Os nem-nem
Sem estudo, sem trabalho. Nesse limbo ocioso encontram-se 19,8% dos brasileiros entre 15 e 29 anos, de acordo
com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Educação de 2023.
O poder público deve implementar políticas para lidar
com o fenômeno, que impacta não apenas a renda de
9,6 milhões de pessoas como produz efeitos no longo prazo
– quando se considera o envelhecimento da população brasileira e, consequentemente, o processo de perda do bônus
demográfico.
A principal causa do abandono escolar é a busca por
emprego. O problema é que, com formação precária, os
jovens enfrentam dificuldades para conseguir contratação.
Assim, é necessário buscar meios de manter os alunos na
rede de ensino e acelerar a transição entre estudo e trabalho.
A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico (OCDE) preconiza o chamado VET (vocational
education and training): programas de orientação vocacional
aliados a parcerias entre escolas, empresas e indústria para
treinamento e contratação de aprendizes. É fundamental,
portanto, a integração do ensino técnico ao regular, e o Brasil
peca nesse quesito.
Em tramitação no Congresso, a nova versão da reforma
do novo ensino médio incentiva a educação profissional. Não
é panaceia, mas um passo necessário para mitigar o atraso
do país nessa seara.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 29.03.2024. Adaptado)