Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 8.
O percurso artístico de Leonardo Da Vinci se desenrola ao longo de quase 50 anos em cenários de fundo histórico e cultural bastante diversos: da Florença de Lorenzo, o Magnífico, à Milão da corte de Sforza ou a dos dominadores franceses. Apesar de uma estrada tão rica e variada, são poucas suas obras pictóricas concluídas. É essencial, então, estudar o abundante material gráfico de Da Vinci, caracterizado pela experimentação contínua de novas técnicas gráficas. Além disso, Da Vinci, como se sabe, não era um artista de profissão, mas um homem da ciência e gênio universal. A sua experiência figurativa foi alimentada e fortemente influenciada pela investigação científica do mundo real e dos fenômenos físicos, aos quais dedicou uma quantidade extraordinária de escritos e desenhos. Tais traços tornam ainda mais impressionantes os importantes resultados de Da Vinci no campo artístico. A ele devemos soluções figurativas inovadoras – tanto na configuração d’A Santa Ceia retábulo, como na sedutora introspecção psicológica dada aos retratos da corte. Embora seja habitual pensar em Da Vinci como uma personalidade predominantemente florentina, foi em Milão, cidade onde passou a maior parte da vida, que a sua linguagem obteve maior repercussão. O progresso dos estudos de sua obra nos permite compreender, sob uma aparente uniformidade de estilo, as muitas facetas do leonardismo. Essa diversidade é mais visível nos artistas da primeira geração, que aplicaram as lições do mestre à tradição lombarda. São mais claros os caminhos pelos quais a geração mais jovem, influenciada pelas obras de Da Vinci em sua segunda estada milanesa, foi capaz de conjugar o seu legado com novos estímulos emitidos pela cultura centro-italiana A presença de Da Vinci na primeira metade da década de 1470 na oficina de Andrea del Verrocchio, um dos artistas mais bem-sucedidos de Florença à época, é atestada por uma nota de Da Vinci que alude à operação de fixação da grande esfera de cobre sobre a lanterna da cúpula de Santa Maria del Fiore, executada por Verrocchio em maio de 1472, um episódio que ele próprio presenciou. De acordo com hipóteses formuladas por críticos, Da Vinci deve ter entrado na oficina de Verrocchio, entre meados dos anos 1460 e 1469. Ali permaneceu por um período excepcionalmente longo, cerca de dez anos, e o aprendizado inicial transformou-se em um relacionamento de fértil colaboração profissional: ambos se auxiliavam em termos técnicos. [...] A pintura laudatória mais famosa proveniente do estúdio de Da Vinci por volta de 1490 é a Virgem Litta, cuja execução está no centro de um intenso debate. Raramente atribuída somente a Da Vinci, foi atribuída a ele com a assistência de um aluno ou, ao contrário, a um aluno de Da Vinci com a assistência do mestre. Ou, ainda, inteiramente a um dos seus pupilos mais próximos, como Boltraffio ou Marco d’Oggiono. Parece típica de Boltraffio a interpretação em chave altamente decorativa das invenções do mestre, que se torna evidente na maneira como os perfis das Virgens e do Menino se retalham no fundo escuro, inscrevendo-se perfeitamente entre as duas janelas em forma de arcos.CAIAZZO, Cinzia et al. Leonardo da Vinci: Grandes mestres. São Paulo: Abril, 2011. p.10-13. (Adaptado).