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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Há na palavra tolerância algo de condescendente, se não(a) de desdenhoso, que incomoda. Lembrem-se do chiste do poeta francês Paul Claudel: "Tolerância? Há casas para isso!" Isso diz muito sobre Claudel e sobre a tolerância. Tolerar as opiniões do outro acaso já não é considerá-las inferiores ou(b) incorretas? À rigor, só podemos tolerar aquilo que teríamos o direito de impedir: se as opiniões são livres, como devem ser, não dependem, pois, da tolerância! Daí um(b) novo paradoxo da tolerância, que parece invalidar sua noção. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são de direito, não podem ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas, celebradas.
A palavra tolerante, no entanto, impôs-se, na linguagem corrente, para designar a virtude que se(c) opõe ao fanatismo, ao sectarismo, ao autoritarismo, em suma... à intolerância. Esse uso não me parece desprovido de razão: ele reflete, na própria virtude que a supera(d), a intolerância de cada um. Em verdade, só se pode tolerar o que se teria o direito de impedir, de condenar, de proibir. Mas esse direito que nós não temos quase sempre temos a sensação de tê-lo. Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se(c) temos razão, como os outros(a) não estariam errados? E como a verdade poderia aceitar – a não ser por tolerância – a existência ou a continuidade do erro? O dogmatismo sempre(e) renasce, ele nada mais é que um amor ilusório e egoísta da verdade. Por isso chamamos de tolerância o que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se respeito, de fato, ou simpatia ou amor... Portanto, é a palavra que convém, pois o amor falta, pois a simpatia falta, pois o respeito falta.
A tolerância – por menos(e) exaltante que seja esta palavra – é, pois, uma solução passável; a espera(d) de melhor, isto é, de que os homens possam se amar ou simplesmente se conhecer e se compreender, demo-nos por felizes com que eles comecem a se suportar.
Adaptado de: COMTE-SPONVILLE, A. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1999. p.186- 188. Disponível no site do COMITÊ DA CULTURA DE PAZ: http://www.comitepaz.org.br/comte4.htm
Assinale a alternativa em que os vocábulos pertencem à mesma classe gramatical.
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Dizem que quando os dois estavam chegando a Nova York, na amurada do navio, Freud virou-se para Jung e perguntou:
– Será que eles sabem que nós estamos trazendo a peste?
Não sei se a história, que li num texto do Stephen Greenblatt publicado recentemente na revista The New Yorker, é verdadeira. Nem sei se Freud e Jung estiveram juntos em Nova York algum dia. Mas o que Freud pretenderia dizer com “a peste” é fácil de entender. Era tudo o que os dois estavam explorando em matéria de subconsciente, inconsciente coletivo, sexualidade precoce – enfim, a revolução no pensamento humano que na Europa já se alastrava, e era combatida como uma epidemia. Os agentes alfandegários não teriam identificado o perigo que os dois recém-chegados representavam para as mentes da América, deixando-os passar para contagiá-las.
Todo desafio ao pensamento convencional e a crenças arraigadas é uma espécie de praga solapadora, uma ameaça à normalidade e à saúde públicas. Santo Agostinho dizia que a curiosidade era uma doença. Os que procuravam explicações para o universo e a vida além dos dogmas da Igreja ou da ciência tradicional eram portadores do vírus da discórdia, a serem espantados como se espanta qualquer praga, com barulho e fogo. As idéias de Freud e de Jung divergiram – Jung acabou derivando para um quase misticismo, literariamente mais rico mas menos conseqüente do que o que pensava Freud –, mas as descobertas dos dois significaram uma reviravolta no autoconceito da humanidade comparável ao que significou o heliocentrismo de Copérnico e as sacadas do Galileu. O homem não só não era o centro do universo conhecido como carregava dentro de si um universo desconhecido, que mal controlava. Agostinho tinha razão, a curiosidade debilitava o homem. A partir de Copérnico a curiosidade só levara o homem a ir desvendando, pouco a pouco, sua própria precariedade, cada vez mais longe de Deus.
Marx, outro pestilento, tinha proposto o determinismo histórico e a luta de classes como eventuais formadores do Novo Homem, livre da superstição religiosa e de outras tiranias. Suas idéias, e a reação às suas idéias, convulsionaram o mundo. Esta peste se disseminou com violência e foi combatida com sangrias e rezas e no fim – como também é próprio das pestes – amainou. Todas as pestes chegam ao seu máximo e recuam. A Terra há séculos não é o centro do universo, o que não impede o prestígio crescente da astrologia. O iluminismo do século dezoito parecia ser o preâmbulo de um futuro racional e prevaleceu o irracionalismo. O Novo Homem de Marx foi visto pela última vez pulando o muro para Berlim Ocidental. E as teses de Freud e Jung, que revolucionariam as relações humanas, nunca foram aplicadas nas relações que interessam, a do homem com seus instintos e a dos seus instintos com uma sociedade sadia. Foi, como as outras, uma novidade, ou uma curiosidade, que expirou.
Mas também é próprio das pestes serem reincidentes. Cedo ou tarde virá outra perturbar a paz da ignorância de Santo Agostinho. E passar.
Adaptado de: VERÍSSIMO, L. F. A peste. ZERO HORA, quinta- feira, 1º de setembro de 2011.
Nos trechos destacados abaixo, assinale se a palavra destacada é preposição (P) ou artigo (A).
( ) a Nova York (l. 01)
( ) a crenças arraigadas (l. 08)
( ) a serem espantados (l. 10)
( ) a luta de classes (l. 17)
Assinale a alternativa que apresenta a seqüência de preenchimento correta dos parênteses, de cima para baixo.
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Há na palavra tolerância algo de condescendente, se não de desdenhoso, que incomoda. Lembrem-se do chiste do poeta francês Paul Claudel: "Tolerância? Há casas para isso!" Isso diz muito sobre Claudel e sobre a tolerância. Tolerar as opiniões do outro acaso já não é considerá-las inferiores ou incorretas? rigor, só podemos tolerar aquilo que teríamos o direito de impedir: se as opiniões são livres, como devem ser, não dependem, pois, da tolerância! Daí um novo ............... da tolerância, que parece invalidar sua noção. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são de direito, não podem ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas, celebradas.
A palavra tolerante, no entanto, impôs-se, na linguagem corrente, para designar a virtude que se opõe ao fanatismo, ao ................, ao autoritarismo, em suma... intolerância. Esse uso não me parece desprovido de razão: ele reflete, na própria virtude que a supera, a intolerância de cada um. Em verdade, só se pode tolerar o que se teria o direito de impedir, de condenar, de proibir. Mas esse direito que nós não temos quase sempre temos a sensação de tê-lo. Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, como os outros não estariam errados? E como a verdade poderia aceitar – a não ser por tolerância – a existência ou a continuidade do erro? O ................ sempre renasce, ele nada mais é que um amor ilusório e egoísta da verdade. Por isso chamamos de tolerância o que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se respeito, de fato, ou simpatia ou amor... Portanto, é a palavra que convém, pois o amor falta, pois a simpatia falta, pois o respeito falta.
A tolerância – por menos exaltante que seja esta palavra – é, pois, uma solução passável; espera de melhor, isto é, de que os homens possam se amar ou simplesmente se conhecer e se compreender, demo-nos por felizes com que eles comecem a se suportar.
Adaptado de: COMTE-SPONVILLE, A. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1999. p.186- 188. Disponível no site do COMITÊ DA CULTURA DE PAZ: http://www.comitepaz.org.br/comte4.htm
Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas das linhas 03, 07 e 14, indicadas por linhas cheias.
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Dizem que quando os dois estavam chegando a Nova York, na amurada do navio, Freud virou-se para Jung e perguntou:
– Será que eles sabem que nós estamos trazendo a peste?
Não sei se a história, que li num texto do Stephen Greenblatt publicado recentemente na revista The New Yorker, é verdadeira. Nem sei se Freud e Jung estiveram juntos em Nova York algum dia. Mas o que Freud pretenderia dizer com “a peste” é fácil de entender. Era tudo o que os dois estavam explorando em matéria de subconsciente, inconsciente coletivo, sexualidade precoce – enfim, a revolução no pensamento humano que na Europa já se alastrava, e era combatida como uma epidemia. Os agentes alfandegários não teriam identificado o perigo que os dois recém-chegados representavam para as mentes da América, deixando-os passar para contagiá-las.
Todo desafio ao pensamento convencional e a crenças arraigadas é uma espécie de praga solapadora, uma ameaça à normalidade e à saúde públicas. Santo Agostinho dizia que a curiosidade era uma doença. Os que procuravam explicações para o universo e a vida além dos dogmas da Igreja ou da ciência tradicional(I) eram portadores do vírus da discórdia, a serem espantados como se espanta qualquer praga, com barulho e fogo. As idéias de Freud e de Jung divergiram – Jung acabou derivando para um quase misticismo, literariamente mais rico mas menos conseqüente do que o que pensava Freud –, mas as descobertas dos dois significaram uma reviravolta no autoconceito da humanidade comparável ao que significou o heliocentrismo de Copérnico e as sacadas do Galileu. O homem não só não era o centro do universo conhecido como carregava dentro de si um universo desconhecido, que mal controlava. Agostinho tinha razão(II), a curiosidade debilitava o homem. A partir de Copérnico(III) a curiosidade só levara o homem a ir desvendando, pouco a pouco, sua própria precariedade, cada vez mais longe de Deus.
Marx, outro pestilento, tinha proposto o determinismo histórico e a luta de classes como eventuais formadores do Novo Homem, livre da superstição religiosa e de outras tiranias. Suas idéias, e a reação às suas idéias, convulsionaram o mundo. Esta peste se disseminou com violência e foi combatida com sangrias e rezas e no fim – como também é próprio das pestes – amainou. Todas as pestes chegam ao seu máximo e recuam. A Terra há séculos não é o centro do universo, o que não impede o prestígio crescente da astrologia. O iluminismo do século dezoito parecia ser o preâmbulo de um futuro racional e prevaleceu o irracionalismo. O Novo Homem de Marx foi visto pela última vez pulando o muro para Berlim Ocidental. E as teses de Freud e Jung, que revolucionariam as relações humanas, nunca foram aplicadas nas relações que interessam, a do homem com seus instintos e a dos seus instintos com uma sociedade sadia. Foi, como as outras, uma novidade, ou uma curiosidade, que expirou.
Mas também é próprio das pestes serem reincidentes. Cedo ou tarde virá outra perturbar a paz da ignorância de Santo Agostinho. E passar.
Adaptado de: VERÍSSIMO, L. F. A peste. ZERO HORA, quinta- feira, 1º de setembro de 2011.
Considere as seguintes sugestões, com relação à pontuação do texto.
I - Inserção de uma vírgula depois de da ciência tradicional.
II - Substituição da vírgula depois de Agostinho tinha razão por dois-pontos.
III - Inserção de uma vírgula depois de A partir de Copérnico.
Quais estão corretas?
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Há na palavra tolerância algo de condescendente, se não de desdenhoso, que incomoda. Lembrem-se do chiste do poeta francês Paul Claudel: "Tolerância? Há casas para isso!" Isso diz muito sobre Claudel e sobre a tolerância. Tolerar as opiniões do outro acaso já não é considerá-las inferiores ou incorretas? À rigor, só podemos tolerar aquilo que teríamos o direito de impedir: se as opiniões são livres, como devem ser, não dependem, pois, da tolerância! Daí um novo paradoxo da tolerância, que parece invalidar sua noção. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são de direito, não podem ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas, celebradas.
A palavra tolerante, no entanto, impôs-se, na linguagem corrente, para designar a virtude que se opõe ao fanatismo, ao sectarismo, ao autoritarismo, em suma... à intolerância. Esse uso não me parece desprovido de razão: ele reflete, na própria virtude que a supera, a intolerância de cada um. Em verdade, só se pode tolerar o que se teria o direito de impedir, de condenar, de proibir. Mas esse direito que nós não temos quase sempre temos a sensação de tê-lo. Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, como os outros não estariam errados? E como a verdade poderia aceitar – a não ser por tolerância – a existência ou a continuidade do erro? O dogmatismo sempre renasce, ele nada mais é que um amor ilusório e egoísta da verdade. Por isso chamamos de tolerância o que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se respeito, de fato, ou simpatia ou amor... Portanto, é a palavra que convém, pois o amor falta, pois a simpatia falta, pois o respeito falta.
A tolerância – por menos exaltante que seja esta palavra – é, pois, uma solução passável; a espera de melhor, isto é, de que os homens possam se amar ou simplesmente se conhecer e se compreender, demo-nos por felizes com que eles comecem a se suportar.
Adaptado de: COMTE-SPONVILLE, A. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1999. p.186- 188. Disponível no site do COMITÊ DA CULTURA DE PAZ: http://www.comitepaz.org.br/comte4.htm
O texto trata essencialmente
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Há na palavra tolerância algo de condescendente, se não de desdenhoso, que incomoda. Lembrem-se(a) do chiste do poeta francês Paul Claudel: "Tolerância? Há casas para isso!" Isso diz muito sobre Claudel e sobre a tolerância. Tolerar as opiniões do outro acaso já não é considerá-las inferiores ou incorretas? À rigor, só podemos tolerar aquilo que(b) teríamos o direito de impedir: se as opiniões são livres, como devem ser, não dependem, pois, da tolerância! Daí um novo paradoxo da tolerância, que(c) parece invalidar sua noção. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são de direito, não podem ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas, celebradas.
A palavra tolerante, no entanto, impôs-se, na linguagem corrente, para designar a virtude que se opõe ao fanatismo, ao sectarismo, ao autoritarismo, em suma... à intolerância. Esse uso não me parece desprovido de razão: ele reflete, na própria virtude que a supera, a intolerância de cada um. Em verdade, só se pode tolerar o que se teria o direito de impedir, de condenar, de proibir. Mas esse direito que nós não temos quase sempre temos a sensação de tê-lo. Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, como os outros não estariam errados? E como a verdade poderia aceitar – a não ser por tolerância – a existência ou a continuidade do erro? O dogmatismo sempre renasce, ele nada mais é que(d) um amor ilusório e egoísta da verdade. Por isso chamamos de tolerância o que(e), se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se respeito, de fato, ou simpatia ou amor... Portanto, é a palavra que convém, pois o amor falta, pois a simpatia falta, pois o respeito falta.
A tolerância – por menos exaltante que seja esta palavra – é, pois, uma solução passável; a espera de melhor, isto é, de que os homens possam se amar ou simplesmente se conhecer e se compreender, demo-nos por felizes com que eles comecem a se suportar.
Adaptado de: COMTE-SPONVILLE, A. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1999. p.186- 188. Disponível no site do COMITÊ DA CULTURA DE PAZ: http://www.comitepaz.org.br/comte4.htm
A seguir são apresentadas alternativas de substituição de segmentos do texto. Assinale a que, se aplicada ao texto, caracterizaria erro de acordo com a norma gramatical.
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Dizem que quando os dois estavam chegando a Nova York, na amurada do navio, Freud virou-se para Jung e perguntou:
– Será que eles sabem que nós estamos trazendo a peste?
Não sei se a história, que li num texto do Stephen Greenblatt publicado recentemente na revista The New Yorker, é verdadeira. Nem sei se Freud e Jung estiveram juntos em Nova York algum dia. Mas o que Freud pretenderia dizer com “a peste” é fácil de entender. Era tudo o que os dois estavam explorando em matéria de subconsciente, inconsciente coletivo, sexualidade precoce – enfim, a revolução no pensamento humano que na Europa já se alastrava, e era combatida como uma epidemia. Os agentes alfandegários não teriam identificado o perigo que os dois recém-chegados representavam para as mentes da América, deixando-os passar para contagiá-las.
Todo desafio ao pensamento convencional e a crenças arraigadas é uma espécie de praga solapadora, uma ameaça à normalidade e à saúde públicas. Santo Agostinho dizia que a curiosidade era uma doença. Os que procuravam explicações para o universo e a vida além dos dogmas da Igreja ou da ciência tradicional eram portadores do vírus da discórdia, a serem espantados como se espanta qualquer praga, com barulho e fogo. As idéias de Freud e de Jung divergiram – Jung acabou derivando para um quase misticismo, literariamente mais rico mas menos conseqüente do que o que pensava Freud –, mas as descobertas dos dois significaram uma reviravolta no autoconceito da humanidade comparável ao que significou o heliocentrismo de Copérnico e as sacadas do Galileu. O homem não só não era o centro do universo conhecido como carregava dentro de si um universo desconhecido, que mal controlava. Agostinho tinha razão, a curiosidade debilitava o homem. A partir de Copérnico a curiosidade só levara o homem a ir desvendando, pouco a pouco, sua própria precariedade, cada vez mais longe de Deus.
Marx, outro pestilento, tinha proposto o determinismo histórico e a luta de classes como eventuais formadores do Novo Homem, livre da superstição religiosa e de outras tiranias. Suas idéias, e a reação às suas idéias, convulsionaram o mundo. Esta peste se disseminou com violência e foi combatida com sangrias e rezas e no fim – como também é próprio das pestes – amainou. Todas as pestes chegam ao seu máximo e recuam. A Terra há séculos não é o centro do universo, o que não impede o prestígio crescente da astrologia. O iluminismo do século dezoito parecia ser o preâmbulo de um futuro racional e prevaleceu o irracionalismo. O Novo Homem de Marx foi visto pela última vez pulando o muro para Berlim Ocidental. E as teses de Freud e Jung, que revolucionariam as relações humanas, nunca foram aplicadas nas relações que interessam, a do homem com seus instintos e a dos seus instintos com uma sociedade sadia. Foi, como as outras, uma novidade, ou uma curiosidade, que expirou.
Mas também é próprio das pestes serem reincidentes. Cedo ou tarde virá outra perturbar a paz da ignorância de Santo Agostinho. E passar.
Adaptado de: VERÍSSIMO, L. F. A peste. ZERO HORA, quinta- feira, 1º de setembro de 2011.
Assinale a alternativa que apresenta o significado do vocábulo preâmbulo no contexto em que se encontra.
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Dizem que quando os dois estavam chegando a Nova York, na amurada do navio, Freud virou-se para Jung e perguntou:
– Será que eles sabem que nós estamos trazendo a peste?
Não sei se a história, que li num texto do Stephen Greenblatt publicado recentemente na revista The New Yorker, é verdadeira. Nem sei se Freud e Jung estiveram juntos em Nova York algum dia. Mas o que Freud pretenderia dizer com “a peste” é fácil de entender. Era tudo o que os dois estavam explorando em matéria de subconsciente, inconsciente coletivo, sexualidade precoce – enfim, a revolução no pensamento humano que na Europa já se alastrava, e era combatida como uma epidemia. Os agentes alfandegários não teriam identificado o perigo que os dois recém-chegados representavam para as mentes da América, deixando-os passar para contagiá-las.
Todo desafio ao pensamento convencional e a crenças arraigadas é uma espécie de praga solapadora, uma ameaça à normalidade e à saúde públicas. Santo Agostinho dizia que a curiosidade era uma doença. Os que procuravam explicações para o universo e a vida além dos dogmas da Igreja ou da ciência tradicional eram portadores do vírus da discórdia, a serem espantados como se espanta qualquer praga, com barulho e fogo. As idéias de Freud e de Jung ............... – Jung acabou derivando para um quase misticismo, literariamente mais rico mas menos conseqüente do que o que pensava Freud –, mas as descobertas dos dois significaram uma reviravolta no autoconceito da humanidade comparável ao que significou o heliocentrismo de Copérnico e as sacadas do Galileu. O homem não só não era o centro do universo conhecido como carregava dentro de si um universo desconhecido, que mal controlava. Agostinho tinha razão, a curiosidade debilitava o homem. A partir de Copérnico a curiosidade só levara o homem a ir desvendando, pouco a pouco, sua própria ..............., cada vez mais longe de Deus.
Marx, outro pestilento, tinha proposto o determinismo histórico e a luta de classes como eventuais formadores do Novo Homem, livre da superstição religiosa e de outras tiranias. Suas idéias, e a reação às suas idéias, convulsionaram o mundo. Esta peste se disseminou com violência e foi combatida com sangrias e rezas e no fim – como também é próprio das pestes – amainou. Todas as pestes chegam ao seu máximo e recuam. A Terra há séculos não é o centro do universo, o que não impede o prestígio crescente da astrologia. O iluminismo do século dezoito parecia ser o preâmbulo de um futuro racional e prevaleceu o irracionalismo. O Novo Homem de Marx foi visto pela última vez pulando o muro para Berlim Ocidental. E as teses de Freud e Jung, que revolucionariam as relações humanas, nunca foram aplicadas nas relações que interessam, a do homem com seus instintos e a dos seus instintos com uma sociedade sadia. Foi, como as outras, uma novidade, ou uma curiosidade, que ............... .
Mas também é próprio das pestes serem ............... . Cedo ou tarde virá outra perturbar a paz da ignorância de Santo Agostinho. E passar.
Adaptado de: VERÍSSIMO, L. F. A peste. ZERO HORA, quinta- feira, 1º de setembro de 2011.
Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas das linhas 11, 15, 23 e 24, indicadas por linhas pontilhadas.
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Dizem que quando os dois estavam chegando a Nova York, na amurada do navio, Freud virou-se para Jung e perguntou:
– Será que eles sabem que nós estamos trazendo a peste?
Não sei se a história, que li num texto do Stephen Greenblatt publicado recentemente na revista The New Yorker, é verdadeira. Nem sei se Freud e Jung estiveram juntos em Nova York algum dia. Mas o que Freud pretenderia dizer com “a peste” é fácil(a) de entender. Era tudo o que os dois estavam explorando em matéria de subconsciente, inconsciente coletivo, sexualidade precoce – enfim, a revolução no pensamento humano que na Europa já se alastrava, e era combatida como uma epidemia. Os agentes alfandegários não teriam identificado o perigo que os dois recém-chegados representavam para as mentes da América(b), deixando-os passar para contagiá-las.
Todo desafio ao pensamento convencional e a crenças arraigadas é uma espécie de praga solapadora, uma ameaça à normalidade e à saúde(c) públicas. Santo Agostinho dizia que a curiosidade era uma doença. Os que procuravam explicações para o universo e a vida além dos dogmas da Igreja ou da ciência tradicional eram portadores do vírus(d) da discórdia, a serem espantados como se espanta qualquer praga, com barulho e fogo. As idéias de Freud e de Jung divergiram – Jung acabou derivando para um quase misticismo, literariamente mais rico mas menos conseqüente do que o que pensava Freud –, mas as descobertas dos dois significaram uma reviravolta no autoconceito da humanidade comparável ao que significou o heliocentrismo de Copérnico e as sacadas do Galileu. O homem não só não era o centro do universo conhecido como carregava dentro de si um universo desconhecido, que mal controlava. Agostinho tinha razão, a curiosidade debilitava o homem. A partir de Copérnico a curiosidade só levara o homem a ir desvendando, pouco a pouco, sua própria precariedade, cada vez mais longe de Deus.
Marx, outro pestilento, tinha proposto o determinismo histórico e a luta de classes como eventuais formadores do Novo Homem, livre da superstição religiosa e de outras tiranias. Suas idéias, e a reação às suas idéias, convulsionaram o mundo. Esta peste se disseminou com violência e foi combatida com sangrias e rezas e no fim – como também é próprio das pestes – amainou. Todas as pestes chegam ao seu máximo e recuam. A Terra há séculos não é o centro do universo, o que não impede o prestígio crescente da astrologia. O iluminismo do século dezoito parecia ser o preâmbulo de um futuro racional e prevaleceu o irracionalismo. O Novo Homem de Marx foi visto pela última vez pulando o muro para Berlim Ocidental. E as teses de Freud e Jung, que revolucionariam as relações humanas, nunca foram aplicadas nas relações que interessam, a do homem com seus instintos e a dos seus instintos com uma sociedade sadia. Foi, como as outras, uma novidade, ou uma curiosidade, que expirou.
Mas também é próprio das pestes serem reincidentes. Cedo ou tarde virá(e) outra perturbar a paz da ignorância de Santo Agostinho. E passar.
Adaptado de: VERÍSSIMO, L. F. A peste. ZERO HORA, quinta- feira, 1º de setembro de 2011.
Assinale a alternativa em que a palavra é acentuada pela mesma regra que preceitua o acento em última (l. 20).
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Dizem que quando os dois estavam chegando a Nova York, na amurada do navio, Freud virou-se para Jung e perguntou:
– Será que eles sabem que nós estamos trazendo a peste?
Não sei se a história, que li num texto do Stephen Greenblatt publicado recentemente na revista The New Yorker, é verdadeira. Nem sei se Freud e Jung estiveram juntos em Nova York algum dia. Mas o que Freud pretenderia dizer com “a peste” é fácil de entender. Era tudo o que os dois estavam explorando em matéria de subconsciente, inconsciente coletivo, sexualidade precoce – enfim, a revolução no pensamento humano que na Europa já se alastrava, e era combatida como uma epidemia. Os agentes alfandegários não teriam identificado o perigo que os dois recém-chegados representavam para as mentes da América, deixando-os passar para contagiá-las.
Todo desafio ao pensamento convencional e a crenças arraigadas é uma espécie de praga solapadora, uma ameaça à normalidade e à saúde públicas. Santo Agostinho dizia que a curiosidade era uma doença. Os que procuravam explicações para o universo e a vida além dos dogmas da Igreja ou da ciência tradicional eram portadores do vírus da discórdia, a serem espantados como se espanta qualquer praga, com barulho e fogo. As idéias de Freud e de Jung divergiram – Jung acabou derivando para um quase misticismo, literariamente mais rico mas menos conseqüente do que o que pensava Freud –, mas as descobertas dos dois significaram uma reviravolta no autoconceito da humanidade comparável ao que significou(I) o heliocentrismo de Copérnico e as sacadas do Galileu. O homem não só não era o centro do universo conhecido como carregava dentro de si um universo desconhecido, que mal controlava. Agostinho tinha razão, a curiosidade debilitava o homem. A partir de Copérnico a curiosidade só levara o homem a ir desvendando, pouco a pouco, sua própria precariedade, cada vez mais longe de Deus.
Marx, outro pestilento, tinha proposto o determinismo histórico e a luta de classes como eventuais formadores do Novo Homem, livre da superstição religiosa e de outras tiranias. Suas idéias, e a reação às suas idéias(II), convulsionaram o mundo. Esta peste se disseminou com violência e foi combatida com sangrias e rezas e no fim – como também é próprio das pestes – amainou. Todas as pestes chegam ao seu máximo e recuam. A Terra há séculos não é o centro do universo, o que não impede o prestígio crescente da astrologia. O iluminismo do século dezoito parecia ser o preâmbulo de um futuro racional e prevaleceu o irracionalismo. O Novo Homem de Marx foi visto pela última vez pulando o muro para Berlim Ocidental. E as teses de Freud e Jung, que revolucionariam as relações humanas, nunca foram aplicadas nas relações que interessam, a do homem com seus instintos e a dos seus instintos com uma sociedade sadia. Foi, como(III) as outras, uma novidade, ou uma curiosidade, que expirou.
Mas também é próprio das pestes serem reincidentes. Cedo ou tarde virá outra perturbar a paz da ignorância de Santo Agostinho. E passar.
Adaptado de: VERÍSSIMO, L. F. A peste. ZERO HORA, quinta- feira, 1º de setembro de 2011.
As afirmações que seguem referem-se à crase.
I - No trecho comparável ao que significou, o vocábulo ao poderia ser substituído por aquilo.
II - Para evitarmos a sua repetição na frase, poderíamos substituir a expressão às suas idéias por à elas.
III - Caso substituíssemos como por igual, seriam criadas as condições para a crase.
Quais estão corretas?
Provas
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