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Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita, comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro do porre. Acreditava que precisava desse terremoto orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto com propriedades metafísicas. Nem por isso passava menos mal, sofria muito, o desconforto era visível, pungente. Tomava coisas que poucos profissionais do copo se arriscariam, destilados das marcas mais diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha, era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade, desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
Não era masoquismo. Acompanhando suas peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela realmente precisava daquilo. Stela inventara uma religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu. Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor. Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos, em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues existenciais.
Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a purgação lhe rendera.
Stela era irredutível no seu método terapêutico, dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal, sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o mundo como ele é”.
Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora. Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não era bom para seu futuro. Não a culpo.
Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora,
n. 18489, 02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.b /zerohora/ jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template= 3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.
Identifique a alternativa que apresenta uma interpretação adequada, no contexto em que se encontra, da frase que inicia o quinto parágrafo do texto.
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A língua do Brasil amanhã
Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de outras línguas supostamente expansionistas (em especial o inglês, atual candidato número um a língua universal); ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das formas populares de expressão (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro lado (e não é possível agradar a todos) acredito que nossa língua está mudando, e certamente não será a mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
O que é que poderia ameaçar a integridade ou a existência da nossa língua? Um dos fatores, frequentemente citado, é a influência do inglês – o mundo de empréstimos que andamos fazendo para nos expressarmos sobre certos assuntos.
Não se pode negar que o fenômeno existe; o que mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do marketing. Mas isso não significa o desaparecimento da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram, mas a palavra estrangeira venceu – só que virou portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
Quero dizer que não há o menor sintoma de que os empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como todalíngua, o português precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute, balé – e também pode (e com maior frequência) criar palavras a partir de seus próprios recursos – como computador, ecologia, poluição – ou então estender o uso de palavras antigas a novos significados – executivo ou celular, que significam coisas hoje que não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil
amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. Páginas 11-14.
Assinale a alternativa que contém apenas palavras empregadas como adjetivos no texto.
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A língua do Brasil amanhã
Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de outras línguas supostamente expansionistas (em especial o inglês, atual candidato número um a língua universal); ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das formas populares de expressão (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro lado (e não é possível agradar a todos) acredito que nossa língua está mudando, e certamente não será a mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
O que é que poderia ameaçar a integridade ou a existência da nossa língua? Um dos fatores, frequentemente citado, é a influência do inglês – o mundo de empréstimos que andamos fazendo para nos expressarmos sobre certos assuntos.
Não se pode negar que o fenômeno existe; o que mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do marketing. Mas isso não significa o desaparecimento da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram, mas a palavra estrangeira venceu – só que virou portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
Quero dizer que não há o menor sintoma de que os empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como todalíngua, o português precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute, balé – e também pode (e com maior frequência) criar palavras a partir de seus próprios recursos – como computador, ecologia, poluição – ou então estender o uso de palavras antigas a novos significados – executivo ou celular, que significam coisas hoje que não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil
amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. Páginas 11-14.
O autor apresenta o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado como exemplo de uso de gírias e expressões populares. Assinale a alternativa que apresenta uma possível reescrita dessa frase, de acordo com a norma culta da língua portuguesa.
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A língua do Brasil amanhã
Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de outras línguas supostamente expansionistas (em especial o inglês, atual candidato número um a língua universal); ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das formas populares de expressão (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro lado (e não é possível agradar a todos) acredito que nossa língua está mudando, e certamente não será a mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
O que é que poderia ameaçar a integridade ou a existência da nossa língua? Um dos fatores, frequentemente citado, é a influência do inglês – o mundo de empréstimos que andamos fazendo para nos expressarmos sobre certos assuntos.
Não se pode negar que o fenômeno existe; o que mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do marketing. Mas isso não significa o desaparecimento da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram, mas a palavra estrangeira venceu – só que virou portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
Quero dizer que não há o menor sintoma de que os empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como todalíngua, o português precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute, balé – e também pode (e com maior frequência) criar palavras a partir de seus próprios recursos – como computador, ecologia, poluição – ou então estender o uso de palavras antigas a novos significados – executivo ou celular, que significam coisas hoje que não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil
amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. Páginas 11-14.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir sobre algumas das ideias do texto.
( ) Os empréstimos linguísticos são um fenômeno relativamente recente na língua, um reflexo de atividades modernas, como surfar, deletar e lidar com vocábulos da área do marketing.
( ) A língua portuguesa está mudando mais rapidamente hoje do que antigamente para que seu vocabulário possa abarcar novidades de ordem social, tecnológica, artística e cultural.
( ) Todas as línguas podem receber a influência de empréstimos linguísticos, não apenas a língua portuguesa.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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A língua do Brasil amanhã
Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de outras línguas supostamente expansionistas (em especial o inglês, atual candidato número um a língua universal); ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das formas populares de expressão (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro lado (e não é possível agradar a todos) acredito que nossa língua está mudando, e certamente não será a mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
O que é que poderia ameaçar a integridade ou a existência da nossa língua? Um dos fatores, frequentemente citado, é a influência do inglês – o mundo de empréstimos que andamos fazendo para nos expressarmos sobre certos assuntos.
Não se pode negar que o fenômeno existe; o que mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do marketing. Mas isso não significa o desaparecimento da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram, mas a palavra estrangeira venceu – só que virou portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
Quero dizer que não há o menor sintoma de que os empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como todalíngua, o português precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute, balé – e também pode (e com maior frequência) criar palavras a partir de seus próprios recursos – como computador, ecologia, poluição – ou então estender o uso de palavras antigas a novos significados – executivo ou celular, que significam coisas hoje que não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil
amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. Páginas 11-14.
Considere as seguintes afirmações sobre algumas das ideias do texto.
I - Segundo o autor, a língua portuguesa não corre o risco de desaparecer ou ter sua identidade alterada. Contudo, é preciso estar atento ao uso demasiado de estrangeirismos, que podem, no longo prazo, ameaçar a integridade da língua.
II - Existem palavras da língua portuguesa que têm sua origem estrangeira e que nunca foram aportuguesadas, como ravióli, ioga, chucrute, balé, que mantêm sua pronúncia original.
III - Além de a língua contar com novas palavras, criadas no seio da própria língua (computador, por exemplo), o autor destaca que palavras antigas na língua podem receber novos significados com o passar do tempo.
Quais estão corretas?
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A língua do Brasil amanhã
Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de outras línguas supostamente expansionistas (em especial o inglês, atual candidato número um a língua universal); ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das formas populares de expressão (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro lado (e não é possível agradar a todos) acredito que nossa língua está mudando, e certamente não será a mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
O que é que poderia ameaçar a integridade ou a existência da nossa língua? Um dos fatores, frequentemente citado, é a influência do inglês – o mundo de empréstimos que andamos fazendo para nos expressarmos sobre certos assuntos.
Não se pode negar que o fenômeno existe; o que mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do marketing. Mas isso não significa o desaparecimento da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram, mas a palavra estrangeira venceu – só que virou portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
Quero dizer que não há o menor sintoma de que os empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como toda língua, o português precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute, balé – e também pode (e com maior frequência criar palavras a partir de seus próprios recursos – como computador, ecologia, poluição – ou então estender o uso de palavras antigas a novos significados – executivo ou celular, que significam coisas hoje que não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil
amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. Páginas 11-14.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto, respectivamente.
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Videiras de Cristal
Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade: pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos luminosos às margens do rio ________ num cordão móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam sem fome.
– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina, despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do arroio nunca mais falaram no assunto.
– A senhora acha que um dia eu vou casar?
Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso. – Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. – Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro: você é tão virgem como Maria Sehn era antes do casamento.
Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor que ________ os pés de fora e batendo o queixo de frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Considere as seguintes afirmações.
I - Se a frase Nunca aceite nenhuma violência estivesse em discurso indireto, seria escrita como Jacobina disse a Ana Maria que nunca aceitasse nenhuma violência.
II - Se a frase A senhora acha que um dia eu vou casar? estivesse em discurso direto, seria escrita como Ana Maria perguntou se Jacobina achava que um dia eu casaria.
III - Se a frase Irá casar, igual a Maria Sehn estivesse em discurso indireto, seria escrita como Jacobina disse a Ana Maria que ela iria casar, igual a Maria Sehn.
Quais estão corretas?
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Videiras de Cristal
Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade: pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos luminosos às margens do rio ________ num cordão móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam sem fome.
– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina, despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do arroio nunca mais falaram no assunto.
– A senhora acha que um dia eu vou casar?
Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso. – Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. – Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro: você é tão virgem como Maria Sehn era antes do casamento.
Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor que ________ os pés de fora e batendo o queixo de frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Assinale a alternativa que apresenta sinônimos das palavras permeando, fímbria e exíguo, tais como foram empregadas no texto.
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Videiras de Cristal
Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade: pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos luminosos às margens do rio ________ num cordão móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam sem fome.
– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina, despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do arroio nunca mais falaram no assunto.
– A senhora acha que um dia eu vou casar?
Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso. – Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. – Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro: você é tão virgem como Maria Sehn era antes do casamento.
Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor que ________ os pés de fora e batendo o queixo de frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir.
( ) Na oração o mastigavam sem fome, o sujeito é indeterminado e o objeto direto é expresso pelo pronome o.
( ) Na oração uma coisa eu lhe asseguro, o sujeito é o pronome eu, o objeto direto é uma coisa e o objeto indireto é expresso pelo pronome lhe.
( ) Na oração Ele as protegeria, o sujeito é o pronome Ele e o objeto direto é expresso pelo pronome as.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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Videiras de Cristal
Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade: pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos luminosos às margens do rio ________ num cordão móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam sem fome.
– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina, despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do arroio nunca mais falaram no assunto.
– A senhora acha que um dia eu vou casar?
Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso. – Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. – Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro: você é tão virgem como Maria Sehn era antes do casamento.
Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor que ________ os pés de fora e batendo o queixo de frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 02, 07 e 26 do texto, respectivamente.
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