13 DE MAIO
Desprezo, odeio a distinção da cor,
pois não conheço a distinção da raça.
Acaso o negro é homem sem valor?!
Não chora, como branco, uma desgraça?!
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Acaso o Deus soberbo não abraça,
com um carinho igual e igual calo [sic],
a Humanidade inteira que esvoaça
a suplicar o seu perdão de amor?!
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Então, se o céu é franca moradia
De todo o pecador arrependido
Porque manter essa ousadia?!
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Bendita abolição da escravatura que resgatou,
num gesto enobrecido,
uns anos de vergonha e de amargura.
(SILVA, Viana. “13 de maio”. In: O Democrata, Ano I, nº 21, Salvador -BA, 13 de maio de 1916).
A poesia faz menção à Lei de 13 de maio, que aboliu a escravidão, e suas representações ainda na Bahia da Primeira República. Segundo a historiografia recente sobre o fim da escravidão no Recôncavo baiano,