Magna Concursos
1894118 Ano: 2019
Disciplina: Teologia
Banca: COTEC
Orgão: Pref. Diamantina-MG

Os cenários escolares brasileiros, especialmente no sistema público, têm revelado uma alta estatística de violência nos últimos anos. Essa situação envolve muitos fatores e tem preocupado especialistas em pedagogia, sociologia e psicologia da educação. As formas e os métodos de repressão de um passado breve (anos 1950-1980) alteraram-se. Aparentemente, ocorreu uma abertura na relação professor/aluno a partir da década de 1990, seguida de um relaxamento do rigor repressivo até então mantido através de punições como advertências, castigos, suspensão, expulsão e retirada de notas nas avaliações. Nessa direção, o que se vê é a instalação de ambientes anárquicos e a experiência de comportamentos indisciplinados e até violentos, salvo as exceções. Muito se discute sobre a disseminação de drogas, as influências da televisão e da internet em seus aspectos negativos, assim como a elaboração de leis protetoras dos direitos do menor, muitas vezes confundidas com liberação de toda ordem. Vê-se crescer cada vez mais o quantitativo de adolescentes grávidas e o liberalismo sexual. Os resultados da aprendizagem são profundamente negativos. No fundo, o que se vê é a continuidade da repressão e do recalque dados pela impotência e pelo fracasso escolar, uma imposição sistemática de uma elite econômica. Nesse contexto, as consequências do relacionamento entre docentes e discentes exigem análises que remetem à psicologia ou à psicanálise freudiana, como condição de compreensão dos comportamentos atuais, assim como pensar as “saídas” ou “curas” do desprazer da educação no Brasil para a maioria dos professores e dos alunos. Desse modo, é importante a atenção dos educadores para o que propõe Kupfer, em sua obra Freud e a educação: o mestre do impossível (1992), quando aborda a importante necessidade da sublimação no processo de educação, assim posto: “As bases necessárias à sublimação são fornecidas pelas pulsões sexuais parciais e claramente perversas. Portanto, uma ação educativa que se propusesse desenraizar o ‘mal’ em que nasce a criança estaria não fadada ao fracasso como estaria atacando uma fonte de um ‘bem’ futuro. Aqui, como diz Catherine Millot, Freud poderia ser aparentemente identificado com o pedagogo clássico, que também via na criança um mal originário, principalmente entre os educadores religiosos, com o pecado original. Estaria, de outro lado, mas afastado de Rousseau, que apostava em um bem natural depois subvertido pela cultura. Freud deixa de ser identificado como pedagogo tradicional a partir do momento em que preconiza o desenraizamento do ‘mal’, mas propõe a sua utilização, a sua canalização, em direção aos valores ‘superiores’, aos bens culturais, de produção socialmente útil. ‘Sem perversão’, diz ele, ‘não há sublimação’. Sem sublimação, não há cultura. Em um texto de 1913, que versa sobre o interesse educacional pela psicanálise, Freud escreve que os educadores precisam ser informados de que a tentativa de supressão das pulsões parciais não só é inútil como pode gerar efeitos como a neurose. De posse dessa informação, os educadores poderão reduzir a coerção, e dirigir de forma mais proveitosa a energia que move tais pulsões”.

Essa proposta freudiana de reduzir a coerção para dirigir de forma mais proveitosa a energia que move as pulsões seria a causa

 

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