Texto 2
Identidade
Preciso ser um outro
Para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que desgasta
Sou pólen sem inseto
Sou areia sustentando
O sexo das árvores
Existo onde me desconheço
Aguardando pelo meu passado
Ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
No mundo por que luto nasço.
Mia Couto, em “Raiz de orvalho e outros poemas”. Lisboa: Editorial Caminho, 1999.
A partir da leitura de Identidade, julgue as assertivas seguintes, a respeito do uso de figuras de linguagem no texto:
I. A metonímia está presente no verso: “Sou grão de rocha / Sou vento que desgasta”, demonstrando uma incompletude constante do eu lírico.
II. Há uso da figura sinestesia nos versos “Sou areia sustentando / O sexo das árvores”, pois atribui aos elementos da natureza características de outros seres.
III. Os dois últimos versos apresentam paradoxo, conforme percebe-se na oposição de ideias de morrer e nascer que se relacionam a um mesmo mundo