Foram encontradas 50 questões.
Leia os textos para responder à próxima questão:
Texto 1:
“O indianismo está de novo a deitar copa, de nome mudado. Crismou-se de ‘caboclismo’. O cocar de penas de arara passou a chapéu de palha rebatido à testa; o ocara virou rancho de sapé: o tacape afilou, criou gatilho, deitou ouvido e é hoje espingarda troxada; o boré descaiu lamentavelmente para pio de inambu; a tanga ascendeu a camisa aberta ao peito. Mas o substrato psíquico não mudou: orgulho indomável, independência, fidalguia, coragem, virilidade heróica, todo o recheio em suma, sem faltar uma azeitona, dos Peris e Ubirajaras.”
Texto 2:
“Ah! Doutor! Doutor!... Era mágico o título, tinha poderes e alcances múltiplos, vários, polifórmicos... Era um pallium, era alguma coisa como clâmide sagrada, tecida com um fio tênue e quase imponderável, mas a cujo encontro os elementos, os maus olhares, os exorcismos se quebravam. De posse dela, as gotas da chuva afastar se iam transidas do meu corpo, não se animariam a tocar me nas roupas, no calçado sequer. O invisível distribuidor dos raios solares escolheria os mais meigos para me aquecer, e gastaria os fortes, os inexoráveis, com o comum dos homens que não é doutor. Oh! Ser formado, de anel no dedo, sobrecasaca e cartola, inflado e grosso, como um sapo intanha antes de ferir a martelada à beira do brejo; andar assim pelas ruas, pelas praças, pelas estradas, pelas salas, recebendo cumprimentos: Doutor, como passou? Como está, doutor? Era sobre humano!...”
Texto 3:
“Senhoras: Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva.
Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudades e muito amor, com desagradável nova.
É bem verdade que na boa cidade de São Paulo - a maior do universo, no dizer de seus pro
lixos habitantes - não sois conhecidas por ‘icamiabas’, voz espúria, sinão que pelo apelativo
de Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e
assim sois chamadas. Muito nos pesou a nós, Imperator vosso, tais dislates da erudição porém
heis de convir conosco que, assim, ficais mais heróicas e mais conspícuas, tocadas por essa
platina respeitável da tradição e da pureza antiga.”
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Leia o texto e responda à questão.
FIM DE PAPO
Na milésima segunda noite,
Sherazade degolou o sultão.
(SECCHIN, Antônio Carlos. Fim de papo. In: FREIRE, Marcelino (Org.). Os cem menores contos brasileiros do século. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.)
Considere as afirmações relacionadas ao texto:
I) A concisão explorada no texto conduz o leitor à realização de inferências com a ajuda das referências intertextuais para fazer emergir o que está elíptico na narrativa. II) A narrativa apresenta tensão e sugere um desfecho distinto em relação ao texto preexistente, uma vez que a fonte do sentido é resultante da formação discursiva a que o enunciado pertence. III) Nesse tipo de ficção há ausência de narratividade, prevalecendo a descrição da cena, no entanto o autor explora outras possibilidades de construção textual de sentido. IV) A narrativa estabelece um diálogo intertextual realizado a partir de elementos fornecidos na superfície textual que aludem a um texto preexistente na tradição literária.Assinale a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS:
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I) Observa-se no poema um traço marcante da poesia de Álvares de Azevedo, o efeito irônico que contrapõe o sublime ao prosaico ao explorar o tema. II) Percebe-se que valores ideais tradicionais como o sentido da vida e o amor são postos em confronto com a necessidade real e cotidiana. III) O sarcasmo com que o poeta trata o tema constitui-se em uma forma de fuga e de egoísmo que se difere de outros poemas presentes na obra Lira dos vinte anos. IV) O poema em questão consta na obra Lira dos vinte anos e apresenta traços de ironia e do forte engajamento social, comum à poesia ultrarromântica.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS.
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I) Percebe-se um distanciamento do subjetivismo próprio das produções literárias da época e um realismo crítico voltado para injustiças da sociedade imperial, por se desejar a participação do negro no projeto de identidade nacional. II) Percebe-se a busca por deleites poéticos semelhantes às produções de escritores contemporâneos ao revelar em sua temática a condição desgraçada e inferiorizada dos escravos africanos e seus descendentes no Brasil até 1888. III) Essa obra foi escrita no período em que o negro-escravo desponta como tema na poesia e apresenta consciência negro-rebelde, inserindo-se no bojo de produções posteriores em que emerge uma posição de resistência e luta por afirmação e reconhecimento social dos africanos e seus descendentes no país. IV) É possível notar que o poema apresenta uma oposição entre um “lá” e um “cá”, num diálogo intertextual que evoca no contexto o lugar da liberdade e o lugar da escravidão, respectivamente.
Estão CORRETAS as afirmativas:
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Leia o texto para responder à questão.
“- Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.
A menina sorriu docemente.
- Olha! Disse ela com a sua voz maviosa, a água sobe, sobe...
- Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.
- Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!
- Tu não sabes? Disse o índio como inspirado pelo seu amor ardente, o Senhor do céu manda, às vezes, àqueles a quem ama um bom pensamento.”
( ) Trata-se de um fragmento da obra O Guarani, escrito por José de Alencar, que apresenta marcas do passadismo colonial e da figura idealizadora de herói. ( ) A idealização do índio como figura nacional segue um modelo europeizado, materializando-se em Peri, o destemido índio, que faz o possível e o impossível para proteger Cecília. ( ) Peri, protagonista do romance Ubirajara, de José de Alencar, apresenta características morais e comportamentos que se assemelham a um herói medieval europeu. ( ) Peri, herói romântico, expressa uma ruptura com a figura do herói Árcade, pois aquele se assemelha a guerreiros medievais e este se inspira em heróis clássicos. ( ) Peri seria não só representante da grande nação tupi-guarani, como também o símbolo do autóctone brasileiro, mas é apresentado pelo autor de forma aculturada e submissa à moça que salva.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo:
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