A
A Terapia-Cognitivo Comportamental representa um
avanço do modelo estímulo-resposta proposto por
Watson, apontando para o reconhecimento dos
estímulos que eliciam nossos comportamentos e
modificando estas relações, de modo a produzir
significativos resultados terapêuticos, como que é
mostrado, por exemplo, no filme "Laranja Mecânica".
No contexto do Pós-AVC ou pós-TRM, a alteração
destas relações estímulos-respostas tem gerado
importantes consequências sobre os sintomas
depressivos, de ansiedade, sobre os hábitos
relacionados à saúde e sobre a adesão a outras
terapias não psicológicas.
B
Existe inter-relação entre cognição, emoção e
comportamento. A TCC visa corrigir as distorções
cognitivas que geram os problemas em tratamento e
fazer com que o usuário desenvolva meios mais
eficazes para enfrentá-los. São utilizadas técnicas
cognitivas, as quais buscam identificar os
pensamentos automáticos, testar estes pensamentos
e substituir distorções cognitivas, e técnicas
comportamentais, com o intuito de modificar
condutas inadequadas relacionadas às condições em
tratamento.
C
Corpo, mente, emoções e relações são
compreendidos de forma integrada, com ênfase no
desenvolvimento da totalidade do ser. O ser humano
possui uma inclinação ao crescimento,
desenvolvimento pessoal e realização do próprio
potencial, desde que esteja em um ambiente
favorável. A compreensão da pessoa deve partir de
sua vivência interna e de sua percepção do mundo,
valorizando o aqui e agora. A qualidade do vínculo
entre terapeuta e cliente — pautado na empatia,
aceitação incondicional e autenticidade — é
considerada central para o processo terapêutico. O
indivíduo é visto como fundamentalmente livre e
responsável por suas escolhas, sendo capaz de
autodeterminação e mudança. O foco terapêutico
está no fortalecimento da consciência de si, da
liberdade e da responsabilidade pessoal.
D
Cada pessoa é única e o processo terapêutico deve
respeitar e acolher essa singularidade sem impor
normas externas ou interpretações reducionistas. O
ser humano é absolutamente livre para escolher e
construir seu modo de ser no mundo, sendo
responsável por suas escolhas, mesmo quando tenta
negá-las. O sujeito não nasce com uma essência
pré-definida; ao contrário, constrói sua identidade ao
longo da vida, por meio de suas ações, escolhas e
relações. O sofrimento psíquico pode emergir da
tentativa de negar a própria liberdade e
responsabilidade, por meio de autoengano, rigidez
de papéis sociais ou da adesão a valores externos
de forma acrítica. A consciência é sempre dirigida a
algo e o sujeito está em constante relação com o
mundo, jamais sendo uma entidade isolada ou
fechada em si mesma. O indivíduo é compreendido
como um ser em constante vir-a-ser, sempre em
construção e em movimento existencial, orientado
por seus projetos e possibilidades. A compreensão
clínica parte da experiência concreta e única do
sujeito, sem reduzi-la a diagnósticos, estruturas ou
categorias generalizantes. A relação terapêutica é
um espaço em que o sujeito pode se confrontar com
sua liberdade, seus projetos e sua responsabilidade
diante da própria existência.
E
Pensamentos, emoções e comportamentos estão
inter-relacionados e se influenciam mutuamente. A
forma como o indivíduo interpreta as situações
determina, em grande parte, suas reações
emocionais e comportamentais. Interpretações
precisas, mesmo que funcionais, da realidade
contribuem para o surgimento e a manutenção de
transtornos psicológicos. A modificação de
pensamentos disfuncionais pode levar à mudança de
emoções e comportamentos, promovendo melhora
clínica. O paciente é incentivado a desenvolver
habilidades de autoconhecimento, autorregulação e
resolução de problemas. A intervenção é
espontânea, não estruturada, mas orientada por
objetivos, e baseada em evidências empíricas.
Experiências de aprendizagem (exposição,
reestruturação cognitiva, treino de habilidades) são
fundamentais para a mudança terapêutica.