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2504738 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: MPE-GO
Orgão: MPE-GO
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E, durante algum tempo, prendeu a atenção de todos, discorrendo sobre Otávio Feuillet, sobre a França e sobre os escritores franceses. Ao referir-se aos romances realistas, citou as obras de Gustavo Flaubert: Salambô, Madame Bovary, Educação sentimental…
– Não se limita a conhecer só a geografia – acrescentou a meia voz, o velho missionário. – Sabe também literatura a fundo!
Realmente. A precisão com que o erudito Vladimir citava datas e nomes e a segurança com que expunha os diversos assuntos não deixavam dúvida sobre a extensão de seu considerável saber.
Nesse momento, começa uma forte ventania. As janelas e portas batem com violência. Alguns excursionistas, que se achavam na sala, mostraram-se assustados.
– Não tenham medo – acudiu, bondoso, o extraordinário Kolievich. – Não há motivo para temores e receios. Faye, o grande astrônomo, que estudou a teoria dos ciclones…
E depois de discorrer longamente sobre a obra de Faye passou a falar, com grande loquacidade, dos ciclones, avalanchas, erupções e de todos os flagelos da natureza.
Senti-me seriamente intrigado. Quem seria, afinal, aquele homem tão sábio, de rara e copiosa erudição, que se deixava ficar modesto, incógnito, como simples aventureiro, sozinho, no pátio da linda mesquita de Kasb. Não me contive e fui ter com ele.
– O senhor maravilhou-nos ontem com o seu saber – confessei respeitoso. – Não podíamos imaginar, com franqueza, que fosse um homem de tão grande cultura. A sua academia, com certeza…
– Qual, meu amigo! – obtemperou ele, amável, batendo-me no ombro. – Não me considere um sábio, um acadêmico ou um professor. Eu pouco sei – ou melhor – eu nada sei. Não reparou nas palavras de que tratei? Falgu, filazenas, Feuillet, França, Flaubert, Faye, flagelo. Começam todas pela letra “F”! Eu só sei sobre palavras que começam pela letra “F”!
Fiquei ainda mais admirado. Qual seria a razão de tão curiosa extravagância no saber?
– Eu lhe explico – acudiu com bom humor o estranho viajante. – Sou natural de Petrogado, e vivo do comércio do fumo. Estive, porém, por motivos políticos, durante dez anos nas prisões da Sibéria. O condenado que me havia precedido, na cela em que me puseram, deixou-me como herança os restos de uma velha enciclopédia francesa. Eu conhecia pouco esse idioma, e – como não tivesse em que me ocupar – li e reli, centenas de vezes, as páginas que possuía. Eram todas da letra “F”. Desde então fiquei sabendo muita coisa, tudo, porém, sem sair da letra “F”: fá, fabagela, fasbela, fabiana, fasbordão.
Achei curiosa aquela conclusão da original história do inteligente Kolievich – o negociante de fumo.
Ele era precisamente o contrário do famoso e venerado rio Falgu, da Índia. Parecia possuir uma corrente enorme, profunda e tumultuosa de saber; entretanto, sua erudição, que nos causara tanto assombro, não ia além dos vários capítulos decorados da letra “F” de uma velha enciclopédia.
Era, inquestionavelmente, o homem que mais conhecia a ciência que ele mesmo denominara “Efelogia”!
(Malba Tahan, O sábio da Efelogia. Disponível
em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Profa/col_2.pdf. Acesso em 10/09/2015)
Assinale a alternativa cujo conteúdo esteja integralmente correto.
 

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