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1625332 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: UFMT
Orgão: UFMT

Instrução: Leia atentamente o texto abaixo, escrito em 1915, para responder às questões de 01 a 08.

O novo manifesto

Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não pretendo fazer coisa alguma pela Pátria, pela família, pela humanidade.

Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os espíritos dos seus colegas contra ele. Contra as suas ideias levantar-se-iam centenas de pessoas do mais profundo bom senso.

Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coisa alguma, o não ser receber o subsídio. Eis aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas.

Recebendo o salário, darei mais conforto à mulher e aos filhos, ficando mais generoso às facadas aos amigos. Desde que minha mulher e os filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, sendo eles parcelas da humanidade, a sua situação melhorando, essa melhoria reflete sobre o todo de que fazem parte.

De resto, acresce que nada sei da história social, política e intelectual do país; que nada sei da sua geografia; que nada entendo das ciências sociais e próximas, para que o nobre eleitorado veja bem que vou dar um excelente deputado.

Há ainda um poderoso motivo, que, na minha consciência, pesa para dar esse cansado passo de vir solicitar de meus compatriotas atenção para o meu obscuro nome. Ando mal vestido e tenho grande vocação para elegâncias.

Confesso também que, quando passo por certas casas cheias de luzes, janelas com cortinas ricas, com carros à porta, eu desejo ser deputado para gozar esse paraíso.

Razões tão ponderosas e justas, creio, até agora, nenhum candidato apresentou, e espero da clarividência dos homens livres e orientados o sufrágio do meu humilde nome, para ocupar uma cadeira de deputado, por qualquer estado, província ou emirado, porque, nesse ponto, não faço questão alguma.

s urnas.

(BARRETO, Lima. Vida urbana. In Antologia da crônica brasileira – De Machado de Assis a Lourenço Diaféria. São Paulo: Salamandra, 2005. Adaptado.)

Sobre o texto, pode-se afirmar que o pretenso candidato

 

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