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Criador de hits
Autor sui generis, Luís Fernando Veríssimo vende milhares de livros, acredita na chamada de “literatura de entretenimento” e escreve por encomenda.
Por Luís Rebinski
“Formei-me em letras e na bebida busco esquecer.” Assim, com esse achado existencialista de um homem frustrado com sua profissão, começa Os espiões, último livro do escritor gaúcho Luís Fernando Verissimo. Se o começo é capaz de empolgar até o mais distraído dos leitores, a sequência não deixa por menos, fazendo da estreia de Verissimo no romance policial um evento imperdível para quem aprecia livros bem-escritos e sem o fardo narrativo que costuma acompanhar literatices das mais variadas.
Narrado por um editor turrão e alcoólatra de fim de semana - “Só bebo nos fins de semana. De segunda a sexta, trabalho em uma editora” -, Os espiões traz a leveza do texto tão conhecido do cronista Verissimo, aliada a uma trama bem amarrada, envolta em um cipoal de referências culturais que dão sabor especial à narrativa.
O humor, outra marca do autor, também se faz presente, tornando o livro uma sátira séria dos romances policiais. Séria porque Verissimo é confessadamente fã do gênero que consagrou John le Carré, e sátira porque a investigação que norteia a obra é feita não por espiões altamente treinados, mas por uma turma de bebuns pseudointelectuais que vão desbravar o interior do Rio Grande do Sul. Ainda assim, a trama não deve nada a Graham Greene ou a Raymond Chandler, dois mestres do gênero.
“A ideia era fazer um elenco de gente não muito séria, frustrada, com um gosto comum também não muito sério pela literatura, que se vê atraída por um labirinto que tem um enigma literário em seu centro, e acaba os deixando mais frustrados ainda. Se o livro tem uma mensagem, é que a literatura não substitui a vida”, explica Verissimo.
Os espiões, assim como várias de suas outras publicações, tem como mote a própria literatura. Entre os espiões do título, que vão para o interior gaúcho tentar evitar o possível suicídio de uma desconhecida e talentosa escritora, há o editor de livros que narra a trama, um poeta que se autointitula “poeta menor” – por conta de sua baixa estatura – e um professor cabotino que cita obras e autores que nunca leu. “De um jeito ou de outro, todos os meus livros são sobre literatura, sobre a narrativa e a relação do narrador com o leitor e os personagens, a velha questão flaubertiana da posição do autor em seu próprio texto.”
Autor de outros bons romances com pegada detetivesca, como O jardim do diabo e Borges e os orangotangos eternos, Verissimo é escritor brasileiro sui generis, não só porque vende milhares de livros em um país onde a maioria dos escritores não consegue sair da primeira edição, mas principalmente porque é dos poucos a acreditar que a chamada “literatura de entretenimento” pode ser sinônimo de boa prosa. “Acho, como o narrador, que boa literatura se faz em qualquer gênero. De toda maneira, penso que os únicos rótulos que deveriam ser dados a obras literárias seriam ‘boa’, ‘ruim’ ou ‘mais ou menos’’’, sentencia.
Mesmo sendo um escritor de inegável talento e laureado com todos os tipos de comendas literárias, há, ainda, quem torça o nariz para a literatura fluida por ele praticada. Se o gênero policial por si só já é objeto da desconfiança da crítica, que o vê como um gênero menor, o que dizer de um autor que só escreve por encomenda (uma verdadeira heresia entre nossos escritores), é humorista e não dispensa um crime em suas tramas?
“Os livros de Jô Soares, por exemplo, foram recebidos como bom entretenimento, com tramas engenhosas e divertidas, e acho que não pretendiam ser outra coisa. E, neste sentido, foram bem aceitos inclusive pela crítica. Se é que se pode falar assim em ‘crítica’ como entidade no Brasil”, cutuca o escritor gaúcho, citando outro humorista que enveredou pela literatura policial.
Em cinco décadas de literatura, Os espiões é a primeira obra que não lhe foi encomendada. Todas as outras que escreveu partiram de sugestões de editores. No entanto, ele não é o único autor brasileiro a escrever por encomenda. Nomes de peso como João Ubaldo Ribeiro e Moacyr Scliar também o fazem. Mas Verissimo é, com certeza, o mais assíduo nesse tipo de trabalho, que, para ele, é uma forma de estímulo – e não castração – à criação. “Há uma conotação de literatura de aluguel quando o tema é dado pela editora. Mas a conotação é falsa. Não importa muito a gênese de um livro, importa o que se faz com ela. A ideia dada funciona como um desafio, estimula em vez de limitar.”
O BEST SELLER
Com mais de 50 livros publicados, Verissimo já vendeu cinco milhões de exemplares, tornandose um verdadeiro fenômeno em um país de poucos leitores. Em grande parte, isso se deve ao seu poder de produção, ainda que “o ficcionista só trabalhe quando o cronista deixa de trabalhar”, segundo ele próprio, um dos mais prolíficos do país. Um dos poucos que lhe fazem frente é seu conterrâneo Moacyr Scliar, com mais de 60 livros e considerado por Verissimo “o maior escritor vivo do país”.
Em 1997, Luís Fernando Verissimo mudou de editora, trocando a gaúcha L&PM pela Objetiva, na qual está até hoje. Em 11 anos na atual casa editorial, publicou 21 títulos, o que dá uma média de quase dois por ano. Só As mentiras que os homens contam (2000) vendeu 500 mil exemplares. Comédias para se ler na escola (2001), outro fenômeno, teve 950 mil livros vendidos.
Muitos desses leitores foram atraídos pelo humor refinado que o autor destila em jornais e revistas há décadas. Sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, é publicada há mais de 20 anos, desde 1989. Foi de sua produção humorística que surgiram dois de seus personagens mais celebrados: Ed Mort e a Velhinha de Taubaté. O detetive Ed Mort nasceu de uma crônica chamada Armadilha e fez tanto sucesso que ganhou a tela grande, sendo interpretado por Paulo Betti. Já a Velhinha de Taubaté, tal como uma personagem real, ganhou as manchetes dos jornais quando Verissimo resolveu dar cabo de sua existência.
Inversamente proporcional ao seu ritmo de trabalho é a sua eloquência para entrevistas. Tímido e avesso a badalações literárias, o escritor gaúcho é conhecido por dificultar a vida de seus entrevistadores ao responder com monossílabos perguntas pretensamente inteligentes e bem elaboradas. Ao ser abordado para falar de seu novo livro, via e-mail, à Revista da Cultura, Verissimo, que estava na Patagônia, não fugiu à regra em perguntas sobre sua participação na Copa do Mundo da África do Sul: “Estarei lá, torcendo pelo Dunga”. E sobre sua opção por permanecer em Porto Alegre mesmo com tantos compromissos profissionais no eixo Rio-São Paulo: “É uma escolha sentimental”.
Laconismo que, nesse caso, não faz muita diferença. O homem tem história e, sobre ele, que nasceu sob a égide de um dos mais respeitados pedigrees literários do país, não falta assunto. Multifacetado, o escritor toca saxofone no quinteto Jazz Seis, ilustra suas próprias colunas de jornal e é um assíduo comentarista de copas do mundo. Desde 1986, no México, o colorado Verissimo é escalado para dar seus pitacos sobre o torneio mais popular do planeta. Aos 73 anos e com o currículo que tem, o que mais lhe faltaria? “Tocar com minha banda de jazz em Nova York. Já chegamos até Natal”, responde.
REBINSKI, Luís. O criador de hits. Disponível em: <http:
//www.revistadacultura.com.br:8090/revista/rc34/index2.asp?page=materia3>. Publicada em edição maio de 2010. Acesso em 03-08-2012.
O termo “laconismo” presente no último parágrafo reitera o trecho:
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Os trechos a seguir foram extraídos de veículos da mídia impressa e, portanto, são representativos da norma culta padrão. Um deles, entretanto, contém uma construção que contraria a gramática normativa. Assinale-o:
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Vinte anos: 1992-2012
04 de agosto de 2012
MIGUEL REALE JÚNIOR - advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP; membro da Academia Paulista de Letras; foi ministro da Justiça - O Estado de S.Paulo
Em agosto de 1992 dava-se início ao pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Neste mês de agosto começa o julgamento do mensalão. Há alguma semelhança entre os dois acontecimentos.
Com Collor presidente, tratou-se a República como coisa própria. Arrecadaram-se fundos, por via de ameaças de PC Farias aos prestadores de serviços à administração. Parte desses recursos era depositada na conta da secretária particular do presidente, que pagava suas contas pessoais. A moralidade político-administrativa foi gravemente afrontada.
No mensalão não houve apropriação de numerário por pessoas do núcleo do governo. Mas se feriu, também, gravemente a República, com o uso de verbas para a compra de votos de deputados mediante a entrega de envelopes recheados em hotéis de Brasília. Desfez-se a democracia pelo desvirtuamento das relações do governo com o Legislativo, do qual parcela era cooptada graças ao vil metal. Montava-se maioria sem compartilhar poder. As dádivas nada tinham que ver com recursos de campanha, mesmo porque ocorriam em momentos distantes dos pleitos eleitorais, mas sempre às vésperas de votações importantes na Câmara dos Deputados. Fez-se tábula rasa da moralidade político-administrativa.
Participei dos dois momentos lembrados: do impeachment de Collor, como um dos autores da petição apresentada pelos presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB.) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); do mensalão não como advogado, visto, de plano, ter rejeitado atuar no caso, e sim por haver sido coordenador do movimento Da Indignação à Ação, de apoio à CPI.
O impeachment de Collor começou por iniciativa de alguns advogados: José Carlos Dias, Dalmo Dallari, Fábio Comparato, Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, René Ariel Dotti e eu - que nos reunimos na casa de José Carlos Dias em meados de julho de 92. René Dotti fez o primeiro esboço relativo aos fatos. Comparato escreveu a parte referente aos conceitos de decoro e de dignidade próprios do cargo público que haviam sido feridos.
Em 16 de agosto, domingo para o qual Collor convocara os brasileiros a saírem às ruas com as cores da Bandeira e todos surgiram de preto, Márcio Thomaz Bastos e eu fomos a Brasília a convite da CPI para auxiliar na elaboração do relatório final. Coube-me fazer a análise das provas e da Operação Uruguai, pela qual se pretendia justificar os depósitos feitos à secretária do presidente. Em entrevista ao jornal O Globo, referi, à vista dos dados da CPI: "A Casa da Dinda (residência de Collor) não se explica sem PC Farias e este não se explica sem a Casa da Dinda".
De volta a São Paulo, com cópia de parte essencial da CPI e do inquérito existente na Polícia Federal, trabalhei na consolidação dos textos de René Dotti e de Fábio Comparato, bem como da petição proposta pelo ministro Evandro Lins e Silva em nome da ABI. Especifiquei no pedido de impeachment fatos que as provas coligidas permitiam detalhar. Em 27 de agosto, no apartamento de Márcio Thomaz Bastos, o grupo inicial e mais outros advogados examinaram o texto final a ser submetido aos presidentes da OAB, Marcello Lavenère, e da ABI, Barbosa Lima Sobrinho.
Do pedido de impeachment constava, em face de resistências possíveis de Collor, o alerta: "As praças públicas tomadas de cidadãos indignados são a demonstração da perda de dignidade para o exercício do cargo de presidente". Mais adiante se frisava que o afastamento do presidente se patenteava como medida de saneamento político e administrativo dentro do estrito quadro constitucional.
Collor tentou, por meio de seus escudeiros, formadores do grupo denominado "esquadrão da morte", constranger os julgadores, deputados e senadores, durante o processo de impeachment, buscando, de toda forma, cooptar apoios no Congresso, em confronto com a espontânea manifestação dos "caras-pintadas". A tentativa frustrou-se.
Agora, diante da hipótese de eventual condenação de mensaleiros, pretendeu a CUT mobilizar filiados em prol da absolvição, exercendo pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na proximidade do julgamento montou-se campanha de desmoralização do Judiciário e da imprensa, divulgando-se, sem pejo, ser o mensalão um golpe dos meios de comunicação. Em face dessa estratégia comprometedora das instituições, há a manifestação clara do procurador-geral da República no sentido de os fatos serem os mais graves de nossa História.
O movimento Da Indignação à Ação, de 2005 - que congregava entidades como o Ministério Público Democrático, a Associação dos Advogados de São Paulo, a Associação dos Funcionários Públicos de SP, o Centro Acadêmico XI de Agosto, o Instituto dos Advogados de São Paulo, a OAB-SP e o PNBE -, proclamava não só apoio à CPI e ao seu relator, deputado Osmar Serraglio, mas também a necessidade do efetivo julgamento dos fatos agora objeto de decisão no STF.
O manifesto do movimento insistia: "É imprescindível uma investigação séria, irrestrita e corajosa, pelo Legislativo, pelo Executivo e pelo Ministério Público, completando até o fim o esforço que se iniciou". Destacava a necessidade de uma reconstrução republicana, apenas possível graças a um julgamento isento de pressões dos acusados e de seus amigos, para brotar uma decisão livre de vícios e de conchavos.
É essencial, portanto, reafirmar o respeito ao STF contra qualquer ameaça velada ou explícita aos julgadores, em escritórios ou praças, visando a impor à força a absolvição. É a hora de a sociedade civil mostrar-se vigilante para garantir que os Poderes da República sigam independentes. Espera-se que se frustre, passados 20 anos, outra tentativa de constranger julgadores de fatos relevantes da tumultuada vida política brasileira. Este julgamento constituirá um marco definidor da liberdade de decidir da Suprema Corte.
Disponível em <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso
,vinte-anos--1992-2012-,911006,0.htm> Publicada em 04-08-2012. Acesso em 05-08-2012
De acordo com o texto, infere-se que:
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Leia atentamente o texto a seguir:
Tu e ele sabeis bem: mais de um amigo desistiram do negócio. Quantos de nós ainda poderemos sustentar esse compromisso? Efetuando-se as correções de concordância verbal necessárias, o texto seria redigido da seguinte forma:
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Assinale a opção que melhor substitui a expressão destacada no trecho a seguir e, ao mesmo tempo, esteja de acordo com a relação por ela estabelecida.
Montava-se maioria sem compartilhar poder. As dádivas nada tinham que ver com recursos de campanha, mesmo porque ocorriam em momentos distantes dos pleitos eleitorais, mas sempre às vésperas de votações importantes na Câmara dos Deputados. Fez-se tábula rasa da moralidade político-administrativa.
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Leia o trecho seguinte e assinale a alternativa correta quanto ao gênero textual apresentado:
O motor está montado na traseira do carro, fixado por quatro parafusos à caixa de câmbio, a qual, por sua vez, está fixada por coxins de borracha na extremidade bifurcada do chassi. Os cilindros estão dispostos horizontalmente e opostos dois a dois. Cada par de cilindros tem um cabeçote comum de metal leve. As válvulas, situadas nos cabeçotes, são comandadas por meio de tuchos e balancins. O virabrequim, livre de vibrações, de comprimento reduzido, com têmpera especial nos colos, gira em quatro pontos de apoio e aciona o eixo excêntrico por meio de engrenagens oblíquas. As bielas contam com mancais de chumbo-bronze e os pistões são fundidos de uma liga de metal leve.
(Manual de Instruções- Volkswagen)
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Assinale a alternativa correta.
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Assinale a alternativa em que todos os termos podem ser empregados como substantivos coletivos.
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O numeral ordinal correspondente aos algarismos a seguir está indicado de forma correta apenas em:
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Observando as regras de concordância nominal, assinale a alternativa que corresponde às palavras omitidas nas lacunas, na ordem em que aparecem. Segue nesta mensagem a proposta de orçamento solicitada. Nessa proposta já está uma visita técnica, a ser agendada. Solicitamos que o envio de resposta seja .
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