Homem de 38 anos procura Unidade de Pronto Atendimento
relatando queimadura em mão direita, durante um churrasco em
família. Relata não ter sentido que o espeto que tocara estava
quente. Após os cuidados com a queimadura, é encaminhado à
Unidade de Atenção Primária, onde é submetido à avaliação
dermatológica minuciosa que não encontrou lesões cutâneas,
nem espessamento de nervos periféricos, embora tenha sido
documentada alteração tátil na mão direita. As baciloscopias de
material obtido de lóbulos auriculares, sobrancelhas, cotovelos,
joelhos e mucosa nasal foram negativas (IB = 0,0). O paciente é,
então, referenciado para uma Unidade de Atenção Especializada
para avaliação.
De acordo com o fluxograma do Ministério da Saúde, o próximo
passo a ser realizado, além de repetir as avaliações dermatológica
e neurológica, é confirmar o diagnóstico de hanseníase neural
pura por meio de
Entre as situações descritas a seguir, que levam a suspeição de
hanseníase em indivíduos não contactantes de casos
comprovados, assinale aquela que, por si só, já define o paciente
como caso de hanseníase, de acordo com o Ministério da Saúde
do Brasil.
Adolescente de 17 anos, sexo masculino, procura atendimento
em UBS relatando o surgimento, há duas semanas, de “manchas
na pele e ínguas por todo o corpo”, acompanhadas de febre não
aferida e artralgias. Havia feito uso de diclofenaco para as
artralgias no início do quadro. Relata atividade sexual desde os
15 anos. Desde então, teve vários parceiros, sempre do mesmo
sexo, que contata através de aplicativo pela internet. Sempre usa
preservativos nas relações anais (insertivas e receptivas), mas
não nas relações orais. Ao exame: bom estado geral, PA: 110/70
mmHg, FC: 80 bpm, eupneico, temperatura axilar: 36,5 o
C.
Corado, hidratado, anictérico. Erupção máculo-papular
disseminada, simétrica, não poupando palmas e plantas, não
pruriginoso, nem doloroso, acompanhado de adenomegalia
generalizada, de até 2 cm de diâmetro, com linfonodos elásticos,
não aderidos, indolores, em cadeias occipitais, cervicais anterior
e posterior, epitrocleares e inguinais. Exame da genitália não
apresenta alterações significativas. Presença de alopecia em
clareira. Na UBS, é submetido a teste rápido treponêmico
positivo, e para HIV e hepatites negativos.
Nesse caso, o diagnóstico que se impõe para o adolescente é:
Cada uma das formas clínicas da hanseníase tem seu diagnóstico
diferencial próprio. Conhecendo tais diagnósticos diferenciais, as
equipes de saúde estarão aptas a reconhecer precocemente os
sinais e sintomas da doença, evitando, assim o diagnóstico tardio
e prevenindo incapacidades físicas e perdas funcionais, pela
pronta instituição do tratamento.
Assinale a opção em que a forma clínica da hanseníase está
correlacionada precisamente a um diagnóstico diferencial.
O diagnóstico diferencial das lesões cutâneas nas diversas formas
clínicas da hanseníase é imenso e o conhecimento das
semelhanças auxilia o profissional de saúde a pensar em
hanseníase e estabelecer mais prontamente a hipótese
diagnóstica.
Relacione o tipo de lesão com os diagnósticos diferenciais.
O reconhecimento das formas clínicas é de grande valor para as
equipes de saúde, pois auxilia na identificação dos sinais e
sintomas ligados a cada forma da hanseníase e na correlação dos
aspectos dermatológicos, neurológicos, imunológicos e
baciloscópicos, bem como dos seus mecanismos patogênicos
subjacentes.
Assinale a opção que indica as queixas e/ou achados de exame
físico que levantam a hipótese de reação hansênica do tipo 2.
Em relação à imunologia da hanseníase, pode-se afirmar que, em
linhas gerais, a fisiopatogenia da doença depende da ativação dos
macrófagos teciduais, que assumem dois fenótipos distintos,
classificados como M1, quando se apresentam como células
epitelioides predominantes nos granulomas do polo
tuberculoide, ou M2, quando se apresentam como células
vacuoladas prevalentes no polo virchowiano da doença. Embora
os mecanismos responsáveis por essa diferenciação celular não
estejam completamente elucidados, o papel da imunidade
adaptativa mediante as citocinas produzidas por linfócitos T
auxiliares (Th) tem papel fundamental no direcionamento da
resposta imune.
Em relação à fisiopatogenia da hanseníase, assinale a afirmativa
correta.
A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas
relacionados à Saúde (CID-10), quando se refere à hanseníase,
usa majoritariamente a classificação
Atenção! O Enunciado a seguir refere-se à próxima questão.
A Estratégia Global da OMS para a Hanseníase 2021–2030 não mais objetiva, como em estratégias anteriores, a “eliminação da hanseníase como problema de saúde pública”, definida como menos de um caso em tratamento por 10.000 habitantes, mas se concentra na interrupção da transmissão e na obtenção de zero casos autóctones. Ao fazer isso, a Estratégia visa motivar os países com alta carga a acelerar as atividades, ao mesmo tempo em que compele os países com baixa carga a completarem a tarefa inacabada de fazer história na hanseníase. Especificamente, a Estratégia promove abordagens inovadoras, convidando os países a desenvolverem “roteiros para zero hanseníase”.
Fonte: Estratégia Global de Hanseníase 2021–2030 – “Rumo à zero hanseníase”. OMS, 2021.
A visão da estratégia, de longo prazo passa a ser “Zero
hanseníase: zero infecção e doença, zero incapacidade, zero
estigma e discriminação” e a Meta, Eliminação da hanseníase
(definida como interrupção da transmissão/ausência de doença).
As metas globais da Estratégia da OMS para 2030 estão dispostas
na tabela a seguir.
Em relação à linha de base projetada para 2020, espera-se
alcançar, em 2030
Atenção! O Enunciado a seguir refere-se à próxima questão.
A Estratégia Global da OMS para a Hanseníase 2021–2030 não mais objetiva, como em estratégias anteriores, a “eliminação da hanseníase como problema de saúde pública”, definida como menos de um caso em tratamento por 10.000 habitantes, mas se concentra na interrupção da transmissão e na obtenção de zero casos autóctones. Ao fazer isso, a Estratégia visa motivar os países com alta carga a acelerar as atividades, ao mesmo tempo em que compele os países com baixa carga a completarem a tarefa inacabada de fazer história na hanseníase. Especificamente, a Estratégia promove abordagens inovadoras, convidando os países a desenvolverem “roteiros para zero hanseníase”.
Fonte: Estratégia Global de Hanseníase 2021–2030 – “Rumo à zero hanseníase”. OMS, 2021.
Os pilares estratégicos do “Rumo à zero hanseníase” são:
1. Implementar, em todos os países endêmicos, um roteiro zero
hanseníase do próprio país.
2. Ampliar as atividades de prevenção da hanseníase integradas
com a detecção ativa de casos.
3. Controlar a hanseníase e suas complicações e prevenir novas
incapacidades.
4. Combater o estigma e garantir que os direitos humanos
sejam respeitados.
São componentes-chave dos pilares 2 e 3, respectivamente,