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A memória, a identidade e a cultura são conceitos fundamentais para compreender como grupos sociais constroem interpretações sobre o passado e articulam essas narrativas com o presente. Ao mesmo tempo, o ensino de História contemporâneo passou a reconhecer diferentes perspectivas, questionando versões únicas ou oficiais do passado e considerando a diversidade das experiências humanas.
Com base nesses princípios e nos seus conhecimentos prévios, leia as afirmativas abaixo, sinalizando (V) para verdadeira e (F) para falsa. Em seguida, marque a alternativa correspondente:
( ) A memória cultural de uma sociedade é sempre homogênea e consensual, pois todos os grupos compartilham exatamente as mesmas experiências históricas e interpretações do passado.
( ) As identidades culturais são dinâmicas e podem se transformar ao longo do tempo, refletindo processos históricos, intercâmbios culturais e mudanças estruturais no modo de vida de um grupo.
( ) O ensino de História tem como prioridade preservar apenas as narrativas oficiais consolidadas ao longo do tempo, mesmo que isso implique ignorar vozes marginalizadas ou silenciadas historicamente.
( ) A memória coletiva é relacionada à construção identitária e pode ser seletiva, destacando certas lembranças enquanto outras são esquecidas ou omitidas.
( ) As políticas de memória podem envolver disputas sociais, pois diferentes grupos podem reivindicar reconhecimento histórico de suas experiências e traumas.
( ) A cultura e a memória não possuem relação direta com a formação da identidade coletiva, estando restritas apenas ao campo das manifestações artísticas e folclóricas.
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A Constituição Federal e a legislação arquivística brasileira reconhecem que documentos públicos de valor permanente constituem parte do patrimônio cultural do país. Esses registros possuem relevância histórica, administrativa, jurídica e social, sendo essenciais para a preservação da memória institucional e coletiva. Por isso, normas arquivísticas orientam que tais documentos recebam tratamento adequado, incluindo condições específicas de armazenamento, preservação e acesso.
Considerando essas orientações legais, marque a alternativa correta:
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Entre os séculos XVII e XVIII, a Europa passou por transformações intelectuais profundas que modificaram a relação entre conhecimento, sociedade e poder. A Revolução Científica introduziu novos métodos de investigação baseados na observação, na experimentação e no raciocínio matemático, rompendo com explicações tradicionais sustentadas pela autoridade religiosa. Posteriormente, o Iluminismo retomou e ampliou esses princípios, propondo que o uso da razão poderia não apenas explicar os fenômenos naturais, mas também orientar a organização política e social.
Com base nesses processos históricos, marque a alternativa que expressa corretamente a relação entre Revolução Científica e Iluminismo:
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A arqueóloga brasileira Niède Guidon (1933–2025) foi responsável, no Brasil, por questionar e transformar a teoria tradicional do povoamento do continente americano, propondo que esse processo ocorreu muito antes do modelo do Estreito de Bering. Sua contribuição para a ciência arqueológica foi fundamental para modificar a forma como pesquisas arqueológicas, genéticas e geológicas compreendem a presença humana ao longo do processo histórico. Guidon ampliou o debate sobre a ocupação das Américas, desafiando modelos interpretativos lineares e abrindo espaço para múltiplas hipóteses migratórias. Com isso, enquanto algumas teorias sugerem rotas terrestres, outras apontam possibilidades marítimas, e novas descobertas arqueológicas têm reposicionado cronologias consideradas consolidadas no século XX.

Figura 1. Pintura rupestre na Serra da Capivara. Registro da presença pré-histórica no Brasil. Arquivo Pessoal.
Com base nesse debate científico, leia as afirmativas abaixo, sinalizando (V) para verdadeira e (F) para falsa. Em seguida, marque a alternativa correspondente:
( ) A expansão das geleiras durante a última Era Glacial alterou significativamente o nível dos oceanos, permitindo o surgimento de passagens terrestres, como a Beríngia, que pode ter facilitado o deslocamento de grupos humanos da Ásia para o continente americano.
( ) As pesquisas científicas realizadas ao longo das últimas décadas consolidaram um consenso definitivo entre arqueólogos e historiadores, de modo que não existem divergências relevantes quanto às rotas e ao período de chegada dos primeiros humanos às Américas.
( ) Ao fixarem-se no continente americano, os primeiros grupos humanos desenvolveram imediatamente práticas agrícolas estruturadas, centradas em cultivos complexos como a cana-de-açúcar e o café, o que garantiu estabilidade alimentar desde as primeiras ocupações.
( ) Estudos recentes sugerem que diferentes regiões do continente americano podem ter sido ocupadas em momentos distintos, indicando um processo migratório mais complexo do que a hipótese tradicional baseada exclusivamente na travessia pelo Estreito de Bering.
( ) Evidências arqueológicas demonstram que a subsistência inicial dos primeiros habitantes das Américas estava baseada em atividades como a caça de grandes animais, coleta e pesca, muito antes do desenvolvimento de qualquer forma de agricultura sistemática.
Marque a alternativa correspondente à sequência correta assinalada acima:
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O desenvolvimento da historiografia ao longo do século XX ampliou os campos temáticos e metodológicos da pesquisa histórica. A partir da renovação promovida por movimentos como a Escola dos Annales, surgiram novas áreas de investigação que dialogam com outras ciências, exploram temas antes considerados secundários e problematizam os limites entre fontes, narrativas e objetos de estudo. Nesse contexto, a diversidade historiográfica contemporânea evidencia múltiplas especializações, interações disciplinares e abordagens culturais, sociais e materiais do passado. Considerando esse cenário e o enunciado, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, marque a alternativa correta:
I. A História das Mentalidades, a História do Imaginário e a História Antropológica são vertentes que, ao longo do século XX, se desenvolveram a partir e para além da História Cultural.
II. Algumas abordagens historiográficas surgem do diálogo com outros campos disciplinares, como no caso da Geohistória, resultante da interface entre História e Geografia.
III. A historiografia contemporânea mantém o foco predominante nas fontes oficiais e narrativas tradicionais, pois busca compreender o passado sem ampliar o repertório de testemunhos ou perspectivas sociais.
IV. A História da Cultura Material originou-se parcialmente da História Econômica voltada ao consumo, conectando-se mais tarde aos interesses da História Cultural e às discussões sobre vida cotidiana.
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Durante muito tempo, os estudos sobre a Pré-História foram guiados por modelos interpretativos que buscavam explicar a trajetória humana como uma evolução linear e universal, baseada em etapas fixas como caça, agricultura e domesticação de animais. No entanto, pesquisas arqueológicas recentes, aliadas a áreas como genética, antropologia e paleoclimatologia, têm demonstrado que os processos culturais e tecnológicos foram diversos, complexos e nem sempre ocorreram da mesma forma em diferentes regiões do planeta.
Considerando essas novas abordagens interpretativas, qual afirmação expressa uma perspectiva contemporânea sobre a compreensão das culturas pré-históricas?
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Nas últimas décadas, novas abordagens historiográficas renovaram os modos de produzir conhecimento histórico, questionando modelos explicativos amplos e privilegiando perspectivas mais sensíveis às experiências individuais, às subjetividades e às narrativas fragmentadas. No texto apresentado, Carlo Ginzburg é citado como um dos principais responsáveis pela formulação de um paradigma interpretativo baseado na análise de vestígios, sinais e indícios, aproximando o trabalho do historiador do método investigativo.
Essa metodologia, que se consolidou especialmente na Itália a partir da década de 1970 e influenciou fortemente a produção historiográfica no Brasil e na América Latina, ficou conhecida como:
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No dia 20 de julho de 2019, a jornalista Thatiany Nascimento publicou, no portal G1, a matéria intitulada
Em 22 de setembro de 2025, cinco anos depois, o jornalista Mateus Mota publicou, no jornal O Povo, a reportagem especial A história apagada das secas e da urbanização de Fortaleza, na qual apresentou um apanhado histórico referente ao período entre 1915 e 1932, quando o Estado do Ceará instalou campos de concentração para afastar milhares de sertanejos afetados pela seca, os confinando em locais como Senador Pompeu, Fortaleza, Crato, Ipu, Quixeramobim e Cariús. Destaca-se, nessa última reportagem, a impactante afirmação sobre condicionamentos, subordinação e autoritarismo no processo de urbanização da capital cearense: “Entre secas, migrações e campos de concentração, Fortaleza foi construída e habitada por uma multidão de migrantes, que vieram ao litoral fugindo dos efeitos devastadores da estiagem. Hoje, a memória se distanciou desses retirantes, mas o legado histórico deles continua vivo nas paredes que ajudaram a levantar e nas comunidades que surgiram com seus descendentes.” Disponível em: https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/campos-de-concentracao-ceara/2025/09/22/a-historia-apagada-das-secas-e-da-urbanizacao-de-fortaleza.html. Acesso em 10 nov. 2025.
Em 2019, as ruínas desses campos foram tombadas como patrimônio histórico-cultural municipal, o que motivou discussões sobre apagamento de memórias, construção identitária e o papel da escola no reconhecimento dessas práticas autoritárias. As condições nos campos eram precárias, marcadas por escassez alimentar, falta de infraestrutura e alta incidência de doenças.

Figura 3. Campo de concentração tombado patrimônio histórico-cultural em Senador Pompeu. Fotografia. Camila Lima/ SVM
Considerando o contexto da história regional, do ensino de História e da preservação da memória social e do patrimônio histórico material, marque a alternativa CORRETA.
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“São os homens que fazem a história; mas, evidentemente, dentro das condições reais que encontramos já estabelecidas, e não dentro das condições ideais que sonhamos. Eis aí a razão de ser, a justificativa da história, em seu segundo sentido: o conhecimento histórico serve para nos fazer entender, junto com outras formas de conhecimento, as condições de nossa realidade, tendo em vista o delineamento de nossa atuação na história” (Borges, Vavy Pacheco. O que é História? São Paulo: Brasiliense, 1993, p. 48).
Com base nas reflexões apresentadas pela citação acima e nos seus conhecimentos históricos, leia as afirmativas e marque a alternativa correspondente:
I. A história, enquanto discurso, procura representar o real passado, mesmo sabendo que ele já não existe mais como experiência direta.
II. A ficção pode dialogar com o real, mas não assume compromisso com sua representação factual ou com validações documentais.
III. História e ficção operam como discursos equivalentes, sem distinções quanto aos seus objetivos e métodos.
IV. A escrita da história depende da interpretação dos vestígios documentais e das mediações culturais que moldam o olhar do historiador.
V. A história garante uma transparência total entre o acontecimento passado e sua narrativa, eliminando qualquer possibilidade de subjetividade.
VI. Tanto a história quanto a ficção lidam com linguagem e construção narrativa, mas diferem em relação aos seus critérios de prova, método e compromisso com evidências.
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