Texto 01: Tecendo a Manhã
1. Um galo sozinho não tece uma manhã:
2. ele precisará sempre de outros galos.
3. De um que apanhe esse grito que ele
4. e o lance a outro; de um outro galo
5. que apanhe o grito de um galo antes
6. e o lance a outro; e de outros galos
7. que com muitos outros galos se cruzem
8. os fios de sol de seus gritos de galo,
9. para que a manhã, desde uma teia tênue,
10. se vá tecendo, entre todos os galos.
11. E se encorpando em tela, entre todos,
12. se erguendo tenda, onde entrem todos,
13. se entretendendo para todos, no toldo
14. (a manhã) que plana livre de armação.
15. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
16. que, tecido, se eleva por si: luz balão.
Publicada na livra A educaçãa pela pedra (1966}. ln: MELO NETO, João Cobrai de. Obra completa: volume único. Org. Marly de Oliveira. Rio de Janeiro: Nava Agui/ar, 1994. p.345. (Biblioteca /usa-brasileira. Série brasileira
Observa-se claramente que João Cabral de Melo Neto reinventa a Literatura por meio de seu poema, trazendo à língua portuguesa uma nova estilística. Certamente essa construção literária se baseia na sociedade, na cultura e nas novas formas do pensamento da década de 60. Partindo desses pressupostos, marque a alternativa que resume a primeira estrofe; quando ela é analisada numa alegoria sobre a identidade coletiva: