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Quando arquiteto e morador encontram-se para

discutir um projeto de habitação, tem-se, por um lado, uma

dimensão de liberdade e de escolha a partir da possibilidade

de pensar e imaginar a casa que se quer e se sonha, baseada

em uma construção cultural, histórica, ideológica e

antropológica. Por outro, há a dimensão da necessidade e da

urgência, quando se trata de população de baixa renda e de

habitação social, traduzida nas ideias da casa como abrigo e

da habitação mínima com sua respectiva solução técnica.

A relação entre essas dimensões revela a

complexidade que caracteriza o diálogo entre arquiteto e

morador e se expressa pelos vínculos e dilemas entre

carência, liberdade, ideologia, gestão, política, técnica e

autonomia. Não me refiro a uma análise dessas categorias em

si, mas às ambiguidades que elas imprimem na produção do

objeto arquitetônico, problematizando o seu processo de

concepção e de construção.

Nesse espaço de diálogos e interlocuções entre

indivíduos e grupos carregados de experiências que ora os

diferenciam, ora os agrupam, efetivam-se as dimensões

participativas, que considero como uma esfera micro da

participação, baseadas no falar e no ouvir o outro a fim de se

conceber e se construir algo coletivamente.

A análise das questões colocadas nessa esfera da

participação pode contribuir para o debate sobre o conceito

de sustentabilidade, aplicado na produção do ambiente

construído, na medida em que pode indicar as limitações e as

potencialidades de um projeto que procura integrar, na

prática, as suas múltiplas dimensões, na perspectiva de se

evitar as categorizações socialmente vazias que são

encontradas em muitas noções sobre sustentabilidade que não

contemplam a diversidade social e suas formas de

apropriação e de uso dos recursos e do ambiente. Além disso,

na discussão sobre princípios e estratégias gerais sobre a

sustentabilidade, há o destaque para a dimensão política por

meio da criação de mecanismos que incrementam a

participação da sociedade nas tomadas de decisão.

SHIMBO, Lúcia Zanin; INO, Akemi. Questões, conflitos e potencialidades do diálogo entre moradores e arquitetos sobre materiais construtivos sustentáveis para habitação. Disponível em: http://www.habitare.org.br/doc/docs_revista/artigo_lucia_shimbo.pdf. Acesso em: 1º/11/2013, com adaptações

Português Caroline Cardoso 1 Considere as afirmações acerca da leitura do texto e julgue os itens subsequentes.

I. O texto é essencialmente informativo.

II. O texto trata da complexa relação entre o processo de concepção da habitação, o produto arquitetônico e o perfil do morador.

III. O texto mostra que é intrínseco à profissão do arquiteto passar por um dilema para escolher entre utilidade e estética.

IV. Os autores do texto assumem um posicionamento crítico em relação ao conceito de sustentabilidade.

A quantidade de itens certos é igual a

 

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