Texto para responder às questões de 6 a 10.
1____(28/10/2011) Quem se dá ao trabalho de
acompanhar as notícias é provável que se impressione com
a desarticulação entre várias políticas que regem a vida dos
4 cidadãos nas maiores cidades — cada uma atira para um
lado e, somadas, provocam complicadas e indesejáveis
consequências na vida das pessoas. É o caso, entre muitas,
7 das políticas de transportes, construção de veículos,
expansão urbana, controle da poluição do ar, manutenção de
infraestruturas urbanas.
10____Segundo este jornal (20/10), só na primeira
quinzena de outubro, foram fabricados no país mais de
150 mil veículos e espera-se para o mês todo que as vendas
13 atinjam patamar semelhante ao de setembro (311,6 mil
veículos). A frota nacional já está além de 35 milhões. Só em
São Paulo, mais de 7 milhões. E até 2015 novas fábricas e
16 ampliação das atuais deverão acrescentar mais 2 milhões de
veículos à produção anual, que hoje está em torno de
4,3 milhões, incluindo também caminhões, ônibus e
19 comerciais leves. Ótimo para a economia ― pensarão
muitos. Mas que acontecerá nas cidades?
São Paulo, por exemplo, já tem um dos mais baixos
22 índices de mobilidade urbana no país (Mobilidade Brasil,
14/10), pior que os de todas as cidades maiores, onde as
questões já são graves. Uma das razões decorre de a frota
25 de coletivos estar estagnada há anos, enquanto a população
aumenta e sobe o número de automóveis. No Recife, onde a
frota de veículos se aproxima de 1 milhão, um deslocamento
28 de 22 quilômetros em transporte público leva duas horas. Em
Goiânia (O Popular, 15/10), a velocidade média da frota de
ônibus caiu 28% em três anos, para menos de
31 20 quilômetros por hora. Nesse período, a frota de
automóveis e motocicletas na cidade cresceu 75%. E ainda
há incentivos fiscais para a compra de veículos novos.
34Também contribui para o drama dos transportes o
fato de a rede ferroviária nacional responder hoje por menos
de 30% do transporte de cargas — especialmente por causa
37 do sucateamento a que foi submetida em parte, após as
privatizações. Com isso, é cada vez maior o transporte por
caminhões, ajudando a atravancar o trânsito das cidades: a
40 frota, na média (22 anos), ainda é muito antiga e contribui
fortemente, por esse motivo, para a poluição do ar urbano.
Quem acha que motos são um complicador no
43 trânsito assusta-se ao saber que as vendas de motos
superarão as de automóveis em 2012 e que, em dez anos,
haverá mais motos que carros nas ruas, segundo o Ipea
46 (Estado, 26/5). É bom lembrar que uma moto pode emitir até
40 vezes mais poluentes que um automóvel e que esses
veículos já são responsáveis pelo maior número de mortes
49 em acidentes.
Nossas grandes cidades, em meio a tudo isso, ainda
vivem atormentadas por enchentes, que também nos levam
52 ao andar de baixo e aos problemas que ali estão. Este jornal
informou (16/10) que, sob as calçadas paulistanas, estão
115 mil quilômetros de tubulações (quase três vezes e meia
55 a volta à Terra), incluindo redes de água e esgotos
(34 mil km), 4.700 km da rede de gás, 38 mil km da rede
telefônica, 2,7 mil da energia elétrica, 1,5 mil das
58 telecomunicações etc. Dividem o espaço com 9,2 milhões de
passageiros que usam o transporte subterrâneo. Cáspite!
Washington Novaes. O Estado de S.Paulo. Internet:
<www.ecodebate.com.br> (com adaptações).
Assinale a alternativa em que a reescrita de fragmento do texto preserva a correção gramatical e o sentido original.