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3051046 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFAC
Orgão: UFAC
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Esta noite a onça atacará

A menina Ruth tremia de medo: o dia terminava e a noite se aproximava. Mas não era medo do escuro, pois já estava acostumada a viver no escuro. Criada na mata, todos os sons lhe eram peculiares e aquele mundo de terra selvagem com muito verde, era seu lar. Nem sabia se estava no Brasil, nem sabia se estava na Bolívia, tamanha a distância daquele seringal de tudo que se movesse a gasolina ou a óleo diesel.

Seu medo era interno: da mãe querida, por sua enfermidade que a cada dia roubava-lhe as forças e definhava o corpo da maior amiga e incentivadora.

E do pai, que praticamente com ela não falava mas vociferava, resmungava e intimidava. Era um homem crente, mas era um homem da mata, onde valia a lei da selva nos relacionamentos – em todos eles: pouca fala, muita intimidação, quem sabe até por defesa. No meio das feras o homem transformava-se em uma delas aos poucos.

Com filhos pequenos, com Ruth, seis, a mãe procurava os últimos instantes de vida para ensinar-lhe tudo: cozinhar, cuidar das crianças, da casa, mexer com o fogo, remendar o fogão de barro que ela mesmo enfraquecida fizera, cuidar dos cachorros e caçar.

“É assim que se caça, minha filha”. Deitada a maior parte do tempo, a enferma Emília repassava à menina Ruth – de pouco mais de 10 anos, como ela deveria fazer na prática, senão, ninguém comeria naquele dia ou quem sabe, naquela semana.

...O pai levantava cedo, ainda escuro, colocava a poronga na cabeça e se emaranhava na mata fechada para colher látex. Poronga é a lamparina acreana, um capacete segurando a única forma de luminosidade possível ali.

BORGES FILHO, Jáder. Faith & Book: crônicas e situações que vivi...

São José dos Campos, 2015, pp. 125-126.

A regência nominal e verbal está CORRETA na alternativa:

 

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