Não há dúvida de que o preconceito contra a mulher é forte no Brasil e que cabe ao poder público tomar medidas para reduzi-lo. Pergunto-me, porém, se faz sentido esperar uma situação de total isonomia entre os gêneros, como parecem querer os discursos dos políticos.
Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação. Quando isso fosse resolvido, surgiria o equilíbrio. Não foi, porém, o que ocorreu, como mostra Susan Pinker, em "The Sexual Paradox". Para ela, não se pode mais negar que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. Elas se materializam estatisticamente (e não deterministicamente) em gostos e aptidões e, portanto, na opção por profissões e regimes de trabalho.
Embora não tenham sido detectadas, por exemplo, diferenças cognitivas que as tornem piores em ciências e matemática, mulheres, quando podem, preferem abraçar profissões que lidem com pessoas (em oposição a objetos e sistemas). Hoje, nos Estados Unidos, elas dominam a medicina e permanecem minoritárias na engenharia.
Em países hiperdesenvolvidos, como Suécia e Dinamarca, onde elas gozam de maior liberdade de escolha, a proporção de engenheiras é menor do que na Turquia ou na Bulgária, nações em que elas às vezes são obrigadas a exercer ofícios que não os de seus sonhos. Só quem chegou perto do 50-50 foi a URSS, e isso porque ali eram as profissões que escolhiam as pessoas, e não o contrário.
Mulheres também não se prendem tanto à carreira. Trocam um posto de comando para ficar mais tempo com a família. Assim sacrificam trajetórias promissoras em favor de horários flexíveis. É esse desejo, mais que a discriminação, que explica a persistente diferença salarial entre os gêneros em nações desenvolvidas.
Para Pinker, as mulheres seriam mais felizes se reconhecessem as diferenças biológicas e não perseguissem tanto uma isonomia impossível.
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, A2 opinião, 10 de março de 2012)
Considere as afirmativas seguintes a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto.
I. ... preferem abraçar profissões que lidem com pessoas (em oposição a objetos e sistemas).
Os parênteses podem ser retirados da frase, sem alteração do sentido original, se for colocada uma vírgula após pessoas.
Os parênteses podem ser retirados da frase, sem alteração do sentido original, se for colocada uma vírgula após pessoas.
II. ... nações em que elas às vezes são obrigadas a exercer ofícios que não os de seus sonhos.
A frase permanecerá correta caso se coloque uma vírgula entre a palavra que e o segmento não os de seus sonhos.
A frase permanecerá correta caso se coloque uma vírgula entre a palavra que e o segmento não os de seus sonhos.
III. Em países hiperdesenvolvidos, como Suécia e Dinamarca, onde elas gozam ...
A vírgula que separa a expressão inicial poderá ser corretamente substituída por dois-pontos, para introduzir o segmento como Suécia e Dinamarca.
A vírgula que separa a expressão inicial poderá ser corretamente substituída por dois-pontos, para introduzir o segmento como Suécia e Dinamarca.
Está correto o que consta em
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