Leia o texto abaixo e responda a questao.
Sociedade do cansaço: estamos cansados
demais para perceber?
Mesmo no descanso, tentamos ser eficientes. E,
assim, vamos nos desconectando do que é
essencial: o tédio, o vazio, o silêncio
Genesson Honorato
Estamos cansados. Isso já não é novidade.
Mas talvez a verdadeira novidade seja essa:
estamos cansados demais para perceber o quanto
estamos cansados.
Byung-Chul Han escreveu que vivemos em
uma sociedade que trocou o dever pela
performance. Não somos mais cobrados por fora,
mas por dentro. Não obedecemos a um sistema,
somos o próprio sistema.
Nos cobramos para produzir mais, sentir
menos e melhorar o tempo todo. A produtividade
virou virtude. A exaustão, uma medalha invisível.
Acordamos já devendo energia.
Trabalhamos com o corpo presente e a cabeça
ausente. Nos intervalos, descansamos com a tela
na mão. À noite, o sono chega ansioso, cheio de
notificações.
E, no dia seguinte... tudo de novo.
Vivemos como se isso fosse normal. Como
se o esgotamento fosse uma espécie de taxa de
participação da vida adulta. Uma parte do jogo.
Mas e se não for bem assim?
Outro dia, em um intervalo entre dois
compromissos, sentei em um café. Sem celular,
sem fone, sem nada. Só eu e o tempo – ou pelo
menos era essa a intenção. Foram exatos dois
minutos até que o desconforto batesse. A mente
acelerada, a mão inquieta, o impulso automático
de abrir alguma coisa, ler qualquer coisa, produzir
algo.
“Talvez a grande inovação agora seja
parar, respirar e reaprender o tempo.”
Descansar, ali, parecia uma tarefa mais
difícil do que eu imaginava. É como se o corpo
tivesse desaprendido a parar, repousar. Como se
a pausa tivesse virado uma fórmula inalcançável.
Fazer nada parece ter virado um crime
inafiançável. Byung-Chul Han chama isso de
autoexploração. Quando a cobrança não vem
Pmais de fora, mas de dentro. Você é seu próprio
gestor. Seu próprio relógio. Seu próprio chicote.
Estamos sempre em modo desempenho.
Mesmo no descanso, tentamos ser eficientes: “vou
aproveitar para ouvir um podcast”, “vou ler algo
útil”, “vou dar uma olhada rápida no e- mail”.
E, assim, vamos nos desconectando do
que é essencial: o tédio, o vazio, o silêncio.
Coisas que não produzem resultado imediato, mas
que sustentam tudo o que importa no longo prazo:
atenção, presença, criatividade, saúde.
Estamos tão cansados que já nem
percebemos que estamos nos exaurindo. No
fundo, talvez a pergunta não seja mais “como
descansar”, mas sim como reaprender a existir
sem estar produzindo o tempo inteiro.
Talvez a grande inovação agora não seja
acelerar ainda mais. Seja parar, respirar e
reaprender o tempo. Quem sabe, perceber,
mesmo que aos poucos, que o descanso não é o
oposto de trabalho, é o que torna o trabalho
possível.
Até a próxima.
Fonte: https://fastcompanybrasil.com/coluna/sociedade-do-cansacoestamos-cansados-demais-para-perceber/
“Fazer nada parece ter virado um crime inafiançável. Byung-Chul Han chama isso de autoexploração. Quando a cobrança não vem mais de fora, mas de dentro. Você é seu próprio gestor. Seu próprio relógio. Seu próprio chicote.”
Diante disso, é correto afirmar:
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