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Foram encontradas 50 questões.

1772002 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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Efetue: !$ \overline {LIII} !$!$ \overline {XIID} !$ + !$ MMDCC !$

 

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1771958 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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Na casa de Pedro eram consumidos, em média, 960 quilowatts-hora de energia elétrica por mês. Por motivo de racionamento, esse consumo foi reduzido em 20%. Para atender a esse racionamento, qual o número máximo de quilowatts-hora que deverá ser consumido mensalmente na casa?

 

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1771955 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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A massa do conjunto (barra e discos) é igual a 200kg. Determine a massa de cada um dos discos A, B e C, respectivamente, sabendo que a barra tem 20kg, a massa do disco C é o triplo da massa do disco A e a massa do disco B é o dobro da massa do disco A.

Enunciado 3468200-1

 

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1771951 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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Um encanador tem a sua disposição canos com as seguintes medidas: 1,56m; 0,4m; 1,34m; 1,0m; 1,1m; e 0,5m. Quais os canos que ele deve emendar para formar um cano com 2,9 metros?

 

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1771941 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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Na Escola de Formação de Soldados, a Turma I, com 48 alunos, a Turma II, com 36, e a Turma III, com 30, organizaram uma competição na qual todos os alunos participaram. Cada Turma formou suas equipes. Todas as equipes tinham o mesmo número de alunos e o maior número possível deles. Quantos alunos participaram de cada equipe?

 

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1771940 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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ENTÃO, ADEUS!

Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

– Vejo que aprecia essas imagens antigas – sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: ─ Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?

Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos... Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

– Volte sempre – pediu-me.

– Impossível – eu disse. – Não moro aqui, mas, em todo caso, quem sabe um dia... – acrescentei sem nenhuma esperança.

– E então, até logo! – ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?... “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!...

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

– Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. ”Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”

Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

– Boa-noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.

– Que coincidência... – balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. – Eu não esperava vê-lo... tão cedo.

Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho...”

Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

– Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para velhinho lá na ponta da mesa.

– Ah, não sei... Antes eu sabia, mas agora já não sei.

(TELLES, Lygia Fagundes. Então, adeus!

Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem

melhores crônicas brasileiras. Rio de

Janeiro: Objetiva, 2007. p. 246-247)

Assinale a opção em que todos os vocábulos contêm dígrafo.

 

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1771936 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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ENTÃO, ADEUS!

Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

– Vejo que aprecia essas imagens antigas – sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: ─ Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?

Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos... Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

– Volte sempre – pediu-me.

– Impossível – eu disse. – Não moro aqui, mas, em todo caso, quem sabe um dia... – acrescentei sem nenhuma esperança.

– E então, até logo! – ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?... “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!...

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

– Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. ”Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”

Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

– Boa-noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.

– Que coincidência... – balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. – Eu não esperava vê-lo... tão cedo.

Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho...”

Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

– Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para velhinho lá na ponta da mesa.

– Ah, não sei... Antes eu sabia, mas agora já não sei.

(TELLES, Lygia Fagundes. Então, adeus!

Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem

melhores crônicas brasileiras. Rio de

Janeiro: Objetiva, 2007. p. 246-247)

Assinale a opção cujo termo apresentado rege a mesma preposição que a destacada em: O padre velhinho era cuidadoso com os pequenos tesouros da sua igreja.

 

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1771929 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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ENTÃO, ADEUS!

Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

– Vejo que aprecia essas imagens antigas – sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: ─ Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?

Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos... Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

– Volte sempre – pediu-me.

– Impossível – eu disse. – Não moro aqui, mas, em todo caso, quem sabe um dia... – acrescentei sem nenhuma esperança.

– E então, até logo! – ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?... “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!...

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

– Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. ”Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”

Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

– Boa-noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.

– Que coincidência... – balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. – Eu não esperava vê-lo... tão cedo.

Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho...”

Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

– Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para velhinho lá na ponta da mesa.

– Ah, não sei... Antes eu sabia, mas agora já não sei.

(TELLES, Lygia Fagundes. Então, adeus!

Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem

melhores crônicas brasileiras. Rio de

Janeiro: Objetiva, 2007. p. 246-247)

Assinale a opção em que a concordância verbal está incorreta.

 

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1771928 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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ENTÃO, ADEUS!

Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

– Vejo que aprecia essas imagens antigas – sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: ─ Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?

Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos... Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

– Volte sempre – pediu-me.

– Impossível – eu disse. – Não moro aqui, mas, em todo caso, quem sabe um dia... – acrescentei sem nenhuma esperança.

– E então, até logo! – ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?... “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!...

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

– Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. ”Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”

Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

– Boa-noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.

– Que coincidência... – balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. – Eu não esperava vê-lo... tão cedo.

Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho...”

Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

– Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para velhinho lá na ponta da mesa.

– Ah, não sei... Antes eu sabia, mas agora já não sei.

(TELLES, Lygia Fagundes. Então, adeus!

Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem

melhores crônicas brasileiras. Rio de

Janeiro: Objetiva, 2007. p. 246-247)

Assinale a opção em que todas as palavras são acentuadas em obediência a mesma regra observada em melancólico.

 

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1771927 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
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ENTÃO, ADEUS!

Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinhoB), mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

– Vejo que aprecia essas imagens antigas – sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: ─ Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?

Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos... Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprioD). Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

– Volte sempre – pediu-me.

– Impossível – eu disse. – Não moro aqui, mas, em todo caso, quem sabe um dia... – acrescentei sem nenhuma esperança.

– E então, até logo! – ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?... “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!...

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

– Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o viE), imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. ”Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”

Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

– Boa-noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempreA).

– Que coincidência... – balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. – Eu não esperava vê-lo... tão cedo.

Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de KiplingC). “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho...”

Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

– Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para velhinho lá na ponta da mesa.

– Ah, não sei... Antes eu sabia, mas agora já não sei.

(TELLES, Lygia Fagundes. Então, adeus!

Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem

melhores crônicas brasileiras. Rio de

Janeiro: Objetiva, 2007. p. 246-247)

Em relação à crônica Então, adeus!, assinale a opção em que o elemento destacado NÃO possui a mesma função morfológica que o termo grifado em “Era como se ele (...), de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com minha surpresa.”

 

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