Magna Concursos
1694404 Ano: 2001
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: MPE-RS
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As questões de 41 a 50 referem-se ao texto que segue.

Folheando jornais do início de 1930, descobre-se que o homem mais popular do Brasil não era Getúlio Vargas, mas Luís Carlos Prestes, exilado em Buenos Aires depois de comandar a coluna que tomou seu nome. Tendo sido apenas capitão, os jornais chamavam-no de general.

Como líder do Partido Comunista, Prestes naturalmente se beneficiou do prestígio de comandante da coluna. Como tal, tornou-se mundialmente conhecido e peritos proclamavam a sua genialidade militar. Vários livros, o mais famoso dos quais foi o "Cavaleiro da Esperança" de Jorge Amado, exaltaram os fastos da coluna.

Os homens sentem necessidade de mitificar passados heroísmos, expurgando-os do que houve de desabonatório. A primazia histórica cabe aos gregos: escamotearam que seus heróis eram também saqueadores e estupradores. Não há epopéias imaculadamente limpas e não deveria surpreender que a coluna praticasse torpezas: inevitáveis em forças regulares, são ainda mais freqüentes em forças irregulares de guerrilha, caso da coluna.

Surpreendente é que só passados 70 anos se tenham descoberto as mazelas da coluna. Em 1993, uma jovem repórter teve a idéia de refazer o trajeto de 25 mil quilômetros da coluna, entrevistando testemunhas da sua passagem. Descobriu que os revolucionários deixaram após si um rastro de violências, saques, estupros e mortes. As reportagens saíram em livro em 1994, e a repórter pagou o preço pela desconstrução de um dos mitos mais solidamente estabelecidos da história brasileira. parte contestações apenas ideológicas, alegou-se que entrevistara pessoas de idade muito avançada, com memória comprometida pela senilidade, e desqualificou-se o trabalho como sensacionalismo jornalístico.

Mas eis que apareceram os documentos escritos tão estimados pelo positivismo historiográfico. Abriu-se ao público o arquivo de Juarez Távora, integrante da coluna. Do total de 28.556 documentos, mais de 500 dizem respeito à Coluna Prestes. Contam-nos uma tétrica história de covardes violências contra pobre gente das regiões percorridas pela coluna.

Os chefes militares, sobretudo seu comandante, não autorizavam as infâmias, mas deram provas de frouxidão e condescendência imperdoáveis. A marcha da coluna pode ter sido épica, mas foi epopéia manchada de sangue inocente e desmoralizada por vandalismos. O fim justifica os meios, dirão os ideólogos, esquecendo que os meios comprometem irremediavelmente os fins.

A revelação das atrocidades da coluna não tisna só a construção hagiológica da esquerda, mas também a da direita. Para começar, por que é que em vida Juarez Távora não tornou públicos estes fatos? Acontece que ele próprio foi cúmplice das barbaridades. Ademais, a verdade comprometia também seus companheiros que, tendo na maioria rompido com Prestes em maio de 1930, seguiram trajetória de autoritarismo político direitista.

Adaptado de: FREITAS, Décio. Coluna Prestes revisitada. Zero Hora, 13 de junho de 1999.

Considere o período Os homens sentem necessidade de mitificar passados heroísmos, expurgando-os do que houve de desabonatório.(l.9-10). É lícito dizer que o período

 

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