Magna Concursos
822621 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
Provas:

Leia o texto para responder às questões de números 37 a 40.


Lamento do oficial por seu cavalo morto

(Cecília Meireles)


Nós merecemos a morte,

porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos,

pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra,

por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens

que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.


Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia,

os cálculos do gesto,

embora sabendo que somos irmãos.

Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados

de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros!

Que delírio sem Deus, nossa imaginação!


E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada,

recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno,

ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração.

Animal encantado – melhor que nós todos!

– que tinhas tu com este mundo

dos homens?


Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada

em carne e sonho, que os teus olhos decifravam...

Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos...

Como vieste morrer por um que mata seus irmãos!


(In: Mar Absoluto e outros poemas: Retrato Natural. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983)

Em – (…) Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno, / ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração. –, há uma oposição entre os corações dos dois seres relacionados no poema – cavalo e soldado – que pode ser expressa, correta e respectivamente, pelo par

 

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