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3460202 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Provas:

Rios sem discurso

1 Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
4 em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
7 isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais; porque assim estancada, muda,
10 e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
13 O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
16 para refazer o fio antigo que fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
19 um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
22 em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.

João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003, p. 350.

Julgue os seguintes itens, a respeito da composição e das idéias do poema de João Cabral de Melo Neto apresentado acima, bem como das relações históricas que podem ser feitas a partir desse texto.

O emprego da palavra “grandiloqüência”, para qualificar a cheia, reforça a associação existente no poema entre rio e discurso.

 

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