No debate historiográfico sobre as vanguardas do final do século XIX, a relação entre Impressionismo e Neoimpressionismo não se reduz a uma mera continuidade estilística, mas envolve mudanças estruturais no estatuto do fazer pictórico, especialmente quanto ao papel da ciência, do método e da organização compositiva. De acordo com essas diferenças, analise as afirmativas a seguir:
I. O Neoimpressionismo, ao incorporar teorias científicas da cor e da percepção visual, propõe uma racionalização do processo pictórico, em contraste com o Impressionismo, cuja estrutura compositiva se apoia majoritariamente na experiência sensível imediata e na variação empírica da luz.
II. A técnica divisionista, ao decompor a cor em unidades cromáticas puras que se recombinam na retina do observador, implica uma concepção de obra menos intuitiva e mais sistematizada, o que altera o papel do artista de “observador sensível” para “organizador óptico” da experiência visual.
III. Ao privilegiar o instante e a impressão fugaz como princípio compositivo, o Neoimpressionismo radicaliza a recusa de esquemas prévios, aprofundando a espontaneidade já presente no Impressionismo.
IV. A adoção de procedimentos rigorosos de construção cromática no Neoimpressionismo não elimina a expressividade da obra, mas desloca sua fonte da gestualidade da pincelada para a articulação estrutural entre cor, ritmo visual e superfície pictórica.
Está correto o que se afirma em: