Eu tinha onze anos, Joel, treze, o que, além do tamanho, lhe bastava para se atribuir definitivamente autoridade sobre mim. Na realidade, Joel era meu comandante. Já exercia o comando na cidadezinha onde crescêramos amigos inseparáveis; diante do espetáculo da “cidade grande”, minha timidez xucra apoiava-se na sua capacidade de resolver, dirimir e providenciar, atributos que sempre me faleceram. Quando meu pai se decidira a internar-me naquele colégio distante, o pai de Joel considerou que devia fazer o mesmo com seu filho. O prazer que isso me causou não vinha somente de que eu teria ao meu lado o amigo mais agradável e com quem me entendia melhor; era ainda como se eu vagamente considerasse Joel um protetor, um guia cômodo (...).
Carlos Drummond de Andrade. O sorvete. In: Antologia de contos brasileiros, 8.ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003, p. 103.
Com referência às idéias e às estruturas do texto acima, julgue o item.
A expressão “o amigo mais agradável” complementa a forma verbal “teria”.