“Segundo essa compreensão, o indivíduo nasce, pois, com um conjunto de mecanismo sensório-motores, os quais comportam funções e estruturas. As funções consistem nos modos biologicamente herdados de interação do indivíduo com o ambiente, e, entre elas, duas são básicas: a função de organização e a função de adaptação. Ao longo do desenvolvimento, enquanto as funções permanecem inalteradas, as estruturas se inserem num movimento ininterrupto de mudanças. Esse movimento de passagem é designado como „processo de equilibração", devendo resultar num estado de equilíbrio, o qual, sendo sempre dinâmico, pode deflagrar novas desequilibrações e, portanto, novo processamento de busca de equilibração, dirigido por um mecanismo de autoregulação. Em outras palavras, as estruturas encontram-se em permanente movimento em direção ao se próprio delineamento, o qual se efetiva quando atingido um estado de equilíbrio. Contudo, uma vez atingido um certo equilíbrio, em vez de uma estabilização definitiva da estrutura verifica-se que, diante de novas demandas colocadas pelo ambiente, manifestam-se lacunas e inconsistências que imediatamente provocam desequilíbrio, acionando um novo esforço de equilibração. Tal concepção não comporta a ideia de transformação, mas apenas de mudança, pois enquanto a primeira implica uma alteração radical, sobretudo de base sobre a qual o dado da realidade se constrói, a segunda admite apenas modificações que, no entanto, se processem sobre uma base inalterada.
Lígia Regina Klein [Texto adaptado]
O excerto acima trata sobre a concepção de: