Texto 1
Gíria: o lado jovem e transitório da linguagem Da festa do balacobaco à reúna onde se descolava aquela mina até o “ficar” de hoje, os jovens de todas as épocas reinventam a língua portuguesa. A juventude principalmente, m s todos os grupos de interesses e vivências particulares criam seu próprio modo de expressão e identidade, enriquecendo e dando gosto e graça ao vocabulário. Perseguida pelos puristas, sempre provocadora de polêmica entre os gramáticos, escolas e redações de jornais, a gíria na verdade inova e renova a linguagem.
Chamar alguém de bacana anos atrás era um elogio e linguagem de quem estava “por dentro”. Agora, a mesma palavra pode ser classificada como uma expressão típica de um “Mauricinho”. Com humor e criatividade, as gírias são fugazes e estão sempre se renovando. Recentemente, foi lançado em Brasília, pelo jornalista e professor universitário João Bosco Serra e Gurgel, o Dicionário de gíria; modismo lingüístico e equipamento falado do brasileiro. Serra e Gurgel defende que a disseminação da gíria pode estar levando o português a se tornar uma língua ágrafa, sem representação gráfica para sua manifestação sonora.
O uso da gíria pela juventude e pelos meios de comunicação sempre gerou polêmica. Serra e Gurgel diz que 90% dos jovens adotam a gíria e desprezam a estruturação de sujeito, verbo e complemento. “Suas frases são vagas, carregadas de sons que nada significam.” Celso
Luft afirma que a gíria é própria da juventude e da linguagem coloquial, informal. Descontraída, debochada ou crítica, a gíria tem contribuído para dar um colorido próprio à linguagem. Sem ela, sem o recurso de regionalismos, acredita Luft, a linguagem corre o risco de empobrecer pela padronização, ficando sem vida. “Por trás do preconceito contra a gíria há sempre um conflito entre conservadores e juventude, grupo social contra grupo social. Se a linguagem da juventude se restringir só à gíria, então haverá perigo.”
(BRAGANÇA, Maria Alice. Revista ZH, 30 jun. 1991.
Adaptado)
No enunciado “Sem ela, sem o recurso de regionalismos, acredita Luft, a linguagem corre o risco de empobrecer pela padronização, ficando sem vida”, depreende-se que