Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: UNEC-MG
Quanto à mãe de Ofélia, ela temia que à força de morarmos no mesmo andar houvesse intimidade e, sem saber que também eu me resguardava, evitava-me. A única intimidade fora a do banco do jardim, onde, com olheiras e boca fina, falara sobre enfeitar bolos.
Eu não soubera o que retrucar e terminara dizendo para que soubesse que eu gostava dela, que o curso dos bolos me agradaria. Esse único momento mútuo afastaranos ainda mais, por receio de um abuso de compreensão. A mãe de Ofélia chegara mesmo a ser grosseira no elevador: no dia seguinte eu estava com um dos meninos pela mão, o elevador descia devagar, e eu, opressa pelo silêncio que, à outra, fortificava – dissera num tom de agrado que no mesmo instante também a mim repugnara: – Estamos indo para a casa da avó dele. E ela, para meu espanto: – Não perguntei nada, nunca me meto na vida dos vizinhos.
(Clarice Lispector, no livro “Felicidade clandestina”. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)
O contexto de produção literária que abrange a terceira fase do Modernismo no Brasil aponta aspectos que podem ser evidenciados no trecho da obra de Clarice Lispector, como: