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1814857 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: COPS-UEL
Orgão: Câm. Londrina-PR
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Leia a crônica a seguir e responda à questão.
Um dos traços mais significativos do pensamento moderno é a sua flexibilidade para compreender todos os aspectos da realidade, isto é, incluí-los na sua compreensão. Exemplo notável dessa abrangência, que parece desconhecer limites, é a teoria quântica que, por tão inusitada e inovadora, foi inicialmente negada pelo próprio Einstein. É que a visão de Einstein se fundava no princípio de que o Universo é regido por leis coerentes e harmoniosas, enquanto a teoria quântica introduziu no pensamento científico o “princípio da incerteza”. Noutras palavras, na mecânica quântica, não é possível prever com precisão os eventos físicos, pois nem todos os fenômenos obedecem à regularidade das leis que regem a matéria.
Na mesma linha, podemos situar a “teoria do caos”, que aceita a desordem como um outro tipo de ordem, só que mais complexa e difícil de definir. Há também uma teoria, baseada na segunda lei da termodinâmica, que prevê a morte térmica do Universo, partindo do fato de que, na transformação de energia em trabalho, dá-se uma constante perda de energia; daí a tendência de todos os sistemas para a desorganização, ou seja, para a desordem. É a isso que se chama entropia.
A necessidade de tudo explicar e compreender é sem dúvida um avanço do pensamento humano que, se estendido ao campo da política e até do simples convívio humano, evitará muito erro e até mesmo muito desastre. Quanto mais aceitamos a complexidade do mundo e da vida, menos esquemáticos somos e, por consequência, menos intolerantes.
Mas devemos tomar cuidado com esta tese, já que ela pode também conduzir à pura e simples aceitação de tudo, o que, em vez de produzir benefícios, produzirá prejuízos. E aqui, mais uma vez, aplica-se o princípio da não simplificação dos problemas.
Tomemos como exemplo a questão do que é gramaticalmente certo ou errado. Antigamente, exigia-se obediência rigorosa às regras gramaticais, mas, seguindo neste campo, as coisas mudaram: hoje, em lugar de simplesmente afirmar-se que determinada expressão está errada, leva-se em conta o fato de que existem usos diferentes do idioma, donde concluir-se que a mesma norma não vale para o uso culto e para o uso popular. Deve-se admitir então que não há mais norma alguma e que as leis gramaticais foram abolidas? Certamente, não. Mas tampouco é esta uma questão simples.
Como escritor, mantenho com o idioma uma relação um pouco diferente da que mantêm as demais pessoas. Daí talvez minha preocupação com respeito à adoção do vale-tudo em matéria gramatical. Parto do princípio de que a obediência às normas básicas do idioma preserva- lhe uma capacidade maior de expressar, com precisão, o pensamento, sem eliminar as sutilezas e as nuances que o tornam mais rico. Por exemplo, hoje em dia quase ninguém mais fala este e esta. Talvez por mero desleixo, as pessoas dizem esse ou essa, como se não houvesse qualquer distinção entre as duas palavras. Na televisão, é comum ouvir-se o locutor dizer, referindo-se ao momento presente: “a nossa programação dessa noite...” Ou: “nesse momento passamos a transmitir de nossos estúdios”. Embora não se trate de nenhum grave delito, se esse uso errado se impuser como certo, a língua ficará mais pobre. Há muitos outros casos de uso errado mas frequente de expressões como “um dos que fez” (em lugar de fizeram), ou “as milhões de pessoas” (em vez de os milhões). O perigo é que passem a dizer “dois dúzias de ovos”... A tolerância é louvável, mas tem limites.
Devo dizer, porém, que não estou aqui para criminalizar esses atentados ao bom uso da língua, já que sou autor de um aforismo que diz: “quem tem frase de vidro não joga crase na frase do vizinho”.
(Adaptado de: GULLAR, Ferreira. O certo e o errado. In: Melhores crônicas. São Paulo: Global, 2004. p.182-184.)
A respeito da inversão de termos, considere as afirmativas a seguir.
I. Em “Quanto mais aceitamos a complexidade do mundo e da vida, menos esquemáticos somos e, por consequência, menos intolerantes”, o predicativo do sujeito aparece anteposto ao verbo.
II. Em “A necessidade de tudo explicar e compreender é sem dúvida um avanço do pensamento humano”, o objeto direto aparece anteposto aos verbos.
III. Em “Como escritor, mantenho com o idioma uma relação um pouco diferente da que mantêm as demais pessoas”, há um sujeito simples determinado posposto ao seu verbo.
IV. Em “Mas tampouco é esta uma questão simples”, o predicativo do sujeito aparece anteposto ao verbo.
Assinale a alternativa correta.
 

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