Magna Concursos

Foram encontradas 50 questões.

1290388 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Analise as assertivas abaixo a respeito do preenchimento de determinadas lacunas do texto, assinalando C, se estiverem corretas, ou E, se erradas.
( ) As três lacunas do primeiro parágrafo (l.01, 03 e 06) ficam corretamente preenchidas por ‘têm', tendo em vista a correção gramatical dos períodos. ( ) Na linha 32, a lacuna fica corretamente preenchida por ‘ascensão’, levando em conta a grafia da palavra. ( ) Na linha 48, a lacuna fica corretamente preenchida por ‘porque’, visto fazer-se necessário um pronome relativo ali.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290387 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Analise as afirmações que são feitas em relação ao texto:
I. De um modo geral, o texto discute sobre a construção mítica do inglês como língua internacional ou franca e as implicações socioculturais, ideológicas e materiais desse mito. II. O autor do texto apresenta o seu ponto de vista sobre o assunto já no primeiro parágrafo, no qual afirma que o inglês está imbricado com questões socioeconômicas, culturais por países que são potências, que no passado colonizaram e dominaram diversos territórios. III. A partir do texto, entende-se que a língua inglesa não deve ser declarada como língua global que conecta o mundo, visto haver questões de dominação que acarretam desigualdades nesses países colonizados.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290386 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Analise as seguintes propostas de alteração de palavras do texto.
I. Substituição de ‘ratifica’ (l.25) por ‘manifesta’. II. Substituição de ‘propulsora’ (l.41) por ‘controladora’. III. Substituição de ‘imiscuir-se’ (l.49) por ‘intrometer-se’.
Quais provocam mudanças semânticas no período em que se inserem?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290385 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Para responder à questão, considere as seguintes palavras retiradas do texto: 1. empreendidos. 2. internacional. 3. diplomáticas. 4. auxiliar. 5. expressa.
Analise as assertivas a seguir a respeito das palavras destacadas acima:
I. Considerando as palavras em destaque, três apresentam mais letras do que fonemas e duas têm o mesmo número de letras e de fonemas. II. Todas as palavras apresentam encontro consonantal. III. As palavras 1, 2 e 5 apresentam um dígrafo em cada uma delas.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290384 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Analise as seguintes assertivas a respeito da grafia de palavras, considerando o novo acordo ortográfico:
I. De acordo com o novo acordo ortográfico, a palavra ‘constrói’ (l.25) deveria ser escrita sem acento gráfico, visto a mudança da regra de acentuação que a rege. II. A palavra ‘socioeconômica’ (l.36) foi uma das que sofreram alteração com o novo acordo ortográfico. III. A expressão ‘mão única’ (l.37), por ser composta, deveria ser escrita com hífen.
Quais estão INCORRETAS?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290383 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
A respeito do uso do ‘que’ no texto, analise as seguintes assertivas, assinalando C, se estiverem corretas, ou E, se erradas.
( ) Ambos os ‘que’ das linhas 09 e 52 introduzem uma oração subordinada substantiva objetiva direta. ( ) O ‘que’ da linha 31 introduz uma oração subordinada substantiva completiva nominal. ( ) Os ‘que’ das linhas 40 e 41 são classificados como pronomes relativos.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290382 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
A respeito de conotação e denotação, assinale a alternativa cuja classificação das frases esteja INCORRETA.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290381 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Assinale a alternativa em que há uma frase que NÃO pode ser passada para a voz passiva.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290380 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
A respeito das ocorrências de pronomes no texto, analise as seguintes assertivas:
I. Os pronomes ‘seus’ e ‘sua’ (l.26) referemse à ‘língua’ (l.26). II. O pronome ‘dela’ (l.40) refere-se à ‘língua inglesa’ (l.39). III. O pronome ‘seu’ (l.44) refere-se à ‘Pennycook’ (l.43).
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1290379 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Esteio-RS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

O mito do inglês como língua internacional ou franca

No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

de ordem crítica.

Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

internacional ou não.

Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem-

se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata-

se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

e cultural.

O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

(Pennycook, 2007, p. 90)

Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.


Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592
Em relação à frase “Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo”, retirada do texto, pode-se afirmar que há _____ orações, sendo que duas são _________. A primeira delas é ___________; a segunda, ______________. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas