Foram encontradas 20 questões.
Texto
Estranhas Gentilezas
(Ivan Angelo)
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
Vocabulário:
1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São Paulo
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
restaurantes
3
carros muito velozes
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(Ivan Angelo)
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
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2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
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Estranhas Gentilezas
(Ivan Angelo)
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
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2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
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Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
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1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São Paulo
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
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Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
Vocabulário:
1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São Paulo
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
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Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
Vocabulário:
1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São Paulo
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
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A afirmação feita sobre os vizinhos de cima permite ao leitor concluir que eles:
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Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
Vocabulário:
1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São Paulo
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nos
restaurantes
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Estranhas Gentilezas
(Ivan Angelo)
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
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Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência
nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
gente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava
aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de
borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho
tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho
que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que
nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal
resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a
inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.
Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,
com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1
. Num restaurante caro, o
maître2
, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes
de entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3
, um caminhão joga-me água suja de uma
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro
no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo
a sonhar com gentilezas.
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O sufixo “-eiro”, presente em “jornaleiro” tem um significado. Assinale a alternativa em que esse sufixo tenha um valor DIFERENTE do que se observa em “jornaleiro”.
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Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que aspessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciêncianos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas deespera, nos embates familiares, e depois economizam com agente.
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de unsdias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captavaaqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas deborboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranhotomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinhoque já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano quenos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinalresolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas ainimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente dealgumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir emmeu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava atépessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, semmotivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto queestaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai.Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua,com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriemtransitáveis nas ruas dos Jardins1. Num restaurante caro, omaître2, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivosà espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Umhomem de pasta que parecia impaciente à minha frente mecede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua bancana avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornalchegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
[...]
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô éeste? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá emcima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antesde entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitammeus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscandoa vida entre bólidos3, um caminhão joga-me água suja de umapoça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entrono apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novoa sonhar com gentilezas.
Vocabulário:
1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São Paulo
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras coisas nosrestaurantes
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