Magna Concursos

Foram encontradas 60 questões.

2486747 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
Por mais que literatura, teatro ou pintura, é pouco provável que um dia cheguemos a escrever como um Tolstoi, representar como um Charles Chaplin ou pintar como um Picasso. É que a arte, movida grandemente pela inspiração, requer qualidades que estão além da técnica, que pode eventualmente ajudar a , mas que dificilmente fará de um desafinado um virtuose.
Talvez se dizer o mesmo do direito: uma excelente formação dogmática não é garantia de decisões justas, porque a técnica, no direito como na arte, só pode oferecer, na melhor das hipóteses, decisões tecnicamente corretas. Mas decisões tecnicamente corretas não são necessariamente decisões justas, assim como decisões tecnicamente incorretas não são necessariamente decisões injustas. É que uma boa interpretação, na arte como no direito, mais do que técnica e razão, exige talento e sensibilidade. E a técnica jurídica é apenas um meio a serviço de um fim: a justiça.
Existem outras semelhanças entre direito e arte. Ainda hoje é muito comum confundir lei e direito, como se a mesma coisa. No entanto, confundir lei e direito equivale a confundir partitura e música, que são, obviamente, coisas distintas, podendo inclusive existir uma sem a outra. ........, é perfeitamente possível produzir sons, melodias e música – como é comum, aliás – e principalmente compor, sem partitura alguma, e revelar que a música independe da partitura. Pois bem, o mesmo ocorre com o direito: é possível decidir casos sem nenhuma lei; basta pensar nos conflitos havidos em comunidades mais primitivas, além dos inúmeros casos não disciplinados pela lei. O direito, como a música, existe com ou sem lei, com ou sem partitura.
Mas talvez o mais importante resida nisto: uma mesma partitura pode ser tocada de mil formas e ritmos, como, por exemplo, na forma de música clássica, rock, samba, etc. E cada um desses ritmos e sons variará conforme o seu intérprete, suas influências, experiência, talento, formação, etc. Também assim é a lei: uma lei, por mais clara e precisa, pode ser interpretada de diversos modos, variando conforme os preconceitos, influências, experiências, motivações e sensibilidade do seu intérprete. A lei é uma partitura que pode ser interpretada de mil formas.
Não se deve, pois, confundir lei e direito, assim como não se deve confundir partitura e música: a música é o que decorre da execução do músico; o direito é o que resulta da interpretação do juiz ou tribunal. O direito, como a música, não é a lei nem a partitura: o direito é interpretação. Algumas interpretações julgamos boas e aplaudimos, outras julgamos ruins e condenamos.
Adaptado de: QUEIROZ, P. Direito e arte. Disponível em: <http://pauloqueiroz2.jusbrasil.com.br/artigos/121941928/direito-earte>. Acesso em: 14 nov. 2014.
Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afirmações abaixo, conforme elas estejam ou não de acordo com o conteúdo do texto.
( ) Para que um artista atinja um alto grau de conhecimento na execução de sua arte, é preciso que tenha outras qualidades além da técnica.
( ) Não podemos evitar que as decisões judiciais sejam injustas, mas, mesmo nesses casos, devemos assegurar-nos de que elas sejam tecnicamente corretas.
( ) Por analogia, podemos dizer que a existência do direito não decorre da existência da lei, assim como a existência da partitura não decorre da existência da música.
( ) Uma lei pode ensejar jurisprudência, ou seja, interpretações diversas de seu teor.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2486389 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
Por mais que literatura, teatro ou pintura, é pouco provável que um dia cheguemos a escrever como um Tolstoi, representar como um Charles Chaplin ou pintar como um Picasso. É que a arte, movida grandemente pela inspiração, requer qualidades que estão além da técnica, que pode eventualmente ajudar a , mas que dificilmente fará de um desafinado um virtuose.
Talvez se dizer o mesmo do direito: uma excelente formação dogmática não é garantia de decisões justas, porque a técnica, no direito como na arte, só pode oferecer, na melhor das hipóteses, decisões tecnicamente corretas. Mas decisões tecnicamente corretas não são necessariamente decisões justas, assim como decisões tecnicamente incorretas não são necessariamente decisões injustas. É que uma boa interpretação, na arte como no direito, mais do que técnica e razão, exige talento e sensibilidade. E a técnica jurídica é apenas um meio a serviço de um fim: a justiça.
Existem outras semelhanças entre direito e arte. Ainda hoje é muito comum confundir lei e direito, como se a mesma coisa. No entanto, confundir lei e direito equivale a confundir partitura e música, que são, obviamente, coisas distintas, podendo inclusive existir uma sem a outra. ........, é perfeitamente possível produzir sons, melodias e música – como é comum, aliás – e principalmente compor, sem partitura alguma, e revelar que a música independe da partitura. Pois bem, o mesmo ocorre com o direito: é possível decidir casos sem nenhuma lei; basta pensar nos conflitos havidos em comunidades mais primitivas, além dos inúmeros casos não disciplinados pela lei. O direito, como a música, existe com ou sem lei, com ou sem partitura.
Mas talvez o mais importante resida nisto: uma mesma partitura pode ser tocada de mil formas e ritmos, como, por exemplo, na forma de música clássica, rock, samba, etc. E cada um desses ritmos e sons variará conforme o seu intérprete, suas influências, experiência, talento, formação, etc. Também assim é a lei: uma lei, por mais clara e precisa, pode ser interpretada de diversos modos, variando conforme os preconceitos, influências, experiências, motivações e sensibilidade do seu intérprete. A lei é uma partitura que pode ser interpretada de mil formas.
Não se deve, pois, confundir lei e direito, assim como não se deve confundir partitura e música: a música é o que decorre da execução do músico; o direito é o que resulta da interpretação do juiz ou tribunal. O direito, como a música, não é a lei nem a partitura: o direito é interpretação. Algumas interpretações julgamos boas e aplaudimos, outras julgamos ruins e condenamos.
Adaptado de: QUEIROZ, P. Direito e arte. Disponível em: <http://pauloqueiroz2.jusbrasil.com.br/artigos/121941928/direito-earte>. Acesso em: 14 nov. 2014.
No texto ocorre duas vezes, em contextos diferentes, a palavra pois (linhas 16 e 26).
Na coluna da esquerda, abaixo, são citadas quatro funções que a palavra pois pode exercer; na coluna da direita, três enunciados em que ocorre essa palavra.
Associe adequadamente a coluna da direita à da esquerda.
1. conjunção explicativa ( ) Não se deve, pois, confundir lei e direito.

2. conjunção conclusiva ( ) Ele é muito sensível, pois se emociona ao ouvir música.

3. conjunção adversativa ( ) Você aprecia ópera? Pois eu prefiro teatro.

4. advérbio
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2486205 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.
Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.
Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.
A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.
Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.
Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.
A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?
Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.
Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.
Considere as seguintes afirmações acerca do uso de expressões de referência nominal constantes no texto.
I – A expressão definida O poema designa referente previamente descrito no texto.
II – A expressão definida os jovens designa referente de conhecimento exclusivo do autor do texto.
III – A expressão definida A filha designa referente anteriormente compartilhado pelo autor do texto com o leitor.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2485817 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.
Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.
Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.
A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.
Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.
Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.
A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?
Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.
Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.
Considere as seguintes propostas de reescrita da passagem do texto que vai da linha 24 à linha 26.
I – A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta: a língua é um bem social; ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence.
II – A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro – o que não deve ser considerado como uma maldição, que se abateu sobre a linguagem culta – , a língua é um bem social: ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence.
III – A rapidez da interação virtual exige, novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta; a língua é um bem social – ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade, à qual pertence.
Quais dessas propostas são corretas do ponto de vista da pontuação?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2484074 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.
Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.
Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.
A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.
Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.
Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.
A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?
Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.
Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.
Considere as seguintes afirmações sobre a estrutura do texto.
I – No primeiro parágrafo, o autor se refere ao campo de estudos da Estilística e da Retórica.
II – O segundo parágrafo refere-se à conduta linguística que está sendo alvo de críticas.
III – O sétimo parágrafo refere-se ao preconceito linguístico em relação ao uso da internet.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2483964 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
Por mais que literatura, teatro ou pintura, é pouco provável que um dia cheguemos a escrever como um Tolstoi, representar como um Charles Chaplin ou pintar como um Picasso. É que a arte, movida grandemente pela inspiração, requer qualidades que estão além da técnica, que pode eventualmente ajudar a , mas que dificilmente fará de um desafinado um virtuose.
Talvez se dizer o mesmo do direito: uma excelente formação dogmática não é garantia de decisões justas, porque a técnica, no direito como na arte, só pode oferecer, na melhor das hipóteses, decisões tecnicamente corretas. Mas decisões tecnicamente corretas não são necessariamente decisões justas, assim como decisões tecnicamente incorretas não são necessariamente decisões injustas. É que uma boa interpretação, na arte como no direito, mais do que técnica e razão, exige talento e sensibilidade. E a técnica jurídica é apenas um meio a serviço de um fim: a justiça.
Existem outras semelhanças entre direito e arte. Ainda hoje é muito comum confundir lei e direito, como se a mesma coisa. No entanto, confundir lei e direito equivale a confundir partitura e música, que são, obviamente, coisas distintas, podendo inclusive existir uma sem a outra. ........, é perfeitamente possível produzir sons, melodias e música – como é comum, aliás – e principalmente compor, sem partitura alguma, e revelar que a música independe da partitura. Pois bem, o mesmo ocorre com o direito: é possível decidir casos sem nenhuma lei; basta pensar nos conflitos havidos em comunidades mais primitivas, além dos inúmeros casos não disciplinados pela lei. O direito, como a música, existe com ou sem lei, com ou sem partitura.
Mas talvez o mais importante resida nisto: uma mesma partitura pode ser tocada de mil formas e ritmos, como, por exemplo, na forma de música clássica, rock, samba, etc. E cada um desses ritmos e sons variará conforme o seu intérprete, suas influências, experiência, talento, formação, etc. Também assim é a lei: uma lei, por mais clara e precisa, pode ser interpretada de diversos modos, variando conforme os preconceitos, influências, experiências, motivações e sensibilidade do seu intérprete. A lei é uma partitura que pode ser interpretada de mil formas.
Não se deve, pois, confundir lei e direito, assim como não se deve confundir partitura e música: a música é o que decorre da execução do músico; o direito é o que resulta da interpretação do juiz ou tribunal. O direito, como a música, não é a lei nem a partitura: o direito é interpretação. Algumas interpretações julgamos boas e aplaudimos, outras julgamos ruins e condenamos.
Adaptado de: QUEIROZ, P. Direito e arte. Disponível em: <http://pauloqueiroz2.jusbrasil.com.br/artigos/121941928/direito-earte>. Acesso em: 14 nov. 2014.
Considere as seguintes afirmações acerca dos afixos que entram na formação de algumas palavras do texto.
I – O sufixo –ura da palavra pintura forma substantivos a partir de verbos.
II – O sufixo –mente das palavras eventualmente e dificilmente forma advérbios a partir de adjetivos.
III – O sufixo –(i)dade da palavra sensibilidade forma substantivos a partir de verbos.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2483509 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.
Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.
Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.
A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.
Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.
Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.
A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?
Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.
Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.
Considere as seguintes afirmações sobre o significado de palavras e expressão usadas no texto.
I – A palavra discurso, significa, no texto, ‘peça oratória proferida em público’.
II – A expressão licença poética, significa ‘liberdade de o escritor contrariar as regras da poética ou da gramática para atingir objetivos de expressão’.
III – A palavra sístole, significa ‘deslocamento do acento tônico de uma palavra para a sílaba anterior’.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2482829 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:

A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.

Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.

Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.

A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.

Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.

Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.

A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?

Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.

Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.

Considere as seguintes propostas de classificação sintática de segmentos o texto, e assinale com 1 as que estão corretas e com 2 as que estão incorretas.

( ) do indivíduo: complemento nominal de inserção

( ) da ideia : complemento verbal de participar

( ) de várias habilidades: complemento verbal de exige

( ) de cinco anos: complemento nominal de criança

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2482212 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.
Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.
Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.
A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.
Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.
Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.
A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?
Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.
Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.
Um dos objetivos centrais do texto é
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2481844 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MPE-RS
Orgão: MPE-RS
Provas:
Por mais que literatura, teatro ou pintura, é pouco provável que um dia cheguemos a escrever como um Tolstoi, representar como um Charles Chaplin ou pintar como um Picasso. É que a arte, movida grandemente pela inspiração, requer qualidades que estão além da técnica, que pode eventualmente ajudar a , mas que dificilmente fará de um desafinado um virtuose.
Talvez se dizer o mesmo do direito: uma excelente formação dogmática não é garantia de decisões justas, porque a técnica, no direito como na arte, só pode oferecer, na melhor das hipóteses, decisões tecnicamente corretas. Mas decisões tecnicamente corretas não são necessariamente decisões justas, assim como decisões tecnicamente incorretas não são necessariamente decisões injustas. É que uma boa interpretação, na arte como no direito, mais do que técnica e razão, exige talento e sensibilidade. E a técnica jurídica é apenas um meio a serviço de um fim: a justiça.
Existem outras semelhanças entre direito e arte. Ainda hoje é muito comum confundir lei e direito, como se a mesma coisa. No entanto, confundir lei e direito equivale a confundir partitura e música, que são, obviamente, coisas distintas, podendo inclusive existir uma sem a outra. ........, é perfeitamente possível produzir sons, melodias e música – como é comum, aliás – e principalmente compor, sem partitura alguma, e revelar que a música independe da partitura. Pois bem, o mesmo ocorre com o direito: é possível decidir casos sem nenhuma lei; basta pensar nos conflitos havidos em comunidades mais primitivas, além dos inúmeros casos não disciplinados pela lei. O direito, como a música, existe com ou sem lei, com ou sem partitura.
Mas talvez o mais importante resida nisto: uma mesma partitura pode ser tocada de mil formas e ritmos, como, por exemplo, na forma de música clássica, rock, samba, etc. E cada um desses ritmos e sons variará conforme o seu intérprete, suas influências, experiência, talento, formação, etc. Também assim é a lei: uma lei, por mais clara e precisa, pode ser interpretada de diversos modos, variando conforme os preconceitos, influências, experiências, motivações e sensibilidade do seu intérprete. A lei é uma partitura que pode ser interpretada de mil formas.
Não se deve, pois, confundir lei e direito, assim como não se deve confundir partitura e música: a música é o que decorre da execução do músico; o direito é o que resulta da interpretação do juiz ou tribunal. O direito, como a música, não é a lei nem a partitura: o direito é interpretação. Algumas interpretações julgamos boas e aplaudimos, outras julgamos ruins e condenamos.
Adaptado de: QUEIROZ, P. Direito e arte. Disponível em: <http://pauloqueiroz2.jusbrasil.com.br/artigos/121941928/direito-earte>. Acesso em: 14 nov. 2014.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas tracejadas das linhas 1, 4, 5 e 13, nesta ordem.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas