marido de vez em quando lhe diz: – Vê se te arruma um pouco, mulher...
Há, no entanto, uma beleza que não entra com clarins em nossa vida, nem se estampa em silhuetas perfeitas nas páginas do dia. Não é a obra sedutora, arrebatadora, exigindo imediatos adoradores.
Ela é percebida aos poucos. Não se constrói linearmente. Um dia você observa que o olhar dela não é tão banal. Que o sorriso irradiou uma mensagem qualquer. Está pronto para descobrir que a pele tem a temperatura do seu desejo. Um corpo que parecia tão igual-a-qualquer-um, súbito, ganha uma delicada aura. A voz, que antes não tinha qualquer traço especial, agora fica registrada na memória através de expressões banais, mas gostosas de serem lembradas.
Você está começando a olhá-la e a pensar: se ela não é tão deslumbrante como as outras, por que telefono, por que facilito encontros e por que seu corpo extrai do meu surpresas e maravilhas?
Como quem concede ou entrega um prêmio, como quem deposita a alma no destino do outro, você está pronto a se dizer: é bela, em mim, por mim, para mim. E isto basta. Eu te inventei na tua beleza, que construímos.
Sim, a beleza (descobre-se) também se constrói. Não exatamente (ou apenas) nas mesas de cirurgia plástica. Como as casas se constroem, como as flores, que passam a existir, se olhadas, a beleza se constrói. De nossas carências, de nossas premências ela se constrói, e é um imponderável arco sobre a íris de quem ama.
É assim, meu amigo. E se isto está acontecendo com você, você há muito começou a amá-la. E entre vocês dois está se operando mais que uma profecia de mãe, uma metamorfose rara, que você deve curtir e prolongar.
Affonso Romano de Sant'Anna
Texto disponível em: <http://www.riototal.com.br/coojornal/affonso016.htm>.
As frases destacadas no texto foram reescritas em um só período.
O período correto quanto à pontuação é:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
São funções da Assessoria de imprensa:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container