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2640794 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Cachoeirinha-RS
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Para responder às questões de 01 a 10, leia o texto abaixo.

Interferência do Tempo

  1. Há quem diga que o tempo não existe, que somos
  2. nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com
  3. nossos relógios calendários. Nem ousarei discutir
  4. essa questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o
  5. tempo não existe, eu existo.Se o tempo não passa, eu
  6. passo. E não é só o espelho que me dá a certeza disso.
  7. O tempo interfere no meu olhar. Lembro do
  8. colégio em que estudei durante mais de uma década,
  9. meu primeiro contato com o mundo fora da minha
  10. casa. O pátio não era grande - era colossal. Uma
  11. espécie de superfície lunar sem horizontes à vista,
  12. assim eu o percebia aos sete anos de idade. As
  13. escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas
  14. atravessavam os telhados. Os corredores eram
  15. passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes
  16. portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes.
  17. Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro
  18. que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o
  19. pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem
  20. o tamanho que parecia ter antes. O tempo ajustou
  21. minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.
  22. A interferência do tempo atinge minhas emoções
  23. também. Houve uma época em que eu temia certo tipo
  24. de gente, aqueles que estavam sempre a postos para
  25. apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas,
  26. e a sensação que me causam não é nem um pouco
  27. desafiadora. E mesmo os que amei já não me
  28. provocam perturbação alguma, apenas um carinho
  29. sereno. Me pergunto como é que se explica que
  30. sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva
  31. se desintegrem. Alguém era grande no meu passado,
  32. fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo,
  33. dando a devida proporção aos meus afetos e
  34. desafetos.
  35. Talvez seja esta a prova da sua existência: o
  36. tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da
  37. infância, que exigia muitas pedaladas para ser
  38. percorrida, hoje é atravessada em poucos passos.
  39. Uma árvore, que para ser explorada exigia uma certa
  40. logística - ou ao menos um "calço" de quem estivesse
  41. por perto e com as mãos livres-, hoje teria seus galhos
  42. alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo
  43. do tamanho que é, sem a condescendência da
  44. fantasia. E ainda nem mencionei as coisas que
  45. realmente foram reduzidas: apartamentos que
  46. parecem caixotes, carros compactos, conversas
  47. telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de
  48. cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da
  49. infância, em que cabia com folga nos a imaginação e
  50. inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao
  51. mínimo a uma vida funcional. Eu cresci. Por dentro e
  52. por fora' (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande,
  53. como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa
  54. volta virou aldeia somos todos vizinhos, todos
  55. vivendo apertados, financeira e emocionalmente
  56. falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma
  57. esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho
  58. do futuro - quando o futuro também era infinito à nossa
  59. frente.

Autor: Martha Medeiros (adaptado).

O adjetivo colossal (l.10) poderia ser substituído, sem que houvesse alteração de sentido no texto, EXCETO POR:

 

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