“As pessoas dão encontrões umas nas outras para buscar contato”, diz o detetive negro para sua namorada branca mexicana, em uma das cenas de Crash – No limite, Oscar de melhor filme deste ano.
Para o diretor do filme, encontrões entre carros e pessoas são expressões de uma busca exasperada por contato — pura carência afetiva. Assim como milhares de jovens que marcam o corpo todo com tatuagens e piercings ou se cortam com estilete, os personagens vão às últimas consequências na procura por uma identidade que só se afirma com a dor e a morte.
Diante de Crash, resta-nos debruçar sobre essas questões dolorosas, sem álibis, para assistir a um filme que não foge das feridas do mundo contemporâneo. Pelo contrário, expõe ao espectador a perplexidade e a ausência de respostas.
Faz sentido que, em Crash, não existam protagonistas, o filme é sobre todos nós. Não há culpados nem vítimas e, sim, uma narrativa fragmentada, em um vaivém alucinado. Em Crash, exibe-se, com lucidez, a subjetividade esmagada por um mundo onde pouco nos resta a não ser encontrões doloridos.
Viver – Mente & Cérebro, maio/2006, p.15 (com adaptações).
Com base nesse texto, julgue o item subsequente.
Sem prejuízo para o sentido original do texto, a forma verbal hajam poderia, com igual correção gramatical, substituir a forma verbal “existam”.
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