Falta d'água põe em risco festas de Carnaval por todo o país
Crise hídrica provoca o cancelamento da folia em cidades de Minas Gerais e São Paulo. Palcos de
festas tradicionais, Ouro Preto (MG) e Olinda (PE) sofrem com racionamento. No Rio, estiagem altera
até alegoria de escola de samba.
“Olha, olha, olha, olha a água mineral...” Cantavam os baianos do Timbalada naquele que se tornou o hit do Carnaval de 2010 – e seguiu agitando foliões nos verões seguintes. A folia deste ano ainda não tem seu hit definido, mas uma coisa é certa: em tempos de crise hídrica, este será, de fato, o Carnaval da água mineral. A escassez de chuvas que castiga, sobretudo, o Sudeste não altera apenas a rotina dos moradores da região: vai atrapalhar também a festa. Dez cidades de Minas Gerais e São Paulo já cancelaram as comemorações do Carnaval 2015 por causa da falta d’água. E outras se preparam para a festa sob o fantasma do racionamento.
Palco de um dos mais tradicionais carnavais do país, Ouro Preto (MG) decretou racionamento de água quase um mês antes da festa. A expectativa é que o abastecimento seja normalizado até lá: a medida foi, na verdade, uma forma de prevenir que a cidade ficasse sem água durante as comemorações. Ainda assim, as famosas repúblicas onde se hospedam a maioria dos foliões em Ouro Preto podem ficar com as torneiras vazias em pleno Carnaval.
O quadro não é exclusividade do Sudeste: com um dos mais famosos carnavais do Brasil, a cidade histórica de Olinda, em Pernambuco, está em racionamento de água desde dezembro por causa do baixo nível da Barragem de Botafogo. Durante o Carnaval, quando são esperados 2 milhões de turistas, haverá um esquema especial para abastecimento do sítio histórico e das praias, onde há o maior fluxo de pessoas, segundo a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
Mas não são apenas as cidades onde o racionamento já está decretado que sentem os efeitos da crise hídrica no Carnaval. No Rio de Janeiro, o bloco Imprensa Que Eu Gamo optou por não utilizar caminhão-pipa para lançar água sobre os foliões para minimizar o calor. Já na Sapucaí, a escola de samba União da Ilha adaptou o desfile à estiagem: o último carro alegórico da agremiação, batizado de fonte da juventude, agora terá uma fonte seca, alimentada por efeitos especiais e produtos químicos. O presidente da escola, Ney Filardi, explica que 4.000 litros de água foram economizados com a alteração – que acresceu o preço do desfile em 25.000 reais. “Isso em nada afeta a concepção da alegoria, apenas contribui para evitar o desperdício. Estamos engajados na campanha por economia também na quadra, onde usamos água da chuva para limpeza”, explica Filardi.
(FARINA, Carolina. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/falta-dagua-prejudica-festas-de-carnaval-por-todo-o-pais. Acesso em: 03/02/2014. Adaptado.)
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