E-mail: um aliado na formação
Estabelecer um diálogo virtual com a equipe complementa a discussão das reuniões pedagógicas
Foi-se o tempo em que o e-mail era usado entre gestores e professores somente para a troca de avisos gerais, convocações e informações burocráticas. Hoje, muitas equipes descobriram que o correio eletrônico é uma ferramenta para o aperfeiçoamento da prática pedagógica. A lógica é bastante simples: antes dos encontros de formação, os docentes partilham dúvidas e experiências com o coordenador pedagógico, que, por sua vez, indica materiais bibliográficos e faz comentários e sugestões. Assim, o professor ganha bagagem extra para começar a pensar sobre sua prática e chegar à reunião pedagógica mais preparado. O coordenador pedagógico, por sua vez, adquire subsídios para planejar a formação, ancorando-se nas necessidades de sua equipe, e forma um acervo de qualidade, com experiências de sucesso que poderão ser compartilhadas com os pares.
É certo que esse trânsito prévio de informações pode – e deve – acontecer presencialmente. Porém, o uso do e-mail tem uma vantagem: viabiliza diálogos que poderiam ter de esperar muito para acontecer!$ ^{a)} !$. Por exemplo, o do coordenador com os professores que não vão à escola todos os dias e o que deve se dar entre grupos que atuam em turnos distintos e dificilmente se encontram ao longo da semana. Quando o coordenador pedagógico se ausenta para receber formação própria, ele pode continuar orientando a equipe!$ ^{b)} !$. Trocar e-mails com propósitos formativos tem certo paralelo, portanto, com o ensino a distância: a interação presencial jamais será descartada, mas é bastante facilitada pela vivência online. [...]
Pelos corredores da EEB Wanderley Júnior, em São José, na Grande Florianópolis, circulam cerca de 1.170 alunos e mais de 80 professores, que dão aulas às turmas do 7º ano do ensino fundamental ao ensino médio em horários diferentes. “Com uma equipe desse tamanho e tantos especialistas que pouco se encontram, o e-mail facilita a troca informativa e formativa”, conta a orientadora educacional, Sônia Souto Mayor Rondon Montebello.
Para começar, os docentes opinam a respeito das datas das reuniões pedagógicas mensais. Elas nunca são marcadas no mesmo dia da semana a fim de permitir que todos participem da maioria dos encontros, evitando assim a ausência dos que atuam em outras escolas. O e-mail também é usado para definir a pauta: “Já recebi sugestões para organizar oficinas sobre o uso das novas tecnologias e da legislação educacional, palestras com membros do conselho tutelar e do Ministério Público e cursos de aprofundamento didático dos conteúdos que estão sendo trabalhados em sala de aula”, relata Sônia.
Com o objetivo de ajudar a equipe, a orientadora busca indicar previamente materiais de leitura. Ela nota que, quando isso acontece, os professores chegam aos encontros mais seguros. Até a frequência aumenta, pela expectativa que as mensagens eletrônicas criam no grupo. “Como não estou todos os dias na escola, o e-mail é uma forma prática de me inteirar sobre os projetos em andamento e tirar dúvidas!$ ^{d)} !$. Quando organizamos o produto final do projeto de dança da escola, redigimos propostas e enviamos por e-mail aos gestores, pedindo sugestões e orientações. As reuniões para decidir e tirar dúvidas ficaram mais curtas, pois já tínhamos as informações e a discussão estava avançada!$ ^{e)} !$”, diz Clarice Corrêa, professora da oficina oferecida no Ensino Médio Inovador, iniciativa do governo federal com turmas do período integral. O computador com internet na sala dos professores ficou disputado, e os gestores já buscam verbas para ampliar as possibilidades de acesso para essa equipe, que é grande e conectada.
LOPES, Noêmia. Nova Escola – Gestão Escolar. Ano V, n. 24, fev./mar. 2013, p. 48-53. Adaptado.
A tese de que “o professor ganha bagagem extra para [...] chegar à reunião pedagógica mais preparado” é exemplificada corretamente pelo excerto: