Texto 2
Barcos de Papel
Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde úmida e lavada
Eu saía a brincar pelas calçadas
Nos meus tempos felizes de menino.
Fazia de papel, toda uma armada
E, estendendo meu braço pequenino
Eu soltava os barquinhos sem destino
Ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro os meus ideais
São barcos de papel, são como aqueles:
Perfeitamente, exatamente iguais!
Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais.
(Guilherme de Almeida. In Acaso.)
Atente aos dois versos finais do poema e ao que se diz sobre eles.
I. O verbo ir, no pretérito perfeito (foram), foi usado no interior do verso 13 e no início do verso 14 , constituindo uma figura de linguagem que tem função textual: reforçar o sentido do verbo ir, sugerindo que os ideais do eu poético se foram de vez, sem possibilidade de retorno.
II. O verbo ir (foram) vem acompanhado do pronome se, primeiro, em posição proclítica, depois, em posição enclítica. Esse pronome não tem função sintática, mas função textual. O pronome repetido é mais um recurso que reforça o desengano do sujeito lírico.
III. Os dois diminutivos do texto – pequenino e barquinhos – indicam apenas dimensão. De fato, os braços de uma criança são realmente pequenos.
Está correto o que se diz somente em