A atual revolução tecnológica lança, a cada ano, novas formas de leitura, mudando não só o modo como a literatura édistribuída, mas também como é escrita, à medida que os autores se ajustam a essas novas realidades. Ao mesmo tempo, alguns dostermos que começamos a usar recentemente parecem momentos anteriores da longa história da literatura.
Hoje, muitos já leem em uma tela. No dispositivo, o leitor irá virar páginas ou rolar um texto. Dois milênios após o rolo de papiroter dado lugar ao livro de pergaminho, esse movimento de rolagem voltou, visto que a infindável sequência de palavras armazenadaspelos computadores está mais próxima de um pergaminho do que de páginas separadas. E, como os antigos escribas, mais uma veznos sentamos curvados sobre “tabuletas”. A narração oral também retornou. Como bem se sabe, palavras “escritas” podem serapenas ouvidas em um dispositivo de áudio.
Mas a revolução tecnológica por si só não assegura o futuro da literatura. A única garantia de sobrevivência de uma obra é ouso contínuo: um texto precisa permanecer relevante o suficiente e ser lido, traduzido, transcrito e transcodificado pelas geraçõesfuturas para persistir ao longo do tempo.
(Adaptado de: PUCHNER, Martin. O mundo da escrita. Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, edição digital)