Texto 1
Se criança pensa – e pensa lindamente – adultos teriam de pensar ainda muito mais. Porém a gente vai se enquadrando. Família, escola, sociedade e cultura, seja o que isso for, tornam-nos menos pensantes e menos questionadores. Alguns escapam dessa mordaça e desabrocham (2). Podem ser os menos confortáveis, mas são os que movem o mundo.
Pensar não é uma obrigação: é um direito, e deveria ser um prazer. Naquela horinha no ônibus ou no carro, andando, nadando, comendo, não fazendo nada (1) – o que é um luxo, e nós, bobos, pouco saboreamos –, nada melhor do que deixar tudo de lado e refletir, ou deixar as ideias vagando numa atenção flutuante, como dizia Freud. Largar mão, por instantes, dos compromissos, do cansaço, da falta de tempo, da dificuldade em ser feliz, (3) da pouca harmonia consigo e com o mundo, das tragédias, das decepções universais ou pessoais – e dar-se o prêmio de pensar. Para algumas pessoas, parar para pensar não é desmontar.
A essência seria esta: neste ano, eu vou pensar. Em mim, na vida, nos outros, no mundo, em mil coisas ou numa coisa só – que seja realmente importante. Pensar para ser uma pessoa mais decente; pensar para amar mais e melhor, começando por mim mesmo; pensar com mais lucidez. Pensar para criar meu mundo particular, não num ataque de loucura, mas de criatividade. Pois o real não existe, existe o que vemos dele. Dentro de certos limites, podemos, cada um de nós, inventar o nosso mundo: sendo mais céticos ou mais otimistas (4), com aquele grãozinho de loucura necessário para que haja beleza e claridade e não vivamos numa caverna de trevas.
O texto e as frases da questão foram adaptados de:
LUFT, Lya. O ano de pensar. Veja. São Paulo: Abril, p. 21, ed. 2146, ano 43, n. 1, 06 jan. 2010.
Considere as afirmativas abaixo.
1. A expressão “não fazendo nada”, destacada no segundo parágrafo, parece redundante porque apresenta o uso de dois advérbios de negação; se for retirado o advérbio “nada”, a frase permanece gramaticalmente correta e o sentido não se altera.
2. O vocábulo “desabrocham”, destacado no primeiro parágrafo, está empregado em sentido figurado; em sentido próprio “desabrochar” significa abrir o que estava preso com broche ou outro fecho, enquanto que no texto significa “manifestar-se”.
3. Em lugar da expressão que introduz a frase “Largar mão, por instantes, dos compromissos, do cansaço, da falta de tempo, da dificuldade em ser feliz, …”, a autora poderia ter empregado “Abrir mão…” sem alteração do sentido original, que é ‘enfrentar’ uma situação penosa ou trabalhosa.
4. No terceiro parágrafo, a frase “sendo mais céticos ou mais otimistas” apresenta dois adjetivos que não exprimem exatamente qualidades contrárias, portanto não são antônimos, mas apontam para diferentes concepções de vida.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas em relação ao Texto 1.
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