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Certo predador, voando a uma velocidade de 995 metros por minuto, persegue
sua presa que tem sobre ele 245 m de avanço e está voando a 960 metros por
minuto. Ao findar 6 minutos de perseguição ininterrupta, um caçador abate o
predador com um tiro certeiro. O tempo que faltava para o predador alcançar a
sua presa era
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A produção mensal de uma indústria cresceu em Progressão Aritmética no primeiro semestre do ano 2013 sendo que, em janeiro, foram produzidas 1.500
unidades. Se no mês de fevereiro a produção registrou o dobro da produção de
janeiro, então é CORRETO afirmar que a quantidade de unidades produzidas
relativa ao mês de junho desse ano e nessa indústria é igual a:
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O preço de uma mercadoria à vista é R$ 680,00. Caso a venda seja parcelada
em três prestações mensais iguais, o preço à vista sofre um acréscimo de 5%.
Nessas condições, é CORRETO afirmar que o valor de cada prestação, em reais, nesse parcelamento, é igual a:
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Os gastos de consumo de uma família são dados pela expressão
C (r) = 2000 + 0,8 r
em que r representa a renda familiar e C representa o consumo mensal em reais.
Nessas condições, é CORRETO afirmar que:
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Três pacientes A,B e C usam, em conjunto, 1830 mg por mês de um determinado
medicamento que é produzido em cápsulas. O paciente A usa cápsulas de 5 mg,
o paciente B usa cápsulas de 10 mg e o paciente C ingere cápsulas de 12 mg. O
paciente A toma a metade do número de cápsulas de B e os três tomam juntos
180 cápsulas por mês. Nessas condições, é CORRETO afirmar que o número de
cápsulas que o paciente C toma mensalmente é igual a:
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UM PAÍS SE FAZ COM SAPATOS E LIVROS
Leo Cunha
Outro dia, numa palestra, eu escutei uma frase genial do Pedro Bandeira,
aquele escritor que você deve estar cansado de conhecer. [...]
Pois bem: o Pedro estava num colégio carérrimo e chiquérrimo de São
Paulo quando uma madame veio reclamar do preço dos livros. Nosso caro escritor
- carérrimo, segundo a madame - olhou pros filhos dela e viu que os dois estavam
de tênis importado.
Então o Pedro – que, apesar do nome, não costuma dar bandeira – virou
pra ela e soltou a seguinte frase: “Ô, minha senhora, não é o livro que é caro. É a
senhora que prefere investir no pé do que na cabeça dos seus filhos”.
O auditório aplaudiu de pé aquela história. Palmas, gritos, gargalhadas.
Eu, disfarçadamente, olhei pra baixo pra ver se não estava calçando meu bom e
velho Nike branco. Não tenho a menor intenção de fazer propaganda pra ninguém,
pelo contrário: não perco uma chance de comentar aquelas acusações
que a Nike vive recebendo, de explorar o trabalho infantil na Ásia. Mas não posso negar que me bateu um sentimento de culpa ao escutar aquela frase. Felizmente
eu estava calçando um discretíssimo mocassim preto, então pude aplaudir com
mais entusiasmo a tirada do Pedro.
Tirada, aliás, que me fez lembrar um caso divertido da minha infância.
Foi no início da década de 80, eu e minha irmã estávamos entrando na adolescência
e estudávamos num grande colégio de BH.
Um dia, estávamos em casa quando a mãe de um colega da minha irmã
bateu a campainha. Abrimos a janela e vimos a tal senhora debruçada sobre o
portão, em lágrimas. Pronto, morreu alguém!, pensamos logo.
Mas não. A coitada começou a explicar, aos soluços: “Eu não estou dando
conta dos meus serviçais, eles não param de brigar!”. Juro, foi assim que ela
falou: “meus serviçais”. Se eu me lembro bem, a casa dessa senhora era imensa
e ocupava quase um quarteirão. Para manter o castelo em ordem, ela precisava
de pelo menos uns oito “serviçais”. Era aí que o negócio complicava, pois controlar
tanta gente se mostrava uma tarefa árdua, que exigia muito preparo e psicologia.
Ficamos muito consternados com a pobrezinha, ela agradeceu o apoio
moral, mas completou que esse não era o motivo da visita. O que era então? E
foi aí que veio a bomba. O colégio tinha mandado os meninos lerem um livro
assim assim (esqueci o título) e ela queria saber se minha irmã já tinha terminado,
pra poder emprestar pro filho dela!
Minha mãe ficou congelada, não sabia se tinha ouvido direito. Então quer
dizer que a madame podia contratar oito serviçais pra se engalfinharem e não
podia comprar um livro, um mísero livro, coitadinho, que nunca brigou com ninguém?
Minha mãe era livreira, professora, escrevia resenhas para a imprensa e
tinha uma biblioteca imensa, inclusive com alguns livros repetidos. Deve ser por
isso que, se não me falha a memória, nós não apenas emprestamos, como demos
o livro para a mulher.
A frase do Pedro Bandeira completa perfeitamente o caso, e vice-versa.
Ninguém está negando que o livro, ou alguns livros, poderiam ser mais baratos,
mas de que adianta baixar o preço do produto se nós não dermos valor a ele, se
ele não for importante em nossas vidas? Se a gente prefere entrar numa sapataria
e investir no pé de nossos filhos. Se a gente entra num McDonald’s da vida e
pede pelo número, pede pelo número deixando as letras para depois, ou para
nunca.
Disponível em: http://dicasdeleitores.blogspot.com.br/2012/09/um-pais-se-fazcom-sapatos-e-livros.html
Acesso em 28 mar. 2016 (Adaptado)
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UM PAÍS SE FAZ COM SAPATOS E LIVROS
Leo Cunha
Outro dia, numa palestra, eu escutei uma frase genial do Pedro Bandeira,
aquele escritor que você deve estar cansado de conhecer. [...]
Pois bem: o Pedro estava num colégio carérrimo e chiquérrimo de São
Paulo quando uma madame veio reclamar do preço dos livros. Nosso caro escritor
- carérrimo, segundo a madame - olhou pros filhos dela e viu que os dois estavam
de tênis importado.
Então o Pedro – que, apesar do nome, não costuma dar bandeira – virou
pra ela e soltou a seguinte frase: “Ô, minha senhora, não é o livro que é caro. É a
senhora que prefere investir no pé do que na cabeça dos seus filhos”.
O auditório aplaudiu de pé aquela história. Palmas, gritos, gargalhadas.
Eu, disfarçadamente, olhei pra baixo pra ver se não estava calçando meu bom e
velho Nike branco. Não tenho a menor intenção de fazer propaganda pra ninguém,
pelo contrário: não perco uma chance de comentar aquelas acusações
que a Nike vive recebendo, de explorar o trabalho infantil na Ásia. Mas não posso negar que me bateu um sentimento de culpa ao escutar aquela frase. Felizmente
eu estava calçando um discretíssimo mocassim preto, então pude aplaudir com
mais entusiasmo a tirada do Pedro.
Tirada, aliás, que me fez lembrar um caso divertido da minha infância.
Foi no início da década de 80, eu e minha irmã estávamos entrando na adolescência
e estudávamos num grande colégio de BH.
Um dia, estávamos em casa quando a mãe de um colega da minha irmã
bateu a campainha. Abrimos a janela e vimos a tal senhora debruçada sobre o
portão, em lágrimas. Pronto, morreu alguém!, pensamos logo.
Mas não. A coitada começou a explicar, aos soluços: “Eu não estou dando
conta dos meus serviçais, eles não param de brigar!”. Juro, foi assim que ela
falou: “meus serviçais”. Se eu me lembro bem, a casa dessa senhora era imensa
e ocupava quase um quarteirão. Para manter o castelo em ordem, ela precisava
de pelo menos uns oito “serviçais”. Era aí que o negócio complicava, pois controlar
tanta gente se mostrava uma tarefa árdua, que exigia muito preparo e psicologia.
Ficamos muito consternados com a pobrezinha, ela agradeceu o apoio
moral, mas completou que esse não era o motivo da visita. O que era então? E
foi aí que veio a bomba. O colégio tinha mandado os meninos lerem um livro
assim assim (esqueci o título) e ela queria saber se minha irmã já tinha terminado,
pra poder emprestar pro filho dela!
Minha mãe ficou congelada, não sabia se tinha ouvido direito. Então quer
dizer que a madame podia contratar oito serviçais pra se engalfinharem e não
podia comprar um livro, um mísero livro, coitadinho, que nunca brigou com ninguém?
Minha mãe era livreira, professora, escrevia resenhas para a imprensa e
tinha uma biblioteca imensa, inclusive com alguns livros repetidos. Deve ser por
isso que, se não me falha a memória, nós não apenas emprestamos, como demos
o livro para a mulher.
A frase do Pedro Bandeira completa perfeitamente o caso, e vice-versa.
Ninguém está negando que o livro, ou alguns livros, poderiam ser mais baratos,
mas de que adianta baixar o preço do produto se nós não dermos valor a ele, se
ele não for importante em nossas vidas? Se a gente prefere entrar numa sapataria
e investir no pé de nossos filhos. Se a gente entra num McDonald’s da vida e
pede pelo número, pede pelo número deixando as letras para depois, ou para
nunca.
Disponível em: http://dicasdeleitores.blogspot.com.br/2012/09/um-pais-se-fazcom-sapatos-e-livros.html
Acesso em 28 mar. 2016 (Adaptado)
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UM PAÍS SE FAZ COM SAPATOS E LIVROS
Leo Cunha
Outro dia, numa palestra, eu escutei uma frase genial do Pedro Bandeira,
aquele escritor que você deve estar cansado de conhecer. [...]
Pois bem: o Pedro estava num colégio carérrimo e chiquérrimo de São
Paulo quando uma madame veio reclamar do preço dos livros. Nosso caro escritor
- carérrimo, segundo a madame - olhou pros filhos dela e viu que os dois estavam
de tênis importado.
Então o Pedro – que, apesar do nome, não costuma dar bandeira – virou
pra ela e soltou a seguinte frase: “Ô, minha senhora, não é o livro que é caro. É a
senhora que prefere investir no pé do que na cabeça dos seus filhos”.
O auditório aplaudiu de pé aquela história. Palmas, gritos, gargalhadas.
Eu, disfarçadamente, olhei pra baixo pra ver se não estava calçando meu bom e
velho Nike branco. Não tenho a menor intenção de fazer propaganda pra ninguém,
pelo contrário: não perco uma chance de comentar aquelas acusações
que a Nike vive recebendo, de explorar o trabalho infantil na Ásia. Mas não posso negar que me bateu um sentimento de culpa ao escutar aquela frase. Felizmente
eu estava calçando um discretíssimo mocassim preto, então pude aplaudir com
mais entusiasmo a tirada do Pedro.
Tirada, aliás, que me fez lembrar um caso divertido da minha infância.
Foi no início da década de 80, eu e minha irmã estávamos entrando na adolescência
e estudávamos num grande colégio de BH.
Um dia, estávamos em casa quando a mãe de um colega da minha irmã
bateu a campainha. Abrimos a janela e vimos a tal senhora debruçada sobre o
portão, em lágrimas. Pronto, morreu alguém!, pensamos logo.
Mas não. A coitada começou a explicar, aos soluços: “Eu não estou dando
conta dos meus serviçais, eles não param de brigar!”. Juro, foi assim que ela
falou: “meus serviçais”. Se eu me lembro bem, a casa dessa senhora era imensa
e ocupava quase um quarteirão. Para manter o castelo em ordem, ela precisava
de pelo menos uns oito “serviçais”. Era aí que o negócio complicava, pois controlar
tanta gente se mostrava uma tarefa árdua, que exigia muito preparo e psicologia.
Ficamos muito consternados com a pobrezinha, ela agradeceu o apoio
moral, mas completou que esse não era o motivo da visita. O que era então? E
foi aí que veio a bomba. O colégio tinha mandado os meninos lerem um livro
assim assim (esqueci o título) e ela queria saber se minha irmã já tinha terminado,
pra poder emprestar pro filho dela!
Minha mãe ficou congelada, não sabia se tinha ouvido direito. Então quer
dizer que a madame podia contratar oito serviçais pra se engalfinharem e não
podia comprar um livro, um mísero livro, coitadinho, que nunca brigou com ninguém?
Minha mãe era livreira, professora, escrevia resenhas para a imprensa e
tinha uma biblioteca imensa, inclusive com alguns livros repetidos. Deve ser por
isso que, se não me falha a memória, nós não apenas emprestamos, como demos
o livro para a mulher.
A frase do Pedro Bandeira completa perfeitamente o caso, e vice-versa.
Ninguém está negando que o livro, ou alguns livros, poderiam ser mais baratos,
mas de que adianta baixar o preço do produto se nós não dermos valor a ele, se
ele não for importante em nossas vidas? Se a gente prefere entrar numa sapataria
e investir no pé de nossos filhos. Se a gente entra num McDonald’s da vida e
pede pelo número, pede pelo número deixando as letras para depois, ou para
nunca.
Disponível em: http://dicasdeleitores.blogspot.com.br/2012/09/um-pais-se-fazcom-sapatos-e-livros.html
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UM PAÍS SE FAZ COM SAPATOS E LIVROS
Leo Cunha
Outro dia, numa palestra, eu escutei uma frase genial do Pedro Bandeira,
aquele escritor que você deve estar cansado de conhecer. [...]
Pois bem: o Pedro estava num colégio carérrimo e chiquérrimo de São
Paulo quando uma madame veio reclamar do preço dos livros. Nosso caro escritor
- carérrimo, segundo a madame - olhou pros filhos dela e viu que os dois estavam
de tênis importado.
Então o Pedro – que, apesar do nome, não costuma dar bandeira – virou
pra ela e soltou a seguinte frase: “Ô, minha senhora, não é o livro que é caro. É a
senhora que prefere investir no pé do que na cabeça dos seus filhos”.
O auditório aplaudiu de pé aquela história. Palmas, gritos, gargalhadas.
Eu, disfarçadamente, olhei pra baixo pra ver se não estava calçando meu bom e
velho Nike branco. Não tenho a menor intenção de fazer propaganda pra ninguém,
pelo contrário: não perco uma chance de comentar aquelas acusações
que a Nike vive recebendo, de explorar o trabalho infantil na Ásia. Mas não posso negar que me bateu um sentimento de culpa ao escutar aquela frase. Felizmente
eu estava calçando um discretíssimo mocassim preto, então pude aplaudir com
mais entusiasmo a tirada do Pedro.
Tirada, aliás, que me fez lembrar um caso divertido da minha infância.
Foi no início da década de 80, eu e minha irmã estávamos entrando na adolescência
e estudávamos num grande colégio de BH.
Um dia, estávamos em casa quando a mãe de um colega da minha irmã
bateu a campainha. Abrimos a janela e vimos a tal senhora debruçada sobre o
portão, em lágrimas. Pronto, morreu alguém!, pensamos logo.
Mas não. A coitada começou a explicar, aos soluços: “Eu não estou dando
conta dos meus serviçais, eles não param de brigar!”. Juro, foi assim que ela
falou: “meus serviçais”. Se eu me lembro bem, a casa dessa senhora era imensa
e ocupava quase um quarteirão. Para manter o castelo em ordem, ela precisava
de pelo menos uns oito “serviçais”. Era aí que o negócio complicava, pois controlar
tanta gente se mostrava uma tarefa árdua, que exigia muito preparo e psicologia.
Ficamos muito consternados com a pobrezinha, ela agradeceu o apoio
moral, mas completou que esse não era o motivo da visita. O que era então? E
foi aí que veio a bomba. O colégio tinha mandado os meninos lerem um livro
assim assim (esqueci o título) e ela queria saber se minha irmã já tinha terminado,
pra poder emprestar pro filho dela!
Minha mãe ficou congelada, não sabia se tinha ouvido direito. Então quer
dizer que a madame podia contratar oito serviçais pra se engalfinharem e não
podia comprar um livro, um mísero livro, coitadinho, que nunca brigou com ninguém?
Minha mãe era livreira, professora, escrevia resenhas para a imprensa e
tinha uma biblioteca imensa, inclusive com alguns livros repetidos. Deve ser por
isso que, se não me falha a memória, nós não apenas emprestamos, como demos
o livro para a mulher.
A frase do Pedro Bandeira completa perfeitamente o caso, e vice-versa.
Ninguém está negando que o livro, ou alguns livros, poderiam ser mais baratos,
mas de que adianta baixar o preço do produto se nós não dermos valor a ele, se
ele não for importante em nossas vidas? Se a gente prefere entrar numa sapataria
e investir no pé de nossos filhos. Se a gente entra num McDonald’s da vida e
pede pelo número, pede pelo número deixando as letras para depois, ou para
nunca.
Disponível em: http://dicasdeleitores.blogspot.com.br/2012/09/um-pais-se-fazcom-sapatos-e-livros.html
Acesso em 28 mar. 2016 (Adaptado)
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UM PAÍS SE FAZ COM SAPATOS E LIVROS
Leo Cunha
Outro dia, numa palestra, eu escutei uma frase genial do Pedro Bandeira,
aquele escritor que você deve estar cansado de conhecer. [...]
Pois bem: o Pedro estava num colégio carérrimo e chiquérrimo de São
Paulo quando uma madame veio reclamar do preço dos livros. Nosso caro escritor
- carérrimo, segundo a madame - olhou pros filhos dela e viu que os dois estavam
de tênis importado.
Então o Pedro – que, apesar do nome, não costuma dar bandeira – virou
pra ela e soltou a seguinte frase: “Ô, minha senhora, não é o livro que é caro. É a
senhora que prefere investir no pé do que na cabeça dos seus filhos”.
O auditório aplaudiu de pé aquela história. Palmas, gritos, gargalhadas.
Eu, disfarçadamente, olhei pra baixo pra ver se não estava calçando meu bom e
velho Nike branco. Não tenho a menor intenção de fazer propaganda pra ninguém,
pelo contrário: não perco uma chance de comentar aquelas acusações
que a Nike vive recebendo, de explorar o trabalho infantil na Ásia. Mas não posso negar que me bateu um sentimento de culpa ao escutar aquela frase. Felizmente
eu estava calçando um discretíssimo mocassim preto, então pude aplaudir com
mais entusiasmo a tirada do Pedro.
Tirada, aliás, que me fez lembrar um caso divertido da minha infância.
Foi no início da década de 80, eu e minha irmã estávamos entrando na adolescência
e estudávamos num grande colégio de BH.
Um dia, estávamos em casa quando a mãe de um colega da minha irmã
bateu a campainha. Abrimos a janela e vimos a tal senhora debruçada sobre o
portão, em lágrimas. Pronto, morreu alguém!, pensamos logo.
Mas não. A coitada começou a explicar, aos soluços: “Eu não estou dando
conta dos meus serviçais, eles não param de brigar!”. Juro, foi assim que ela
falou: “meus serviçais”. Se eu me lembro bem, a casa dessa senhora era imensa
e ocupava quase um quarteirão. Para manter o castelo em ordem, ela precisava
de pelo menos uns oito “serviçais”. Era aí que o negócio complicava, pois controlar
tanta gente se mostrava uma tarefa árdua, que exigia muito preparo e psicologia.
Ficamos muito consternados com a pobrezinha, ela agradeceu o apoio
moral, mas completou que esse não era o motivo da visita. O que era então? E
foi aí que veio a bomba. O colégio tinha mandado os meninos lerem um livro
assim assim (esqueci o título) e ela queria saber se minha irmã já tinha terminado,
pra poder emprestar pro filho dela!
Minha mãe ficou congelada, não sabia se tinha ouvido direito. Então quer
dizer que a madame podia contratar oito serviçais pra se engalfinharem e não
podia comprar um livro, um mísero livro, coitadinho, que nunca brigou com ninguém?
Minha mãe era livreira, professora, escrevia resenhas para a imprensa e
tinha uma biblioteca imensa, inclusive com alguns livros repetidos. Deve ser por
isso que, se não me falha a memória, nós não apenas emprestamos, como demos
o livro para a mulher.
A frase do Pedro Bandeira completa perfeitamente o caso, e vice-versa.
Ninguém está negando que o livro, ou alguns livros, poderiam ser mais baratos,
mas de que adianta baixar o preço do produto se nós não dermos valor a ele, se
ele não for importante em nossas vidas? Se a gente prefere entrar numa sapataria
e investir no pé de nossos filhos. Se a gente entra num McDonald’s da vida e
pede pelo número, pede pelo número deixando as letras para depois, ou para
nunca.
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