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1504708 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente os textos 1 e 2, para responder à questão 19.



TEXTO 1

LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”


1 Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um

pássaro falante.

O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.

5 Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de

ingrato:

– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.

Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:

– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?

10 O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.

– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.

– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.

O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a

sua preciosa ave:

15– Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui

até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me

disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se

entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em

seguida, caíram mortos no chão.

20 Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a

cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.

O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um

efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma

mesa.

25 Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela

aberta, longe do alcance do dono.

– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia

entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam

que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu

30 ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!


(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).



TEXTO 2

PASSARINHO ENGAIOLADO

(Rubem Alves)


1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era

que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos

funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito

5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos

aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na

alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para

outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da

segurança da gaiola...

10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.

Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco

de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no

15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se

se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro

dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de

seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu

mostrando a língua.

20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda

pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,

que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.

A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com

ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.

25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava

dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em

árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos

meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar

30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a

porta ainda estava aberta.

Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:

– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho

de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)

Relacionando-se os textos 1 e 2, “A mensagem dos pássaros” e “Passarinho engaiolado”, pode-se afirmar que

 

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