Foram encontradas 40 questões.
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisArtigo de Opinião
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisConto
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisNotícia
As questões de 21 a 25 são referentes ao texto seguinte:
UM IDOSO NA FILA DO DETRAN
"O senhor aqui é idoso", gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal "senhor". Como ninguém protestasse, o policial abriu o caminho para que o velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.
Olhei em volta e procurei com os olhos o velhinho, mas nada. De repente, percebi que o "idoso" que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.
Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos "enta"; dos 50, quando, deprimido, senta-se que jamais vai-se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na "terceira idade". Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco, aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de "idoso", ainda mais numa fila do Detran.
Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: "idoso é o senhor seu pai. O que mais me irritava era a ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver minha identidade? E o guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim? Como, além de idoso, eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta adentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: "Esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!" Mas, que nada, nem um pio.
O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima do tempo. Manter da manhã em que acordei fazendo 60 anos: "Isso é uma sacanagem comigo", me disse, "eu não mereço." Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: "Mas ninguém lhe dá isso." Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran, nem isso, nenhuma alma caridosa me "dava" um pouco menos.
Subi e a mocinha da mesa de informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: "Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas. ” Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: "O senhor não tem mais de 65 anos? Não é idoso?"
— Não, sou gestante — tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: "não tenho mais, tenho só 65 anos."
O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. "Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15", já ouvi essa discussão.
Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar de quem me faz companhia nesse triste transe. Aí, se não me falha a memória — e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade —, me lembro de que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de ideias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Gullar, Milton Coelho, Jânio de Freitas (Lemos, Cony, Barreto, Armando e Figueiró já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou com outro— de ano, meses ou dias —, e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.
Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? "No Detran", diz uma voz. Ah, sim. "E o atendimento?" Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas, mesmo sem entrar em fila, passa-se um dia para renovar a carteira. Pelo menos alguma coisa se renova nessa idade.
Ventura, Z. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 265 (Texto adaptado).
Pelas características predominantes do texto, assinale a alternativa que melhor indica seu gênero:
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De acordo com o poeta caxiense, Wybson Carvalho, o que representa o nome Caxias?
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A atual área do município de Caxias equivale somente a 45,45% da área original, antes das emancipações das seguintes cidades, exceto:
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- LegislaçãoDiretrizes Curriculares NacionaisDiretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental de 9 anos
A ampliação do Ensino Fundamental para nove anos de duração, com a matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade, é uma meta almejada para a política nacional de educação. Em relação ao objetivo da ampliação do ensino fundamental para nove anos, analise as afirmativas abaixo:
I. Distribuir livros e materiais didáticos diversificados visando aumentar a qualidade do ensino.
II. Alfabetizar a criança mais cedo, de forma integral no primeiro ano.
III. Assegurar a todas as crianças um tempo maior de convívio escolar, maiores oportunidades de aprender e, com isso, uma aprendizagem com mais qualidade.
IV. Melhorar as condições de equidade e de qualidade da Educação Básica.
Estão corretas apenas:
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No contexto educacional, em que tendência pedagógica a “aprendizagem” é “baseada no desempenho”?
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- Temas Educacionais PedagógicosGestão DemocráticaGestão democrática na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação veio em atendimento aos preceitos constitucionais e resultou de um longo processo de tramitação que se iniciou em 1988, ano em que foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil. A Lei recebeu diversas alterações ao longo do tempo, uma das alterações foi:
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Considerando o disposto na LDB Nº 9394/96 e as Diretrizes Curriculares Nacionais, assinale a alternativa que não apresenta uma função da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
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AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- Ouvimos, com frequência, queixas sisudas no sentido de que a língua portuguesa
- está se estropiando no Brasil. Elas partem não só de dentro de nossas fronteiras como
- também de além-mar, onde o vírus do linguajar das novelas brasileiras estaria infeccionando
- a pureza do idioma.
- As queixas têm certa procedência, quando não redundam em uma defesa disfarçada
- da petrificação da língua, pretensão aliás inútil diante de seu constante movimento, seja a
- longo prazo, seja diante de nossos olhos. Basta ler um texto de Ruy Barbosa para perceber
- a distância que medeia entre sua escrita e a dos dias que correm. É bom lembrar que Ruy
- morreu há pouco mais de 80 anos, espaço de tempo relativamente reduzido, quando se
- pensa em termos de grandes alterações da língua.
- Na contínua renovação, há porém muitos descaminhos. Claro que o critério para
- estabelecer o que constitui descaminho é relativo e depende mesmo do gosto de cada um,
- até que a passagem dos anos se encarregue de distinguir as novas formas linguísticas dos
- modismos passageiros.
- Da minha parte, implico particularmente com algumas novidades como, por exemplo,
- essa história de falar sempre em “cima de alguma coisa, ou de alguma ideia”, expressão
- inevitável nas reuniões de executivo e nas assembleias, sejam elas de professores ou de
- sindicalistas. De resto, nessas reuniões já não se pondera nada, como se a ponderação
- tivesse abandonado de vez tais encontros: fazem-se “colocações” a respeito de tudo e de
- qualquer cousa.
- Embora a redução das desigualdades sociais pouco tenha avançado no país, pelo
- menos algo substancial se alcançou no plano da linguagem. Nessa área, o nivelamento é a
- palavra de ordem generalizada. Pensa-se "a nível de nivelamento".
- Um exemplo extremo de retrocesso aparece na linguagem científica, atacada por um
- inimigo fora de moda que, em outros tempos, se chamava imperialismo americano. Trata-se
- da referência a amostras randomizadas de pesquisa, assim mesmo sem aspas. Convém
- explicar, pois ninguém tem obrigação de saber isso: amostras randomizadas são as colhidas
- ao acaso, aleatoriamente, diríamos de forma algo elegante, derivando o qualificativo de "at
- random", ou seja, ao acaso.
- Enfim, os exemplos poderiam ser multiplicados, ou complexificados se quiserem,
- mas estes me parecem bastar, como indicadores de descaminhos.
- Entretanto, em matéria de assuntos linguísticos, é bom ser cauteloso na ironia, até
- porque a língua portuguesa não é fácil. Da minha parte, a regência verbal constitui um terreno
- tormentoso, no qual me movo com dificuldade. É difícil saber, por exemplo, por que o verbo
- importar "pede" objeto direto e o verbo assistir tem outra “pedida” que, no meu tempo, era
- chamada de transitiva-relativa.
- Pelo menos, me esforço em acertar, embora me sinta parte integrante de uma
- espécie em extinção. A prova dessa marginalidade se confirmou quando me contaram a
- resposta de uma jovem redatora de jornal a um chefe de redação que reclamava de seus
- abusos regenciais: "Você ainda se preocupa com essas coisas?".
- Porém, apesar das queixas dos puristas, ouso dizer que o conhecimento da língua
- avançou muito nos últimos tempos. E não me refiro às inovações, mas ao chamado cânone
- consagrado.
- A Maria, que trabalha em minha casa, é um exemplo vivo do que estou afirmando.
- Ela tem o hábito de passar ao telefone longos minutos que me parecem horas. É a forma
- dela saber da vida dos parentes e amigos, de fofocar sobre este ou aquele personagem, de
- manter a intimidade com gente fisicamente distante.
- Há alguns dias um fragmento sonoro diferente, percorrendo os espaços da casa,
- chegou aos meus ouvidos. Não se falava da saúde, do emprego, ou da falta do emprego de
- alguém. Pelo que depreendi, do outro lado da linha, um funcionário de uma dessas lojas de
- eletrodomésticos, cuja clientela é formada pela população de poucos recursos, intimava-a a
- pagar uma prestação supostamente em atraso, com a rispidez que alguns dedicam ao
- consumidor pobre. A resposta veio cortante: "Eu não estou devendo nada, isso é erro de
- vocês. E vê se para de me tratar como se eu fosse uma inadimplente".
- Pensei em levar mais munição à Maria, sugerindo que acrescentasse um arremate
- demolidor, algo assim como "e não me venha cobrar, intempestivamente, juros moratórios".
- Desisti a tempo. Seria uma atitude paternalista e ainda por cima dispensável, pois em matéria
- de cidadania e de manejo do português, Maria não precisa de ajuda.
BORIS FAUSTO
|
“...outra “pedida” que (...) era chamada de transitiva relativa” (L.35/36). |
Transpondo a oração em destaque da voz passiva para a voz ativa, tem-se a forma verbal
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AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- Ouvimos, com frequência, queixas sisudas no sentido de que a língua portuguesa
- está se estropiando no Brasil. Elas partem não só de dentro de nossas fronteiras como
- também de além-mar, onde o vírus do linguajar das novelas brasileiras estaria infeccionando
- a pureza do idioma.
- As queixas têm certa procedência, quando não redundam em uma defesa disfarçada
- da petrificação da língua, pretensão aliás inútil diante de seu constante movimento, seja a
- longo prazo, seja diante de nossos olhos. Basta ler um texto de Ruy Barbosa para perceber
- a distância que medeia entre sua escrita e a dos dias que correm. É bom lembrar que Ruy
- morreu há pouco mais de 80 anos, espaço de tempo relativamente reduzido, quando se
- pensa em termos de grandes alterações da língua.
- Na contínua renovação, há porém muitos descaminhos. Claro que o critério para
- estabelecer o que constitui descaminho é relativo e depende mesmo do gosto de cada um,
- até que a passagem dos anos se encarregue de distinguir as novas formas linguísticas dos
- modismos passageiros.
- Da minha parte, implico particularmente com algumas novidades como, por exemplo,
- essa história de falar sempre em “cima de alguma coisa, ou de alguma ideia”, expressão
- inevitável nas reuniões de executivo e nas assembleias, sejam elas de professores ou de
- sindicalistas. De resto, nessas reuniões já não se pondera nada, como se a ponderação
- tivesse abandonado de vez tais encontros: fazem-se “colocações” a respeito de tudo e de
- qualquer cousa.
- Embora a redução das desigualdades sociais pouco tenha avançado no país, pelo
- menos algo substancial se alcançou no plano da linguagem. Nessa área, o nivelamento é a
- palavra de ordem generalizada. Pensa-se "a nível de nivelamento".
- Um exemplo extremo de retrocesso aparece na linguagem científica, atacada por um
- inimigo fora de moda que, em outros tempos, se chamava imperialismo americano. Trata-se
- da referência a amostras randomizadas de pesquisa, assim mesmo sem aspas. Convém
- explicar, pois ninguém tem obrigação de saber isso: amostras randomizadas são as colhidas
- ao acaso, aleatoriamente, diríamos de forma algo elegante, derivando o qualificativo de "at
- random", ou seja, ao acaso.
- Enfim, os exemplos poderiam ser multiplicados, ou complexificados se quiserem,
- mas estes me parecem bastar, como indicadores de descaminhos.
- Entretanto, em matéria de assuntos linguísticos, é bom ser cauteloso na ironia, até
- porque a língua portuguesa não é fácil. Da minha parte, a regência verbal constitui um terreno
- tormentoso, no qual me movo com dificuldade. É difícil saber, por exemplo, por que o verbo
- importar "pede" objeto direto e o verbo assistir tem outra “pedida” que, no meu tempo, era
- chamada de transitiva-relativa.
- Pelo menos, me esforço em acertar, embora me sinta parte integrante de uma
- espécie em extinção. A prova dessa marginalidade se confirmou quando me contaram a
- resposta de uma jovem redatora de jornal a um chefe de redação que reclamava de seus
- abusos regenciais: "Você ainda se preocupa com essas coisas?".
- Porém, apesar das queixas dos puristas, ouso dizer que o conhecimento da língua
- avançou muito nos últimos tempos. E não me refiro às inovações, mas ao chamado cânone
- consagrado.
- A Maria, que trabalha em minha casa, é um exemplo vivo do que estou afirmando.
- Ela tem o hábito de passar ao telefone longos minutos que me parecem horas. É a forma
- dela saber da vida dos parentes e amigos, de fofocar sobre este ou aquele personagem, de
- manter a intimidade com gente fisicamente distante.
- Há alguns dias um fragmento sonoro diferente, percorrendo os espaços da casa,
- chegou aos meus ouvidos. Não se falava da saúde, do emprego, ou da falta do emprego de
- alguém. Pelo que depreendi, do outro lado da linha, um funcionário de uma dessas lojas de
- eletrodomésticos, cuja clientela é formada pela população de poucos recursos, intimava-a a
- pagar uma prestação supostamente em atraso, com a rispidez que alguns dedicam ao
- consumidor pobre. A resposta veio cortante: "Eu não estou devendo nada, isso é erro de
- vocês. E vê se para de me tratar como se eu fosse uma inadimplente".
- Pensei em levar mais munição à Maria, sugerindo que acrescentasse um arremate
- demolidor, algo assim como "e não me venha cobrar, intempestivamente, juros moratórios".
- Desisti a tempo. Seria uma atitude paternalista e ainda por cima dispensável, pois em matéria
- de cidadania e de manejo do português, Maria não precisa de ajuda.
BORIS FAUSTO
A alternativa em que o fragmento destacado contém uma ideia de estado de sujeito é
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AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- Ouvimos, com frequência, queixas sisudas no sentido de que a língua portuguesa
- está se estropiando no Brasil. Elas partem não só de dentro de nossas fronteiras como
- também de além-mar, onde o vírus do linguajar das novelas brasileiras estaria infeccionando
- a pureza do idioma.
- As queixas têm certa procedência, quando não redundam em uma defesa disfarçada
- da petrificação da língua, pretensão aliás inútil diante de seu constante movimento, seja a
- longo prazo, seja diante de nossos olhos. Basta ler um texto de Ruy Barbosa para perceber
- a distância que medeia entre sua escrita e a dos dias que correm. É bom lembrar que Ruy
- morreu há pouco mais de 80 anos, espaço de tempo relativamente reduzido, quando se
- pensa em termos de grandes alterações da língua.
- Na contínua renovação, há porém muitos descaminhos. Claro que o critério para
- estabelecer o que constitui descaminho é relativo e depende mesmo do gosto de cada um,
- até que a passagem dos anos se encarregue de distinguir as novas formas linguísticas dos
- modismos passageiros.
- Da minha parte, implico particularmente com algumas novidades como, por exemplo,
- essa história de falar sempre em “cima de alguma coisa, ou de alguma ideia”, expressão
- inevitável nas reuniões de executivo e nas assembleias, sejam elas de professores ou de
- sindicalistas. De resto, nessas reuniões já não se pondera nada, como se a ponderação
- tivesse abandonado de vez tais encontros: fazem-se “colocações” a respeito de tudo e de
- qualquer cousa.
- Embora a redução das desigualdades sociais pouco tenha avançado no país, pelo
- menos algo substancial se alcançou no plano da linguagem. Nessa área, o nivelamento é a
- palavra de ordem generalizada. Pensa-se "a nível de nivelamento".
- Um exemplo extremo de retrocesso aparece na linguagem científica, atacada por um
- inimigo fora de moda que, em outros tempos, se chamava imperialismo americano. Trata-se
- da referência a amostras randomizadas de pesquisa, assim mesmo sem aspas. Convém
- explicar, pois ninguém tem obrigação de saber isso: amostras randomizadas são as colhidas
- ao acaso, aleatoriamente, diríamos de forma algo elegante, derivando o qualificativo de "at
- random", ou seja, ao acaso.
- Enfim, os exemplos poderiam ser multiplicados, ou complexificados se quiserem,
- mas estes me parecem bastar, como indicadores de descaminhos.
- Entretanto, em matéria de assuntos linguísticos, é bom ser cauteloso na ironia, até
- porque a língua portuguesa não é fácil. Da minha parte, a regência verbal constitui um terreno
- tormentoso, no qual me movo com dificuldade. É difícil saber, por exemplo, por que o verbo
- importar "pede" objeto direto e o verbo assistir tem outra “pedida” que, no meu tempo, era
- chamada de transitiva-relativa.
- Pelo menos, me esforço em acertar, embora me sinta parte integrante de uma
- espécie em extinção. A prova dessa marginalidade se confirmou quando me contaram a
- resposta de uma jovem redatora de jornal a um chefe de redação que reclamava de seus
- abusos regenciais: "Você ainda se preocupa com essas coisas?".
- Porém, apesar das queixas dos puristas, ouso dizer que o conhecimento da língua
- avançou muito nos últimos tempos. E não me refiro às inovações, mas ao chamado cânone
- consagrado.
- A Maria, que trabalha em minha casa, é um exemplo vivo do que estou afirmando.
- Ela tem o hábito de passar ao telefone longos minutos que me parecem horas. É a forma
- dela saber da vida dos parentes e amigos, de fofocar sobre este ou aquele personagem, de
- manter a intimidade com gente fisicamente distante.
- Há alguns dias um fragmento sonoro diferente, percorrendo os espaços da casa,
- chegou aos meus ouvidos. Não se falava da saúde, do emprego, ou da falta do emprego de
- alguém. Pelo que depreendi, do outro lado da linha, um funcionário de uma dessas lojas de
- eletrodomésticos, cuja clientela é formada pela população de poucos recursos, intimava-a a
- pagar uma prestação supostamente em atraso, com a rispidez que alguns dedicam ao
- consumidor pobre. A resposta veio cortante: "Eu não estou devendo nada, isso é erro de
- vocês. E vê se para de me tratar como se eu fosse uma inadimplente".
- Pensei em levar mais munição à Maria, sugerindo que acrescentasse um arremate
- demolidor, algo assim como "e não me venha cobrar, intempestivamente, juros moratórios".
- Desisti a tempo. Seria uma atitude paternalista e ainda por cima dispensável, pois em matéria
- de cidadania e de manejo do português, Maria não precisa de ajuda.
BORIS FAUSTO
Quando o autor do texto diz: “Maria (...) é um exemplo vivo do que estou afirmando.” (L.44), ele se refere a
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