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Texto: SOCIEDADE E HISTÓRIA
O filósofo político norte-americano M. Sandel sempre traz para a pauta debates sobre a importância do diálogo e da contraposição de argumentos para buscarmos compreensões mais sistêmicas da realidade. Um de seus principais livros, A tirania do mérito, foi o ponto de partida para mais um desses debates, que ele conduziu em agosto para o projeto cultural Fronteiras do Pensamento.
Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
GUSTAVO BORBA Adaptado de fronteiras.com, agosto/2023.
Com base na frase abaixo, responda à questão seguinte.
Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Considerando a sequência de ideias apresentadas no 6° parágrafo, pode-se considerar que o objetivo da frase citada é:
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Texto: SOCIEDADE E HISTÓRIA
O filósofo político norte-americano M. Sandel sempre traz para a pauta debates sobre a importância do diálogo e da contraposição de argumentos para buscarmos compreensões mais sistêmicas da realidade. Um de seus principais livros, A tirania do mérito, foi o ponto de partida para mais um desses debates, que ele conduziu em agosto para o projeto cultural Fronteiras do Pensamento.
Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
GUSTAVO BORBA Adaptado de fronteiras.com, agosto/2023.
Com base na frase abaixo, responda à questão seguinte.
Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
As palavras "fluxo" e "pontual" retomam duas palavras já empregadas no 6° parágrafo.
Essas palavras são, respectivamente:
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O filósofo político norte-americano M. Sandel sempre traz para a pauta debates sobre a importância do diálogo e da contraposição de argumentos para buscarmos compreensões mais sistêmicas da realidade. Um de seus principais livros, A tirania do mérito, foi o ponto de partida para mais um desses debates, que ele conduziu em agosto para o projeto cultural Fronteiras do Pensamento.
Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
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Com base na frase abaixo, responda à questão seguinte.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições
O radical -cracia, que forma a palavra "meritocracia", indica ideia de:
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Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
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Com base na frase abaixo, responda à questão seguinte.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições
A expressão sublinhada possui o mesmo valor da seguinte conjunção:
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O filósofo político norte-americano M. Sandel sempre traz para a pauta debates sobre a importância do diálogo e da contraposição de argumentos para buscarmos compreensões mais sistêmicas da realidade. Um de seus principais livros, A tirania do mérito, foi o ponto de partida para mais um desses debates, que ele conduziu em agosto para o projeto cultural Fronteiras do Pensamento.
Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
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Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo".
Nessa frase, para a exposição de uma ideia, emprega-se a seguinte figura de linguagem:
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O filósofo político norte-americano M. Sandel sempre traz para a pauta debates sobre a importância do diálogo e da contraposição de argumentos para buscarmos compreensões mais sistêmicas da realidade. Um de seus principais livros, A tirania do mérito, foi o ponto de partida para mais um desses debates, que ele conduziu em agosto para o projeto cultural Fronteiras do Pensamento.
Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
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Ao longo do texto, o autor usa marcas de linguagem que mostram sua aproximação com o leitor.
Uma dessas marcas está presente no seguinte fragmento:
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Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
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Para organizar sua exposição, o autor faz uso de argumentos que se baseiam principalmente em:
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Sandel construiu uma narrativa em termos históricos, voltando para o período de governo de Ronald Reagan, nos E.U.A., e Margaret Thatcher, no Reino Unido, durante a década de 1980, momento geralmente identificado como um ponto de mudança no modelo de política e de economia vigente. Dois dos autores de educação que mais gosto de ler, D. Shirley e A. Hargreaves, definem quatro momentos históricos na educação, e um deles tem foco em padrões de resultado, cortes em serviços sociais e priorização da ideia de responsabilidade individual e empreendedorismo, justamente no período Reagan e Thatcher.
A perspectiva de foco no indivíduo, que tem sido reforçada desde então, impõe socialmente uma ideia de mérito (ou não) dependendo do "esforço" do indivíduo. Y. Strickler, um dos fundadores do Kickstarter, maior site de financiamento coletivo do mundo que busca apoiar projetos inovadores, apresenta dados de pesquisas da sociedade estadunidense que nos ajudam a entender esse processo: entre 1948 e 1973, o aumento do valor pago pela hora de trabalho foi de 91%; nos 44 anos subsequentes, até 2017, o aumento foi de 9,2%. Uma das consequências desse processo é o endividamento das famílias. Em relação a estudantes ingressantes na faculdade, até o início da década de 1970, as pessoas diziam que buscavam uma formação superior para desenvolver uma vida com significado. Esse processo foi mudando, e mais recentemente, em primeiro lugar, está a busca por retorno financeiro. Esses dados confirmam a perspectiva atual de uma corrida para ser o melhor, para alcançar o "topo", e esse topo está atrelado ao resultado financeiro e põe ênfase sobre a meritocracia.
Sandel, porém, desconstrói a ideia de que a meritocracia é um caminho adequado, mesmo que todos estejam no início da corrida com as mesmas condições - melhor treinamento, equipamentos, conhecimento. Existem fatores que promovem a desigualdade sempre, como a aptidão para algo e o interesse da sociedade em determinadas atividades, dependendo do período histórico - por exemplo, o interesse mundial por futebol masculino.
O interesse aqui não é saber se o argumento é ou não correto, se concordamos ou discordamos com determinada perspectiva, mas sim ouvir o diferente e ampliar a construção do nosso discernimento. Ninguém muda, ou melhora sua visão de mundo, ouvindo a mesma coisa. Precisamos ouvir os outros e abrir espaço para a mudança em nossa perspectiva. A palestra e o espaço de perguntas avançaram nesse caminho: como construir uma sociedade que valorize todos, onde todo mundo que executa determinado trabalho tem reconhecimento e direito à vida e remuneração digna.
Outra questão recorrente em suas palestras também apareceu: o impacto das redes e espaços digitais em nossa construção social. Resgato aqui uma entrevista que ouvi com o teórico de mídia D. Rushkoff. Para esse autor, antes, na tecnologia analógica, nosso ambiente envolvia histórias processuais, com um caminho do início ao final. Com a mudança do analógico para o digital, passamos a viver em pulsos. A noção de tempo muda, e agora temos piscadelas espalhadas em um espaço circunscrito - nossa bolha. Se o fluxo dá lugar ao pontual, talvez a reflexão dê lugar à velocidade.
Temos um grande desafio pela frente. É preciso aprender de novo a conviver como sociedade, a conversar como coletivo. E como diz Rushkoff, precisamos "reocupar a realidade".
GUSTAVO BORBA Adaptado de fronteiras.com, agosto/2023.
O autor faz uma exposição a partir de ideias do filosofo M. Sandel, mas, em um paragrafo, ele apresenta um posicionamento diante do que expõe.
Trata-se do seguinte parágrafo:
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São estáveis, após três anos de efetivo exercício, os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concursos publico. No entanto, poderá perder seu cargo na seguinte circunstância:
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Tendo por base o modelo social e de direitos da pessoa com deficiência, entendemos a deficiência como uma condição, não uma "limitação" da pessoa em si. A deficiência surge da interação entre a condição, temporária ou permanente, especifica da pessoa e o meio e as outras pessoas - dessa interação surgem barreiras. A superação dessas barreiras é estudada em uma aréa do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação, de pessoas com deficiências, incapacidades ou modalidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. Essa área do conhecimento denomina-se:
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