A partir de 2013 novíssimos atores entraram em cena e mudaram o panorama das manifestações no Brasil com multidões nas ruas após serem convocadas por redes sociais on-line. As causas para o entendimento destas alterações devem ser buscadas tanto na conjuntura político-econômica interna do país, como na conjuntura externa. Essa última dada pelos reflexos da crise econômica internacional a partir de 2008, geradora de grandes mobilizações e manifestações ocorridas na Europa, com o movimento dos Indignados na Grécia, Espanha, Portugal, as manifestações do movimento Occupy e as ocorridas na Turquia, na Praça Taksim em 2013; assim como as lutas pela redemocratização no Oriente Médio, com a Primavera Árabe na Tunísia, Egito etc. (GOHN, 2013; 2014). É importante destacar que, embora haja grandes diferenças e especificidades históricas entre as manifestações dos indignados em outros países do mundo e as manifestações de junho de 2013 no Brasil, seus efeitos sobre o quadro do associativismo existente são similares. Elas alteraram a pauta das demandas até então predominantes no país, as quais tinham, até então cunhas mais específicos, focados em demandas ancoradas em questões da identidade cultural ou socioeconômica de um grupo (TOURAINE, 2005). Os protestos de junho demarcaram a inclusão de novas formas de ativismo, transnacionais (DELLA PORTA; TARROW, 2005), atuando em questões locais e nacionais, além de retomarem com força demandas focadas em problemas da vida cotidiana - mobilidade urbana, emprego, finanças/salário, dívidas, serviços sociais como educação e saúde, moradia popular, terra para viver e plantar (demanda já secular, agora em confronto com o agronegócio e outros) etc.
(GOHN, Maria da Glória Marcondes. Manifestações de protesto nas ruas no Brasil a partir de junho de 2013:
novíssimos sujeitos em cena. Revista Diálogo Educacional,
V. 16, n. 47, p. 125-146, 2016.)
Assinale a alternativa que representa a análise do autor sobre o momento citado.