Leia o texto abaixo e responda às questões de numero 01 a 05.
FUTURO DESUMANO
Guru de algumas das maiores companhias do planeta – IBM,
Coca-Cola, Mac Donalds, Nestlé, etc.–, nas quais dá consultoria
sobre o que fazer hoje para não se arrepender amanhã, o futuró-
logo e cientista político Richard Watson, em seu novo livro, Future
5 Minds (Mentes do Futuro) alerta para o perigo de caminharmos
em direção a uma sociedade onde as pessoas não conseguirão
sequer pensar sozinhas.
Já tendo escrito sobre o futuro dos arquivos, do dinheiro e das
viagens, agora, ao discorrer sobre o futuro das mentes, diz que
10 só dá para planejar cenários olhando para todas essas coisas ao
mesmo tempo. “Se você trabalha num banco, tende a ler publi-
cações sobre o mercado financeiro ou economia, mas não sobre
tecnologia e demografia. As pessoas leem cada vez mais sobre
cada vez menos assuntos, mas é onde todos os assuntos se unem
15 que podemos identificar tendências. Por isso, passo 80% do meu
tempo lendo”.
E prossegue: “Há muitos falando sobre os aspectos bons dos celu-
lares e do Google, mas há um outro lado. Passamos os dias andando
pela cidade olhando para uma tela de iPod ou BlackBerry e prestamos
20 menos atenção nas pessoas ao redor. Estamos construindo bolhas
onde nunca somos confrontados com ideias divergentes: selecio-
namos só as informações e os amigos que mais nos agradam. Isso
não é bom para o pensamento e a sociedade. Com isso estamos
ficando não só mais rasos como também mais estreitos. Os cientis-
25 tas citam cada vez menos trabalhos e estamos todos olhando para
as mesmas fontes. Isso tem de ter algum impacto na originalidade.
Podemos estar criando uma geração que não poderá pensar por
si própria. Eles têm de ficar online e ver o que o resto das pessoas
pensam antes de responderem a uma questão. Sentimos que não
30 precisamos mais aprender porque é muito fácil achar os dados.
Mas ter só o lado prático do conhecimento significa não enxergar
o contexto em que as informações surgem, o que é preocupante”.
Acrescenta ainda que “o digital cria um nível de conectividade,
mas destrói outros”. Estudo feito há dez anos mostrou que 10% dos
35 americanos diziam não ter amigos para conversar em profundidade
sobre o que sentem. Hoje, esse número subiu para 25%.
No livro, o autor propõe que se pense mais devagar. Indagado
como isso seria possível numa sociedade que pede cada vez
mais produtividade, ele responde: “Quando dizemos que alguém
40 é devagar, isso é associado à burrice. Concordo que a maioria dos
governos e empresas pensam que, se trabalharmos mais devagar,
isso terá efeito negativo na efi ciência, mas é discutível. Estamos
muito ocupados em nossos escritórios fazendo coisas que serão
descartadas depois. Quando um funcionário para um pouco para
45 pensar, vê o seu papel dentro do negócio, identifica possíveis
erros e evita que aconteçam. Quando ele está indo muito rápido,
o máximo que faz é reagir.
E conclui: “Meu temor é que não tenhamos escolha senão nos
tornarmos 100% digitais. E que a gente perca a capacidade de pensar
50 profundamente, uma das coisas que nos define como humanos”.
(Revista Galileu, dezembro de 2010, com adaptações)
Sem prejuízo à sintaxe que se estabelece entre as orações, o segmento “...fazendo coisas que serão descartadas depois.” (l. 43/44) poderia ser reescrito do seguinte modo: