Na década de 1970 assistiu-se a expansão das empresas multinacionais, que eram comparadas a polvos dotados de múltiplos tentáculos, embora todos dependentes do mesmo centro. Mas a "empresa global" de hoje deixou de ter um centro, uma matriz: ela é um organismo sem cabeça, uma rede de elementos complementares e disseminados pelo planeta, que obedecem a duas palavras chave: rentabilidade e produtividade.
Assim, uma empresa francesa pode solicitar empréstimos na Suíça, instalar seu centro de pesquisas na Alemanha, comprar suas máquinas na Coréia do Sul, construir suas usinas na China, elaborar suas campanhas publicitárias na Itália, vender principalmente nos Estados Unidos e ter sociedades com capital misto na Polônia, Marrocos e México.
Longe de serem mundiais, essas empresas são, de fato, triádicas, isto é, intervêm essencialmente nos três pólos que dominam a economia do globo: América do Norte, Europa Ocidental e região Ásia-Pacífico. A globalização provoca uma ruptura do planeta entre esses três pólos, cada vez mais integrados, e o resto dos países (em particular os da África) cada vez mais pobres e em parte excluídos da modernização tecnológica.
(Ramonet, Ignácio. Geopolítica do caos. Petrópolis: Vozes, 1998)
Diante das idéias deste autor, podemos dizer que