A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.
O peso das palavras em tempos de relações líquidas
Para mim, as palavras têm um significado profundo.
Costumo brincar mentalmente com os vários sentidos de uma palavra ou expressão. Há algumas palavras que gosto mais, outras que gosto menos. Minha
palavra preferida da língua portuguesa é “adorável”!
Não sei justificar muito bem a razão da minha devoção por esta palavra, mas, na minha opinião, quando
algo é adorável, essa coisa alcançou um lugar acima
do bem e do mal, mas o fez com sutileza.
Em tempos de amores líquidos e relacionamentos
expressos, palavras antes dotadas de um significado
profundo acabaram ganhando contornos bastante
imprecisos. Foi o que aconteceu, por exemplo, com
a palavra “amigo”. Antes destinada a uma espécie de
amor-alegria, partilhado com algumas poucas pessoas, tornou-se lugar comum na boca de pessoas que,
muitas vezes, por não saberem o nosso nome, a utilizam como substituto.
As palavras são bem-vindas, constituem o nosso
meio de compreender o mundo e, na medida em que
diluímos seu valor, nossa compreensão sobre seu significado tende a ser prejudicada também. A palavra
amigo não deveria ser usada como uma expressão
conveniente para aquelas pessoas que não sabemos
nomear ao certo. “Amizade” é a expressão que usamos para adjetivar um dos elos mais fortes que pode
haver entre duas pessoas, pois desprovido do sentimento de posse, que geralmente acompanha o amor.
É muito provável (no meu entendimento) que as redes sociais tenham, de algum modo, influenciado a
nossa percepção sobre o real significado de “ter amigos”, que passaram a valer mais por sua quantidade
do que por sua qualidade. Não sobra espaço, nas curtidas e mensagens eletrônicas – na maioria das vezes – um tempo para um olhar compreensivo, capaz
de dizer muito sem usar nenhuma palavra, ou para o
abraço que é capaz de emudecer, ainda que por alguns instantes, a nossa angústia.
Não podemos permitir que, na ânsia de chamarmos
a todos de amigos, esqueçamos o verdadeiro significado de ter a amizade de alguém. Não se trata de um
mero exercício de linguagem ou uma questão semântica menor, porém sim de uma questão existencial.
Afinal, as palavras não são meros signos linguísticos
usados para nossas comunicações, pois elas são o fio
com o qual tecemos nossa compreensão de mundo.
Ao dizer que algo é adorável, estou conferindo a este
algo um lugar de destaque no meu universo. Trata-se
de uma experiência que transcende a mera aparência, e que envolve uma conexão íntima com aquilo
que considero belo ou digno de consideração. Do
mesmo modo, quando chamo alguém de “amigo”,
estou reconhecendo uma relação que vai além do
casual, nomeando uma parceria na qual ambos são
transformados mutuamente.
O significado das palavras está no seu uso, pois, é no
contexto do dia a dia, na relação entre o que dizemos
e fazemos, que as palavras ganham vida. Ao chamarmos qualquer pessoa de amigo, estamos reduzindo o
conceito de amizade a algo raso e utilitarista, o que
passa ao largo de sua intenção primária, que é nos
permitir ter alguém ao lado que nos dê suporte existencialmente.
Cardoso, Juraciara Vieira. O peso das palavras em tempos de relações líquidas. Estado de Minas, Bem viver, 02 dez. 2024, p. 34. Adaptado.
É muito provável (no meu entendimento) que as redes sociais tenham, de algum modo, influenciado a nossa percepção sobre o real significado de “ter amigos”, que passaram a valer mais por sua quantidade do que por sua qualidade. Não sobra espaço, nas curtidas e mensagens eletrônicas – na maioria das vezes – um tempo para um olhar compreensivo, capaz de dizer muito sem usar nenhuma palavra, ou para o abraço que é capaz de emudecer, ainda que por alguns instantes, a nossa angústia.
Nesse sentido, é correto afirmar que
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