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Texto I

Nós estamos acostumados a ver a mídia como quarto poder, ou seja, responsável pela fiscalização das instituições políticas em países democráticos. Muito já se escreveu sobre a importância fundamental da mídia a partir do século XIX na formação de uma esfera pública capaz de submeter os pólos do poder ao olhar atento da sociedade civil. Contra aqueles que têm medo do poder excessivo dos meios de comunicação de massa na definição da agenda política e da pauta de questões sociais, os defensores do caráter profundamente democrático da mídia lembram sempre da importância reguladora da credibilidade, da concorrência e da pesquisa de opinião.

Um meio de comunicação precisa, antes de tudo, ser verídico no trato com a informação, sob pena de ter sua credibilidade massacrada por outros meios de comunicação. A livre concorrência, por sua vez, funcionaria como garantia para uma multiplicidade de visões, que daria à opinião pública subsídios na orientação de suas decisões. O advento de novas mídias, como a Internet e a tevê a cabo, garantiria ainda mais tal multiplicidade, realizando, enfim, o ideal democrático da modernidade. Toda informação estaria disponível a todos.

O que assistimos atualmente é exatamente o colapso dessa visão. A mídia fracassou como quarto poder, o que nos obriga a pensar na estruturação de um quinto poder que venha da sociedade civil e que tenha como função central a fiscalização do poder da mídia.

Vladimir Safatle. O quinto poder. In: Correio Braziliense, "Pensar", 11/10/2003, p. 10 (com adaptações).

Texto II

Os elementos do Jornalismo: o que os Jornalistas Devem Saber e o Público Exigir, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, aborda a natureza da profissão a partir das transformações pelas quais está passando. Os autores fazem uma revisão dos princípios históricos do jornalismo para entender por que, nos Estados Unidos da América, o público está cada vez mais desinteressado do noticiário. Afinal, se ter e utilizar informação é fundamental, se o mundo está mais confuso e se a notícia continua necessidade básica para orientação da sociedade, por que a descrença na imprensa?

Vários fatores poderiam ser o ponto de partida para tentar entender a situação. Aumenta a dependência, que pode levar à submissão, de veículos a anunciantes e governos. Ampliam-se a aquisição e o uso instrumental de veículos de comunicação por corporações sem tradição na imprensa, fator ainda não consolidado no Brasil. É cada vez maior a capacidade das fontes de oferecer e manipular informação, o que gera espetáculo pseudojornalístico, levando para o chão o nível do noticiário. E há, claro, a competição com a Internet, alternativa mais rápida e fácil de acesso à informação.

Conseqüências da pressão exterior, mas também causas da vulnerabilidade, a limitação de espaço para material editorial, a menor profundidade nos textos e a redução das equipes ajudam a agravar a situação. Todas as alternativas são tentadoras para explicar a falha da imprensa em manter seu papel de orientadora dos debates públicos e guardiã dos interesses da sociedade.

O mérito do livro de Kovach e Rosenstiel é a opção por tratar das referências deontológicas a partir das quais o jornalismo deve ser praticado. É uma obra que sugere o resgate e a atualização dos conceitos básicos nos quais a profissão foi construída como caminho de resistência para manutenção do vigor da atividade.

Jorge Duarte. Quem lê tanta notícia? In: Correio Braziliense. "Pensar", 27/9/2003, p. 4 (com adaptações).

A respeito dos textos I e II, julgue o item a seguir.

Diferentemente do texto I, que é um artigo de opinião, o texto II, por seus elementos estruturais, seu objetivo e suas informações, caracteriza-se como resenha crítica.

 

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